Uma juventude sedenta de Deus, ávida de verdade, bondade e beleza, terra excelente para se lançar a semente do Evangelho.
África… Para muitas pessoas, esse continente guarda um ar de mistério e evoca imagens fabulosas, como o leão de juba negra e praias recobertas de diamantes, mas também sombrias, como rituais bárbaros e situações de extrema miséria.
Para os Arautos do Evangelho, ele é, sobretudo, um imenso território com milhões e milhões de almas ávidas de receberem a boa semente da evangelização.
A juventude maputense, um tesouro de ébano
Nos 50 países do mundo onde os Arautos atuam, em poucos lugares encontraram eles uma juventude tão sedenta de Deus e entusiasmada pela sublime beleza da Fé Católica, quanto neste País de Ébano.
Um exemplo entre muitos é o curso de evangelização promovido pelos Arautos durante as últimas férias escolares, do qual participaram nada menos que 500 estudantes de dois colégios secundários de Maputo, a Capital de Moçambique. Um êxito notável, tratando-se de frequência voluntária, em período de férias.
Houve alegres momentos de recreação, jogos variados, treinos de música instrumental e coral, tudo isto muito do agrado dos jovens, os quais tomavam parte com visível contentamento.
O que mais lhes despertou o interesse, porém, não foram os divertimentos, mas sim as exposições doutrinárias sobre a Sagrada Escritura, História da Igreja e doutrina católica em geral.
Os animados círculos de conversas que se formavam espontaneamente, após cada aula, para debater o tema apresentado, constituem a mais eloquente prova do bom aproveitamento nesses estudos.
Resultados animadores
De numerosos Bispos, párocos e diretores de colégio, chegam aos Arautos pedidos de ajuda para a formação religiosa, não apenas dos jovens, mas dos fiéis em geral.
O Pe. Salvador, da Igreja de Nossa Senhora da Assunção, encaminha os rapazes de sua paróquia para receberem na casa dos Arautos formação para o Batismo.
Atualmente, centenas de jovens participam de atividades de formação nas três casas dos Arautos localizadas em Maputo.
Nos fins de semana, o número aumenta a ponto de tornar necessário improvisar “acampamentos” nos pátios para acolher todos os participantes. Em sua maioria, foram eles batizados depois de tomarem contato com os Arautos e passarem pelo curso de Catecismo, por eles ministrado.
Ao contrário de muitos jovens de outras nações, os moçambicanos gostam de fazer exames escritos e se esmeram em obter boas notas. Nos diversos cursos ministrados na casa dos Arautos – Catecismo, História Sagrada, História Geral, línguas, música – impressiona a seriedade desses alunos voluntários.
E um dos bons resultados desse esforço é que vários arautos nativos já estão lecionando em comunidades da região.
Analisando os frutos dessa obra formadora, a Ministra da Educação de Moçambique está interessada em estender a todos os colégios do país o Projeto “A Juventude tem Conserto”, o qual vem sendo promovido com êxito crescente no Brasil.
A consagração à Virgem Maria
Um curso que atrai particularmente é o da preparação para a consagração a Nossa Senhora, segundo o método de São Luís Grignion de Montfort.
Este é um ponto essencial na formação espiritual dos Arautos do Evangelho. Dele participam não somente moças e rapazes, mas também, muitas vezes, as respectivas famílias.
Concluído o curso, faz-se a cerimônia solene de consagração na igreja paroquial.
Fanfarra e coro a serviço da Fé
Povo de alma aberta para o belo, não é de estranhar a atração especial do jovem africano pela arte musical.
Superando, à base de esforço e entusiasmo, as dificuldades iniciais, os arautos maputenses formaram uma fanfarra e um coral que anima as solenidades litúrgicas em três paróquias da cidade – Sagrada Família da Machava, Nossa Senhora da Assunção da Liberdade e Santa Teresinha do Liqueleva – e é convidada para apresentações em diversos colégios.
Missões Marianas em grande estilo
Os arautos moçambicanos gostam de fazer Missões Marianas em grande estilo: enquanto um grupo se apresenta na ponta da rua com a imagem peregrina do Imaculado Coração de Maria, a fanfarra toca vibrantes músicas, atraindo a atenção dos moradores.
Em cada casa, a recepção à celestial visitante é calorosa e cheia de júbilo. Saindo de uma residência, a imagem é acompanhada por toda a família. Desse modo, tudo se transforma em uma animada procissão pelo bairro, ao som de belas músicas religiosas.
Os resultados são excelentes.
Em primeiro lugar, na linha do afervoramento dos católicos praticantes, da quantidade de lares onde a família passa a rezar reunida o santo Rosário.
Além disto, numerosos fiéis que haviam se afastado da prática da religião, voltam a viver de acordo com sua fé.
Por exemplo, na Paróquia de Nossa Senhora da Assunção, era tão reduzido o número de participantes da Missa diária, que o Pe. Salvador costumava celebrar em uma pequena capela nos dias de semana.
Depois da Missão Mariana, o grande afluxo de fiéis o levou a celebrar diariamente na Matriz.
É nessa paróquia que se realiza a devoção dos Primeiros Sábados, pedida por Nossa Senhora em Fátima. A igreja fica totalmente lotada nesses dias.
Com frequência, os Arautos, além da cerimônia habitual, cantam em gregoriano uma hora do Pequeno Ofício de Nossa Senhora, com enfáticas manifestações de agrado da parte dos fiéis.
Possibilidades ilimitadas de expansão
São ilimitadas as possibilidades de expansão desse trabalho evangelizador. Cremos mesmo que à África se aplica, mais do que a qualquer outra parte do mundo, a lamentação do Divino Mestre: grande é a messe, poucos são os operários.
De vários países africanos chegam-nos convites de Bispos para atuarmos também em suas dioceses. De nossa parte, queremos atender largamente a todos, pois na África se encontra, sem dúvida, uma das grandes esperanças para a Igreja no século XXI.
Sem deixar de trabalhar com os meios a nosso dispor, rogamos ao Senhor da Messe, por intercessão da Rainha dos Apóstolos que, para isto, envie-nos bons missionários, e também os indispensáveis recursos materiais.
A seguir, o testemunho de alguns jovens arautos moçambicanos:
Móisés Joaquim Mathombe:
Eu tomei contato com os Arautos numa quadra de jogos. Fui conhecer sua casa, depois os acompanhei à igreja. Convidaram-me, juntamente com um grupo da Paróquia, para uma apresentação nos estúdios da Rádio Maria.
Aí entendi que a coisa era séria mesmo e resolvi unir-me a eles nessa obra de apostolado. Vindo ao Brasil, tive o dia mais feliz da minha vida, ao receber do Presidente Geral, João Clá Dias, o simbólico hábito de arauto.
Giverage Alves do Amaral:
A primeira vez que fui à casa dos Arautos do Evangelho, dei-me com uma roda de jovens conversando alegres e animados. Tive uma espécie de sobressalto: “O que é isto aqui? É uma coisa nova…”
Contaram-me a história das aparições de Nossa Senhora em Fátima e várias outras histórias de Santos. Tudo me interessou.
Comecei a aprender o Catecismo, pois os meus pais eram protestantes. Em poucos meses, pedi o Batismo na Igreja Católica, atraído pela ideia de me tornar filho de Deus.
Também meu amigo Arão Utilo era de família protestante, recebeu na casa dos Arautos aulas de Catecismo, foi batizado e tornou-se em pouco tempo um fervoroso católico e um atuante Arauto do Evangelho.
Isaias Azarias Muchanga:
No momento, atuamos permanentemente em três paróquias de Maputo, dando nossa colaboração ao clero, não apenas na obra da nova evangelização, mas também na catequização de inúmeros jovens que, infelizmente, ainda são pagãos.