Cidade do Vaticano (Sexta, 19-12-2008, Gaudium Press) Monsenhor Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, não poupou críticas em entrevista à revista italiana O Consulente Rei ao que aponta como uma "estadolatria" crescente na Espanha. O prelado referia-se a medidas do governo espanhol que visariam a fortalecer o caráter laico daquele país.
Segundo o prelado, "está avançando na Espanha o doutrinamento laico, a ‘estadolatria', ou seja, a ingerência do Estado na vida pessoal de cada um". Monsenhor Amato é ex-secretário da Doutrina da Fé, e amigo pessoal do papa Bento XVI desde que o sumo-pontífice ainda era apenas o cardeal Joseph Ratzinger. Estima-se que o prelado deva ser alçado à categoria de cardeal já no próximo consistório.
"Obviamente que em Roma nós sabemos bem deste grave problema. E, por sorte, podemos contar com uma Igreja espanhola ativa, que se debruçou fortemente sobre o problema e deu uma resposta pública e clara, com base no princípio católico da defesa da liberdade religiosa e dos princípios da dignidade da vida e de cada pessoa. A questão é que em toda a Europa está se introduzindo a categoria da assim chamada bipolítica. O Estado está entrando cada vez mais na vida das pessoas: obriga as famílias a escolherem determinadas escolas com determinadas matérias, não pela instrução, mas por doutrinamento", acusa o religioso.
Para ele, medidas educacionais espanholas como a introdução da disciplina Educação para a Cidadania caracterizam-se como uma ingerência estatal "absolutamente ilegítima". "Certamente a Igreja na Espanha é muito atuante e está reagindo muito bem e com grande dignidade e firmeza".