Sábado, noite de 12 de março no distrito de Maipú em Santiago do Chile. Ouve-se um sonoro apito, uma banda de música começa a tocar e cem integrantes de um conjunto de danças populares põem-se em movimento, em direção ao Santuário Nacional de Maipú.

Em boa ordem, outros grupos vão-se juntando à marcha do primeiro.

Ao todo, são 62 confrarias provenientes de vários pontos do país, reunindo mais de três mil integrantes, todos com belos e coloridos trajes, acompanhados de animadas bandas.

Esse desfile dançante entra com garbo na igreja, enchendo a nave central com um indescritível amálgama de cores e ritmos. O Pe. Carlos Cox, Reitor do Santuário, dá-lhe as boas-vindas.

Logo em seguida, todos se ajoelham, reverentes e silenciosos, para uma solene adoração ao Santíssimo Sacramento.

Assim começa a Festa da Promessa, realizada todo ano, como testemunho do voto feito pelos combatentes chilenos em 14 de março de 1818: o de edificar uma igreja em honra da Virgem do Carmo no próprio lugar em que conseguissem a independência nacional.

Tendo alcançado decisiva vitória na batalha de Maipú, ali construíram uma capela, primeira etapa do esplêndido Santuário inaugurado solenemente em 1974.

No dia seguinte, as confrarias se concentram na esplanada em frente ao Santuário e entram no recinto sagrado onde será celebrada a Eucaristia. Todos nela participam com fervor.

Alguns fazem as leituras, outros formam o cortejo do Evangelho, um grupo escolhido leva ao altar as oferendas. No momento da consagração, tocam os tambores em homenagem a Jesus Sacramentado.

“Além de aprender a dançar, os jovens aprendem a fazer as leituras, a cantar e ajudar na Liturgia”, explica Victor, um dos organizadores da festa.

À tarde uma procissão multicolorida percorre as ruas. A imagem da Virgem do Carmo é a primeira a sair, pois todos os conjuntos devem ir desfilando diante dela para lhe apresentar saudações, durante o trajeto.

Munido de um potente apito, cada “caporal” comanda a movimentação de sua confraria que se aproxima da imagem, dança, canta alguns hinos e em seguida põe-se de joelhos, inclinando a cabeça em sinal de veneração.

Todas as 62 associações se empenham em dar o máximo de louvor a Nossa Senhora. Neste ano, o Baile Santa Teresita foi um dos mais destacados, não só pela sua coreografia bem executada, mas também pela variedade dos trajes.

As jovens integrantes desse conjunto apresentaram-se primeiro de blusa dourada e saia negra, depois todo de negro e, por fim, de blusa azul e saia branca, enquanto as meninas vestiam-se de fada.

Mais do que meras danças folclóricas, esses bailados são uma demonstração de autêntica religiosidade popular.

Se os “promesseiros” que dançam em homenagem à Virgem Maria forem inteiramente dóceis à graça de Deus e à orientação da Igreja, esse gênero de devoção pode tornar-se um complemento enriquecedor dos atos litúrgicos, tais como as procissões sevilhanas da Semana Santa, as representações da Paixão em Oberammergau (Alemanha), e quantas outras mais.