O viajante que se aproxima de Guadalupe, na província espanhola de Múrcia, contempla admirado em meio à paisagem o magnífico edifício do antigo Mosteiro dos Jerônimos, construído em princípios do século XVIII, atualmente sede da Universidade Católica Santo Antonio de Múrcia (UCAM).
Ali se realizou de 9 a 13 de novembro do ano findo o I Congresso Eucarístico Internacional Universitário, uma iniciativa da UCAM, de transcendental importância para o mundo universitário católico.
Missa e Adoração
A solene inauguração foi presidida pelo Cardeal Josef Tomko, representante pessoal do Papa Bento XVI.
Durante esses cinco dias, os congressistas tiveram oportunidade de ouvir na Capela da Universidade as conferências e testemunhos que lhes foram oferecidos por representantes de várias realidades eclesiais.
Em uma capela anexa, durante o dia inteiro o Santíssimo Sacramento permanecia exposto à adoração dos congressistas. A recitação em conjunto de algumas horas litúrgicas, e a Missa diária, participada por todos, preparavam os espíritos para ouvir com atenção as palestras.
Cerca de 150 mil assistentes
Os organizadores do evento não quiseram que ele ficasse restrito ao âmbito universitário, mas espalhasse sua benéfica atuação por uma larga faixa da população católica.
Assim, realizaram-se atos diversos em quase 60 locais da Diocese de Múrcia, com a participação de cerca de 150 mil assistentes.
Entre os quase cem expositores destacavam-se onze Cardeais e numerosos Arcebispos e Bispos.
“A universidade encontra seu lugar na Eucaristia, façamos dela o motor de nosso apostolado”, disse em sua conferência o Cardeal Castrillón Hoyos, Prefeito da Congregação para o Clero.
O Cardeal Rouco Varela, Arcebispo de Madri, ressaltou outro ponto de grande importância: “Os sacrários devem converter-se em ‘centros de adoração’”.
Em seguida, referindo-se à tristeza de ver “sacrários abandonados”, advertiu que esse abandono “é um dado preocupante da realidade atual da Igreja, e, se queremos ser sinceros, de nossas próprias vidas”.
Por fim, o Cardeal madrilheno insistiu na importância não só da “arte de celebrar” mas também da “arte de participar” da Eucaristia. A “arte de celebrar” deve contribuir para deixar claro que a Missa não é “um ato social nem folclórico”, afirmou.
Várias conferências estiveram a cargo de personalidades leigas. O Prof. Guzmán Carriquiry, Subsecretário do Pontifício Conselho para os Leigos, desenvolvendo o tema “Piedade popular e Eucaristia”, afirmou que “toda manifestação de piedade popular deve estar de acordo com a Sagrada Liturgia e dela derivar”.
A voz do representante do Papa
A realização de concertos de música sacra deu o tom musical do último dia, 13 de novembro, que culminou com a Missa solene presidida pelo Cardeal Tomko na Catedral de Múrcia, e concelebrada por numerosos prelados, da qual participaram mais de 2.500 congressistas.
Em sua homilia, o Purpurado pôs em relevo a grave situação dos cristãos na Europa, onde “a descristianização progride, põe-se em dúvida a milenar Civilização Cristã e se ataca a religião”.
Nessa linha, apontou dois aspectos especialmente prejudiciais: a “destruição das famílias” e as “leis iníquas impostas pelos parlamentos ou governos”.
E concluiu que em resposta os cristãos, longe de cair no pessimismo, devem “promover uma cultura eucarística” que leve à transmissão da Fé.
No final da celebração foram lidas as doze conclusões do Congresso, todas elas importantes, cada qual destacando e afirmando um aspecto do tema central desses cinco dias de estudo, preces e reflexão: “A Eucaristia, coração da vida cristã e fonte da missão evangelizadora da Igreja”.