Como parte das comemorações dos 450 anos da fundação de São Paulo, estão expostas no Pátio do Colégio algumas centenas de cartas escritas no século XVI por missionários jesuítas na América Latina.
É a primeira vez que esses documentos saem dos arquivos históricos da Companhia de Jesus, em Roma.
Entre elas destacam-se 17 cartas inéditas do Pe. José de Anchieta.
Quando embarcou com destino às terras brasileiras, com apenas 19 anos, seu precário estado de saúde levava a recear que não suportasse os rigores da viagem marítima.
Entretanto, movido pelo desejo de conquistar almas para Cristo, ele aqui aportou, enfermo, mas animado, em 1551.
Quatro anos depois, relata ele, em uma de suas cartas, que está na aldeia de Piratininga, “na qual sarei, porque a terra é muito boa”, embora não disponha dos xaropes e demais recursos médicos existentes na Europa.
Para quem conhece o atual centro agitado e fumacento da Capital Paulistana, não deixa de ser surpreendente essa comunicação…
Tanto mais que, acrescenta ele, tinham os heroicos jesuítas como alimento apenas “folhas e outros legumes da terra, e outros manjares que aí não podeis imaginar”.
Não faltavam, entretanto, trabalhos como “ensinar gramática em três classes diferentes, de pela manhã até à noite”.
Com tudo isto, julgará o leitor, sua doença certamente agravava-se de forma perigosa. Muito pelo contrário! “Tudo parece que sarava”, declara ele.
E conclui com esta curiosa afirmação: “E assim é porque, desde que fiz conta que não era enfermo, logo comecei a ser são”. Sim, senhor! Ficou curado porque… deu-se conta de que não estava doente!
A realidade, de fato, é outra. Deus o queria com saúde suficiente para a grandiosa obra de evangelização do Brasil, e fez todos os fatores concorrerem para sua cura.
Mas não deixa de ser interessante analisar, nessa carta, a psicologia do Santo e do herói da fé, que foi Beato José de Anchieta.