Cidade do Vaticano (Terça, 06-01-2009, Gaudium Press) "As guerras que ensanguentam o mundo não apagam a esperança". As duras palavras de Bento XVI durante a Missa da Epifania, cerimônia que marca o fim do período natalino, foram, mais uma vez, direcionadas ao conflito na Faixa de Gaza, que hoje chega ao seu décimo-primeiro dia.
Diante de aproximadamente 50 mil fiéis presentes na Basílica de São Pedro para a liturgia, o Papa afirmou que se deve "manter a esperança, não obstante o ódio e a violência destruidora que não cessam de ensanguentar muitas regiões da Terra". Ele disse dedicar seus maiores pensamentos às vítimas da região.
Em outra passagem, o pontífice pediu um empenho particular para "libertar a vida humana e o mundo dos envenenamentos e da poluição que podem destruir o presente e o futuro" e, citando a encíclica "SPe Salvi", disse que "não podemos nos desencorajar".
"Ainda que, aparentemente, não obtenhamos sucesso ou pareçamos impotentes frente ao domínio de forças hostis, a grande esperança repousa nas promessas de Deus, que, tanto nos momentos bons como nos ruins, nos dá coragem e orienta o nosso agir".
Galileo
Tendo como mote a própria Festa da Epifania - que celebra a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus, guiados no deserto por uma estrela - Bento XVI abordou o tema da astronomia, citando especificamente o astrofísico Galileo Galilei, cujas primeiras observações completam 400 anos em 2009. "O símbolo da estrela é muito importante na relação evangélica dos Magos, que muito provavelmente eram também astrônomos", declarou.
Segundo o pontífice, "Galileo era um modelo para os cristãos de hoje, especialmente para os pesquisadores", por ter exercido a ciência sem distanciar-se da fé.
"O diálogo entre fé e ciência dá sinais interessantes de um novo florescer, graças à paixão e à fé de diversos cientistas, os quais, nos rastros de Galileo, não renunciam nem à razão nem à fé, mas, ao invés disso, as valorizam."
Angelus
Durante a benção do Angelus deste domingo, a primeira do ano, O Papa voltou a falar sobre a situação no Oriente Médio, e invocou uma mesa de negociação à qual se sentem para conversar israelenses e palestinos.
"Continuo a seguir com viva apreensão os violentos confrontos armados na Faixa de Gaza. Enquanto insisto que o ódio e a recusa do diálogo levam senão à guerra, quero hoje de encorajar as iniciativas e os esforços daqueles que, tendo como base a paz, estão procurando ajudar israelenses e palestinos a aceitarem sentar-se em volta de uma mesa e dialogar. Deus apoia o empenho destes corajosos construtores da paz".
Saudando em seguida o tradicional cortejo "Viva la Befana", que todo dia 6 de janeiro conclui na Praça de São Pedro o seu festejado caminho pelas ruas de Roma, o Papa recordou a Jornada da Infância Missionária, celebrada hoje, e dedicou seus pensamentos a todas as crianças às quais são negadas uma "infância serena". Bento XVI falou especificamente do Congo.
"Desejo chamar a atenção para as inúmeras crianças e jovens que, nestes últimos meses, foram sequestrados por bandos armados, que atacaram vilarejos e deixaram numerosas vítimas e feridos. Faço um apelo às autoridades para que busquem terminar tamanha brutalidade desumana, de modo que os jovens e crianças sejam restituídos às suas famílias e ao seu futuro de segurança e desenvolvimento, aos quais têm direito junto daquelas queridas populações".
Bento XVI endereçou, ainda, votos natalinos às Igrejas Orientais que, por seguirem o calendário Giuliano, celebram amanhã o Natal.
O papa terminou o Angelus recordando que em 2009 será celebrado o 20º aniversário da Convenção dos Direitos da Criança e do Adolescente, pelo que cobrou: "A comunidade internacional é chamada a renovar a defesa, a tutela e a promoção da infância no mundo inteiro".