Num mundo em que quase tudo desfavorece ou até hostiliza a mensagem do Evangelho, é consolador observar como a Igreja continuamente cresce e se fortalece.
A ela bem se podem aplicar as palavras de São Lucas: “O Menino crescia e Se fortalecia, cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava com Ele” (2, 40).
Como “a graça de Deus está com ela”, a Santa Igreja sempre estará crescendo em santidade, manifestando novas belezas, até a consumação dos séculos.
Em sua carta aos Efésios, São Paulo expressa com eloquente beleza essa verdade:
Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do Batismo com a palavra, para apresentá-la a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível (5, 25-27).
Assim, enquanto numerosos fatores de desagregação social se acentuaram ao longo de 2005, a Esposa de Cristo floresceu e indicou sem cessar à humanidade o caminho da paz e da esperança.
Para comprovar isso, rememoremos alguns acontecimentos do ano que acaba de se encerrar.
O poder de atração do Papado
Como um só coração, o mundo voltou sua atenção para Roma no início de abril, assistindo, entre dor e maravilhamento, às solenes exéquias de um Papa e à jubilosa entronização de outro.
Bilhões de pessoas acompanharam com atenção, nas telas de TV, o que sucedia no Vaticano, desde que correu a notícia do agravamento da saúde de João Paulo II.
Nas mentes e nos corações ficará especialmente marcada aquela gloriosa manhã, na Praça de São Pedro, quando, em volta dos despojos mortais do antigo Papa, reuniram-se Chefes de Estado, milhares de outras autoridades e uma incontável multidão de pessoas de todas as camadas sociais, entre as quais muitos e muitos jovens.
Como disse depois Bento XVI, a humanidade viveu “um tempo extraordinário de graça”, traduzido na “onda de fé, de amor e de espiritual solidariedade”.
Sim, essa comoção mundial só era possível em virtude de graças inéditas concedidas por Deus, amostra de outras quiçá maiores, mais eficazes e mais frequentes, que Ele tem reservado para reerguer nosso mundo decadente.
Quatro milhões em Roma
Foi este o número estimado de pessoas que acorreram de todo o orbe à capital da Cristandade naquela ocasião.
A cada hora entraram na Basílica Vaticana 21 mil pessoas; a média de espera na fila era de 13 horas, e para muitas esse tempo foi de 24 horas; 500 mil fiéis lotaram a Praça de São Pedro no dia dos funerais, enquanto outros 600 mil comprimiam-se nos lugares onde estavam instaladas as telas gigantes de retransmissão.
Todos estavam tão compenetrados do momento histórico que viviam e tão animados por um mesmo sentimento de admiração e respeito para com o Papado, que sua presença em Roma não provocou caos nem tornou necessário o reforço no policiamento, mas transcorreu pacificamente.
Mais uma prova, aliás, de quanto a prática da religião beneficia a ordem pública.
Internet comprova a influência da Igreja
Segundo a associação Global Language Monitor, somente nas 72 horas seguintes ao anúncio do falecimento de João Paulo II, seu nome foi citado 10 milhões de vezes na Internet.
Nesse mesmo período foram publicadas cerca de 75 mil notícias a respeito de sua morte, número cinco vezes maior que o da cobertura da imprensa para o tsunami na Ásia, e três vezes maior que o das notícias sobre os atentados de 11 de setembro de 2001 contra a nação norte-americana.
Um pontificado que marcou a história
Finis coronat opus – O modo como João Paulo II passou para a eternidade coroou sua vida, e mais ainda seu pontificado, o terceiro mais longo da História, pontilhado por importantes intervenções na alta esfera política mundial, sábias encíclicas e cartas apostólicas, e incansáveis viagens por todo o globo.
Contudo, João Paulo II será lembrado não apenas por suas atividades, mas também por sua espiritualidade, no que sobressaía como grande devoto da Santíssima Virgem.
A Ela era consagrado como “escravo de amor”, segundo a espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort.
Foi ainda o Papa dos novos movimentos e associações leigas, e mostrou-se infatigável no chamamento à santidade e ao esforço de evangelização.
Reafirmou a doutrina da Igreja contra o aborto, a eutanásia e o relativismo moral; em prol da família, da dignidade humana e da castidade.
Por determinação do Papa Bento XVI, sua causa de beatificação pôde ter início antes do prazo regulamentar de cinco anos. Assim, em 28 de junho foi realizada a sessão de Abertura da Investigação Diocesana sobre a vida, as virtudes e a fama de santidade do saudoso Pontífice.
Igreja imortal
Deixar o próprio Cristo guiar a Igreja
Na instituição mais antiga e mais sólida da terra, a troca de comando só tem um significado: a imortalidade. É o mesmo Apóstolo Pedro que continua no timão da Igreja de Deus.
Meu real programa de governo é não fazer minha própria vontade, não seguir minhas próprias idéias, mas ouvir, junto com toda a Igreja, a palavra e a vontade do Senhor, para ser guiado por Ele, de modo que Ele mesmo guie a Igreja nesta hora de nossa História.
Com essas palavras, Bento XVI inaugurava seu pontificado.
Vaticanistas consideram que o momento no qual os cardeais decidiram a eleição de Bento XVI foi sua homilia na Missa de 18 de abril, durante o Conclave, quando ele tratou com coragem e discernimento dos males que a Igreja enfrenta.
Mostrando que não podemos ter uma fé infantil, disse ele:
Uma fé adulta não é uma fé que segue as tendências da moda e a última novidade; uma fé madura está profundamente enraizada em Cristo. Esta amizade é que nos abre para tudo o que é bom e nos dá um critério pelo qual podemos distinguir entre a verdade e o falso, entre o engano e a verdade.
Multidões cada vez maiores
Contradizendo os vaticínios de que Bento XVI atrairia menos os fiéis do que seu antecessor, nos seus cinco primeiros meses de pontificado aumentou de modo significativo o número de peregrinos que vão ao Vaticano para um encontro com o Papa.
Entre maio e setembro, 410 mil pessoas participaram das audiências gerais das quartas-feiras, e 600 mil da recitação do Ângelus aos domingos. Mais do dobro do mesmo período de 2004.
Livros do Papa
A eleição do Cardeal Ratzinger provocou uma corrida às livrarias, à procura de suas obras. Só em Madri, em apenas um dia esgotaram-se todos os exemplares nas principais livrarias.
Várias reedições foram rapidamente postas em andamento. A obra mais procurada era a autobiografia do Papa, Minha vida –Recordações, na qual ele relata, entre outros fatos, suas vivências da II Guerra Mundial, seus estudos de teologia e sua participação no Concílio Vaticano II.
Em Roma foi lançado o último livro escrito pelo Cardeal Ratzinger antes de sua eleição para o Sumo Pontificado, intitulado A Europa de Bento na crise das culturas. Compõe-se de três conferências pronunciadas respectivamente em 1992, 1997 e 2005.
Nelas, o então Cardeal trata da crise das culturas e da figura de São Bento de Núrsia, de quem o novo Papa tomou o nome, tendo como um dos objetivos empenhar-se para fazer a Europa retornar às suas raízes cristãs.
As convidativas portas da Casa Paterna
Na primeira mensagem após sua eleição, ao fim da Missa do dia 20, Bento XVI afirmou:
Os funerais de João Paulo II foram uma experiência verdadeiramente extraordinária na qual se sentiu de certa forma o poder de Deus que, através da sua Igreja, deseja formar, de todos os povos, uma grande família, mediante a força unificadora da Verdade e do Amor.
Assinalava ele aí seu empenho especial em trazer para o redil da Igreja todos quantos dele devem fazer parte. Noutra homilia, exprimiu seu desejo de seguir nas vias do Bom Pastor.
Traçando o programa de um ecumenismo autêntico, repetiu com Jesus: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; devo trazê-las também, elas ouvirão minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10, 16).
Apesar da crise de Fé e do relativismo sem precedentes, parece estarmos vivendo uma hora favorável para a volta de muitos à Casa Paterna.
Assim, naquele impressionante mês de abril, mesmo nos países ocidentais onde os católicos são minoria, levantou-se uma enorme onda de interesse pelo Papado, como nos Estados Unidos, na Suécia, na Finlândia, etc.
O caso da Inglaterra foi surpreendente. Conforme comentou a mídia, esse país comportou-se como se fosse católico.
Os funerais de João Paulo II influenciaram tanto a vida pública inglesa que provocaram um feriado público oficioso e adiaram o casamento do Príncipe Charles e o anúncio da dissolução do Parlamento; o canal BBC 24 Horas transmitiu sem cessar, ao vivo do Vaticano, durante uma semana.
Na esteira desse movimento mundial, um mês depois o bispo luterano de Helsinque, Aero Huovinen, que participara do Congresso Eucarístico Italiano realizado em Bari, declarou: “Nós, os luteranos finlandeses, queremos fazer parte da Igreja Católica de Cristo”.
Um alto interesse pelo que acontecia em Roma verificou-se também em países onde o Cristianismo tem muito poucos seguidores, como o Japão, a Coreia, a China, e outras nações da Ásia e da África.
Tudo isso são promessas de graças e acontecimentos extraordinários que talvez não demorem a se realizar.
Com os olhos postos na Eucaristia
É impossível não ver uma relação entre essas graças abundantes e o Ano da Eucaristia, instituído precisamente para ajudar o mundo a reencontrar nosso Divino Salvador.
Tantos foram os benefícios recebidos que os Bispos brasileiros, reunidos na Assembleia Geral da CNBB, de 9 a 17 de agosto, decidiram prolongá-lo, em nosso País, até a realização do Congresso Eucarístico Nacional de Florianópolis, em maio próximo.
Em Bari (Itália), Bento XVI celebrou a Missa de encerramento do Congresso Eucarístico Nacional, em 29 de maio.
Na homilia, o Papa reafirmou sua “vontade de ter como empenho fundamental o de trabalhar com toda a energia para a reconstituição da plena e visível unidade dos seguidores de Cristo”, afirmando a Eucaristia como Sacramento de unidade.
Empenho catequético
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica: um best seller
Em menos de um mês após seu lançamento, feito em 28 de junho, o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica ultrapassou 400 mil exemplares vendidos, computada apenas a edição italiana.
Na Introdução dessa obra, o então Cardeal Ratzinger ressalta que ela tem três características principais: é uma síntese fiel e segura dos ensinamentos do Catecismo da Igreja Católica, promulgado em 1992.
É concebido sob a forma de perguntas e respostas “que envolvem o leitor, convidando-o a prosseguir na descoberta dos aspectos sempre novos da verdade sobre a Fé”.
Utiliza artísticas imagens para ajudar na transmissão da mensagem evangélica, uma vez que “a imagem sagrada pode exprimir muito mais que a própria palavra”.
Doutrina Social da Igreja
Em 21 de junho foi lançada na sede da CNBB, em Brasília, a edição brasileira do Compêndio da Doutrina Social da Igreja.
O Cardeal Renato Martino, Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, declarou no ato do lançamento: “O Compêndio não deve ser entendido como um resumo didático. Ele tem um valor simbólico, que é entender a proposta de uma vida unitária, e um valor prático pastoral”.
Ressaltou também sua importância como instrumento de promoção do diálogo ecumênico.
O Sínodo dos Bispos
Um extraordinário fruto do ano da Eucaristia foi a XI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, a qual acabou se tornando uma das mais importantes já realizadas por esse alto organismo eclesiástico, desde sua criação em 1965.
Não houve matéria eclesial de relevo que nela não tenha sido debatida.
Entre os temas do documento final elaborado pelos padres sinodais estão: a reafirmação do celibato sacerdotal; a implementação de uma “pedagogia da conversão, que nasce da Eucaristia”.
Também, a importância da Ars celebrandi, cuidando-se para que na Missa seja expressa a sacralidade do mistério eucarístico e se mantenha a fidelidade às normas litúrgicas; a diligência em preparar a homilia, a qual deve tratar da Sagrada Escritura e dos grandes temas da Fé Cristã.
Ainda, uma maior utilização da língua latina na Liturgia durante os encontros internacionais, e a reintrodução do ensino do latim e do canto gregoriano nos seminários; as condições requeridas para ser admitido à Comunhão eucarística; o insubstituível papel da Confissão individual.
E a urgência de dar uma maior formação nos seminários a propósito da Eucaristia.
Maria, Rainha dos Corações
Morte da Irmã Lúcia: Fátima, no centro das atenções
O falecimento da última “pastorinha de Fátima”, em fevereiro, levantou uma onda de emoção em todo o mundo, mostrando quanto continua viva no horizonte espiritual da humanidade a mensagem de Nossa Senhora durante aquelas aparições.
Uma multidão comovida acorreu a Coimbra para prestar-lhe a última homenagem. Em Portugal foi decretado luto nacional.
O Papa João Paulo II enviou por meio de seu representante pessoal, o Arcebispo Tarcísio Bertone, uma mensagem afirmando: “Sempre me senti amparado pela oferta quotidiana da sua oração [da Irmã Lúcia], especialmente nos duros momentos de provação e de sofrimento”.
Cresce a devoção a Nossa Senhora entre os irmãos separados
Enquanto vai-se incrementando entre os católicos, um pouco por toda parte, a devoção ao Rosário, a última novidade no terreno mariano – bastante debatida em 2005, chegando a ganhar as páginas de grandes publicações – é a crescente devoção a Nossa Senhora em muitas igrejas protestantes.
Nos Estados Unidos e em outros países, muitos templos já contam inclusive com imagens de Maria e promovem a reza do Terço.
Da maior importância nesse sentido é o documento assinado pela Comissão Internacional Anglicano-Católica, no mês de maio, intitulado “Maria: Esperança e Graça em Cristo”, no qual se afirma que os ensinamentos católicos a respeito de Nossa Senhora são “autênticas expressões da Fé Cristã”.
Após seis anos de debates a propósito desse tema, os anglicanos são convidados a agir em consequência e a avaliar positivamente os dogmas marianos, incluindo os da Imaculada Conceição e da Assunção ao Céu.
Multidões honram e louvam a Mãe de Deus
No Brasil, as demonstrações públicas de amor filial a Nossa Senhora atraem cada vez mais fiéis.
Assim, cerca de dois milhões de pessoas participaram do 213º Círio de Nazaré, realizado em Belém do Pará, no dia 9 de outubro, festividade religiosa que é a maior do Brasil, e talvez do mundo.
Por seu turno, no Santuário Nacional de Aparecida aumenta todo ano o número de peregrinos. Em 1900 calculava-se em 150 mil o número anual de romeiros. Em 1957, já eram um milhão.
Hoje as estatísticas acusam 7 milhões de peregrinos por ano. Somente no dia 12 de outubro, 155 mil fiéis foram venerar a Padroeira do Brasil em seu Santuário. “Com Maria, no Ano da Eucaristia, construir uma cultura de paz”, foi o tema da novena preparatória desse ano.
Lisboa se consagra a Maria
A solene consagração de Lisboa a Nossa Senhora de Fátima foi o ponto alto do Congresso Internacional para a Nova Evangelização.
Foi realizado naquela cidade de 5 a 13 de novembro, com a participação de 1970 congressistas de Portugal, França, Áustria, Bélgica, Hungria, Espanha, Inglaterra, Estados Unidos e Austrália.
O que mais tocou o grande público foi a Procissão de Luz, no anoitecer do dia 12, quando uma multidão calculada entre 400 e 500 mil pessoas acompanhou durante três horas a imagem de Nossa Senhora de Fátima, sem se deixar vencer pela chuva e pelo frio.
No fim, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, Dom José Policarpo, fez a solene consagração da cidade à Santíssima Virgem.
A força da Igreja
Vitória na Itália
O governo italiano sofreu fragorosa derrota no referendo dos dias 12 e 13 de junho, convocado para autorizar a pesquisa com embriões humanos e liberar a fecundação assistida.
Apenas 25,9% dos eleitores compareceram, quando seriam necessários pelo menos 50% para validar a consulta. A grande vencedora foi a Igreja Católica.
O Papa Bento XVI havia recomendado a abstenção na votação, como um duplo “não”: à proposta enquanto tal e ao uso da consulta popular para decidir sobre questões relativas à vida.
Apesar da maciça campanha em prol do “sim” – levada avante por grande parte da mídia, por intelectuais, artistas e personalidades de todo tipo –, prevaleceu a voz da Igreja.
Desfile de dois milhões em defesa da formação religiosa dos filhos
Cerca de dois milhões de espanhóis desfilaram pelas ruas centrais de Madri, em 12 de novembro, numa gigantesca manifestação em defesa do direito dos pais de dar a seus filhos a formação religiosa e moral que desejam.
Segundo uma declaração da Comissão Permanente da Conferência Episcopal Espanhola, esse direito está seriamente ameaçado pelo Projeto de Lei Orgânica da Educação, que “confere à administração pública tal poder que pode fazer do Estado o único educador”.
Organizada pela Federação Católica Nacional de Pais de Alunos (CONCAPA) e outras associações similares, a manifestação percorreu como um rio transbordante o famoso Paseo de la Castellana.
Na multidão de alunos, pais e professores, notavam-se numerosas freiras e sacerdotes, e se destacavam as figuras de oito Bispos.
Igreja, a instituição mais confiável
Para 75% dos latino-americanos, a Igreja Católica é a instituição mais respeitada e merecedora de crédito, acima de políticos, jornalistas, policiais e Poder Judicial.
Esta é a conclusão do estudo realizado pela empresa chilena Latinobarómetro em 17 países da América Latina e publicado pelo analista Andrés Oppenheimer no jornal espanhol La Vanguardia.
Marta Lagos, diretora do Latinobarómetro, afirmou que, apesar da diminuição do número de católicos no continente, a Igreja continua sendo líder moral e fonte de legitimidade, e permanece como “o ponto de referência mais sólido das nações latino-americanas”.
Crescimento nos Estados Unidos
Também na mais poderosa nação da terra, a Igreja, mesmo atingida por diversos escândalos, mantém-se como uma das grandes forças do país.
Em 2005, mais de um milhão de pessoas – mais de 80 mil oriundas de outras confissões religiosas – foram batizadas na Igreja Católica.
Os católicos já são oficialmente cerca de 70 milhões, e grandes pesquisas de opinião (como a do National Survey of Religious Identification — NSRI) estimam que seu número já está entre 73 e 77 milhões.
Os norte-americanos formam o terceiro maior contingente de católicos do mundo.
“A Igreja é viva. A Igreja é jovem!”
O Papa Bento XVI, na Missa de início de seu ministério petrino, afirmou: “A Igreja é viva. A Igreja é jovem!”
Muitos acontecimentos de 2005 mostram que essas palavras podem ser tomadas até em seu sentido literal. Basta nos lembrarmos da Jornada Mundial da Juventude.
Jornada Mundial da Juventude
Eram mais de um milhão de jovens representando 197 países, além de 10 mil sacerdotes, 800 Bispos, 60 Cardeais, 20 mil voluntários e 7 mil jornalistas, reunidos em Colônia (Alemanha) de 16 a 21 de agosto, na 20ª Jornada Mundial da Juventude.
Esses números impressionantes atestam de novo a força da Igreja.
O mais importante, porém, é constatar quanto esses jovens estavam abertos à mensagem do Vigário de Cristo, que lhes disse:
Quem deixa entrar Cristo em sua vida nada perde, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande. […] Cristo de nada vos priva do que tendes em vós de belo e de grande, mas tudo leva à perfeição para a glória de Deus, a felicidade dos homens e a salvação do mundo.
De acordo com alguns jornalistas, os jovens norte-americanos foram os que mais afinaram com o Papa.
Umas poucas e fracas vozes dissonantes tentaram organizar uma reunião paralela para criticar a posição católica em matéria de Moral, mas fracassaram completamente.
Encontro com 100 mil crianças de Primeira Comunhão
Causou especial surpresa o êxito do encontro do Papa Bento XVI com as crianças de Primeira Comunhão, no dia 16 de outubro, na Praça de São Pedro.
Enquanto a previsão era da presença de perto de 10 mil meninos e meninas de Roma, compareceram mais de 100 mil, provenientes de toda a Itália, para alguns instantes de oração e convívio com o Papa em torno da Eucaristia.
Eles o saudaram com uma exclamação uníssona quando viram chegar seu automóvel. O Pontífice percorreu lentamente toda a Praça de São Pedro e um grande trecho da Via della Conciliazione, abençoando esses filhos que o acolhiam com aplausos e cânticos.
Depois o Santo Padre fez-se de catequista, respondendo a várias perguntas que lhe foram apresentadas por sete dos seus pequenos ouvintes.
Quando o Papa tomou o ostensório para lhes dar a bênção do Santíssimo Sacramento, todos eles se puseram joelhos e de mãos juntas, em adoração a Jesus Eucarístico. Uma cena emocionante até para os mais fleumáticos assistentes.
220 mil jovens em peregrinação a pé
Um pouco por toda parte realizaram-se bem-sucedidos encontros de jovens católicos.
Por exemplo, foi um sucesso a Peregrinação Juvenil da Região Pastoral Nordeste da Argentina, que contou com mais de 220 mil participantes, os quais percorreram a pé, durante 15 horas, cerca de 70 quilômetros até a Basílica de Nossa Senhora de Itati.
O evento foi encerrado na Basílica com uma concelebração presidida pelo Bispo de Reconquista, Dom Andrés Stanovnik, e o Bispo de Goya, Dom Ricarfo Faifer, oportunidade em que eles e os peregrinos aderiram à campanha “Um gesto a favor da vida”, assinando um documento contra o aborto.
Congresso Eucarístico Universitário
Teve pleno êxito o Primeiro Congresso Eucarístico Internacional Universitário, realizado de 9 a 13 de novembro, por iniciativa da Universidade Católica de Múrcia (Espanha).
Além do Cardeal Josef Tomko, representante pessoal do Papa Bento XVI, dele participaram como expositores onze Cardeais, numerosos Arcebispos e Bispos, e líderes leigos de diversos países.
A Missa de encerramento contou com a presença de 2500 universitários, e as conferências, realizadas em 60 locais da Diocese de Múrcia, foram assistidas por cerca de 150 mil fiéis.
Esse Congresso, o primeiro a realizar-se em uma universidade, é o marco inicial de muitos outros do mesmo gênero.
A Igreja é sempre santa
A Igreja é una, católica e apostólica. E santa. A cada nova cerimônia de canonização, esse seu aspecto se reafirma como uma das características de sua fundação divina.
Isso se repetiu em 23 de outubro, quando o Papa Bento XVI elevou às honras dos altares Santo Alberto Hurtado Cruchaga (1901-1952), sacerdote chileno, da Companhia de Jesus; São José Bilczewski (1860-1923), Arcebispo de Lvov (Ucrânia).
Também, São Sigismundo Gorazdowski (1845-1920), sacerdote secular, pároco de Lvov (Ucrânia); São Caetano Catanoso (1879-1963), sacerdote italiano; e São Félix de Nicosia (1715-1787), italiano, leigo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.
Em outras datas, em cerimônias presididas por um representante do Papa, foram beatificados 26 servos de Deus: o Cardeal Clemente Augusto Von Galen, Bispo de Münster (Alemanha); Irmã Maria dos Anjos Ginard Martí, José Tapies Sirvant e seis companheiros, oito mártires espanhóis assassinados por ódio à religião em 1936.
Também, Eurosia Fabris, mãe de família; Charles de Foucauld, sacerdote; as freiras Maria Pia Mastena e Maria Crocifissa Curcio; e treze mártires mexicanos, mortos no fim da década de 1920 e início da de 1930.
Uma Igreja alerta e misericordiosa
Onde quer que uma tragédia tenha se abatido sobre o povo, os católicos prontamente se mobilizaram para dar assistência aos necessitados.
Katrina: milhares de católicos voluntários
Para atender as vítimas do furacão, os católicos norte-americanos se mobilizaram com uma rapidez e generosidade sem precedentes, especialmente nos estados de Louisiana, Mississipi e Texas. Milhares de paroquianos se ocuparam da higiene, alimentação e entretenimento dos desabrigados.
Abriram-se as igrejas e as casas para dar abrigo, alimentos, remédios e ajuda econômica aos necessitados. As escolas católicas, além de matricularem gratuitamente as crianças, forneceram refeições, uniformes e material escolar.
Em praticamente todas as dioceses realizaram-se coletas em benefício das vítimas. A Caritas Catholic Charities – pôs à disposição seis milhões de dólares e mobilizou as unidades diocesanas da instituição, que deviam providenciar alojamento.
“Os cristãos foram os primeiros a chegar”
Os cristãos foram os primeiros a chegar para socorrer as vítimas do terremoto que assolou o Paquistão e a Índia em 8 de outubro. As organizações católicas locais se mobilizaram imediatamente.
Voluntários católicos de todo o Paquistão e de outros países acorreram a Islamabad para colaborar nas operações de socorro e assistência às vítimas. Entre esses se destacavam numerosos médicos, enfermeiros, sacerdotes, religiosas e jovens estudantes.
Eles engrossaram as fileiras da Caritas paquistanesa e de outras organizações de inspiração cristã, mobilizadas para fornecer gêneros de primeira necessidade aos desabrigados.
A Caritas organizou campos de refugiados, coleta de alimentos, remédios, tendas e roupas.
A Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECI) marcou sua presença na Cachemira paquistanesa, uma zona distante e de difícil acesso aonde até então não havia chegado ajuda.
A certeza da vitória da Santa Igreja
Dor e alegria, provação e consolação formam a verdadeira perspectiva da vida humana, uma visão tridimensional da existência terrena. Quem puser os olhos apenas na dor e na provação, não conseguirá ter uma ideia objetiva da realidade.
Assim, uma vez que no mundo conturbado de hoje são tão numerosas as notícias catastróficas, fizemos questão de acentuar o conjunto de fatos expostos nestas páginas, os quais constituem uma amostra de que nem tudo vai mal – muito mais ainda, são penhor de um futuro próximo radioso e florescente.
Evitemos, pois, uma visão simplificada e sorumbática da realidade. Ponhamos nosso olhar, com toda a confiança, n’Aquela que é nossa Mãe e Protetora no Céu, pedindo seu poderoso auxílio.
E, ao mesmo tempo, trabalhemos para espalhar, em torno de nós, a certeza da vitória da Santa Igreja Católica sobre todas as adversidades da hora atual. Sirva-nos de lema a frase de nosso Salvador aos Apóstolos: “Não tenhais medo, Eu venci o mundo!” (Jo 16,33).