Nesses “encontros virtuais” entre especialistas das mais variadas nações, são tratados temas tão diversos como: Teologia Moral, Martírio, Matrimônio e Família.

A 27ª sessão abordou um tema de especial interesse para se compreender melhor os carismas dos diversos movimentos eclesiais: “Os fiéis leigos”, cuja íntegra pode ser encontrada em www.clerus.org. Nestas páginas, publicamos alguns trechos selecionados.

Palavras introdutórias: homens do mundo no coração da Igreja

Homens do mundo no coração da Igreja: estes são os fiéis leigos de Cristo, os quais, incorporados a Ele em virtude do Sacramento do Batismo e da Confirmação.

São chamados a ser membros vivos de seu Corpo que é a Igreja e a participar de sua missão no mundo, unidos no mistério de comunhão de Deus com todos os homens.

Neste sentido, eles são também homens da Igreja no coração do mundo, os quais – segundo as palavras do Santo Padre – são

chamados a viver, a testemunhar e a partilhar o poder da Redenção de Cristo no meio de todas as comunidades eclesiais e em todos os espaços da convivência humana: a família, o trabalho, a nação, a ordem internacional.

 

Cardeal Dario Castrillón, Prefeito da Congregação para o Clero.

A plena comunhão com a Igreja, fator indispensável

Por sua própria vocação, compete aos leigos procurar o Reino de Deus cuidando das coisas temporais e ordenando-as segundo Ele.

Vivem no século, empenhados em todos os negócios do mundo, envoltos pelo ambiente no qual se movem a vida familiar e a social. Aí são chamados por Deus a representar o papel que lhes é próprio, e, guiados pelo espírito evangélico, a manifestar Jesus Cristo aos outros.

Assim, o fiel leigo existe e vive como membro do Corpo que é a Igreja. Sua participação na vida eclesial é indispensável à existência da Igreja, mas também à sua identidade e à sua missão de fiel leigo.

Por conseguinte, ele precisa participar ativamente, à sua maneira, da celebração dos sacramento.

Precisa, também, acolher docilmente o anúncio apostó­lico da fé e perseverar no seu esforço de inteligência e de compreensão viva, dando testemunho, na medida que o Espírito Santo lhe concede, vivendo seus dons e encargos em plena comunhão com a Igreja.

Ter suas raízes na Igreja e pertencer a ela, são fatores indispensáveis para o fiel leigo poder cumprir de modo adequado sua missão, pois sua característica específica é precisamente a de estar presente na sociedade.

Sem uma real comunhão com a Igreja universal na realidade concreta de suas diversas expressões particulares, o fiel leigo dificilmente poderá testemunhar sua fé de maneira madura e agir com eficácia no mundo.

E em sentido contrário, sem a presença e a experiência dos fiéis leigos que vivem sua fé na sociedade, a Igreja não pode dar testemunho convincente da verdade do Evangelho como princípio de vida e de salvação do homem.

 

Prof. Alfonso Carrasco Rouco Decano da Faculdade de Teologia São Dâmaso, Madri.

Adesão cordial ao Papa

Alguns traços espirituais são comuns a todos os Movimentos e novas Comunidades eclesiais.

São eles: a adesão cordial ao Papa, testemunhada de modo visível; a oração cristocêntrica e eucarística; uma reavaliação do papel do Espírito Santo na vida dos crentes, o amor e a devoção filial a Maria; o espírito conciliar, sem volta nostálgica ao passado; a comunhão com a Igreja local.

Os frutos eclesiais provenientes dos Movimentos e das novas Comunidades eclesiais são já evidentes: eles mostraram que uma renovação das estruturas não é suficiente para garantir a experiência da fé viva; deram a grandes parcelas do Povo de Deus a possibilidade de receber uma verdadeira evangelização.

Ademais, fizeram reflorescer vocações sacerdotais e religiosas; lançaram e sustentaram numerosas iniciativas eclesiais; deram aos leigos um papel eficaz no encargo da nova evangelização da sociedade, que havia se afastado da Igreja.

Os Bispos devem dar aos Movimentos e às novas Comunidades eclesiais sua justa importância, a fim de proporcionar novo vigor à vida cristã e à evangelização (Diretrizes para os Bispos, 114).

Eles devem reconhecer o direito das associações de fiéis como sendo fundadas sobre a natureza humana e sobre a condição batismal, e acompanhar com um espírito paternal o desenvolvimento associativo, acolhendo com cordialidade os Movimentos eclesiais.

Compete-lhes discernir a autenticidade dos carismas, vigiar para que os estatutos sejam aprovados e tomar em consideração o reconhecimento ou a ereção de associações internacionais, da parte da Santa Sé, para a Igreja universal.

 

Pe. Paolo Scarafoni, Reitor do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum.

Padres e leigos: uma igualdade fundamental e uma diferença essencial

Na Constituição Lumen Gentium, a Igreja inteira aparece como sacramento da salvação do mundo, enquanto Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. Assim, é posta em evidência a igualdade fundamental de todos os cristãos face à vocação salvífica.

Com efeito, a Igreja se apresenta como a comunhão de todos os crentes percorrendo juntos o único caminho da salvação.

É sobre esses fundamentos que repousa toda a organização interna da Igreja, composta da Hierarquia e dos fiéis leigos com serviços, missões e carismas diferentes.

O leigo não é simplesmente “aquele que não é padre”, mas o homem ao qual Deus se dirige através da Palavra e dos Sacramentos.

Através da Palavra, o fiel leigo insere-se na Igreja; e, participando da vida eclesial e sacramental, ele entra em comunhão com Deus.

Não se trata, aqui, como no tempo da reforma protestante, de recusar a distinção essencial entre sacerdotes e fiéis leigos. Entre eles, não há uma diferença de grau em suas maneiras de serem cristãos.

Mas o padre é um cristão que – seguindo com uma igualdade constante um caminho pessoal de salvação – recebeu de Cristo, pela ordenação sacerdotal, um encargo particular e uma missão autorizada que são constitutivas de toda a vida da Igreja.

O Concílio desenvolve a imagem paulina do Corpo do Cristo, cujos membros desempenham diferentes funções, segundo os carismas conferidos pelo Espírito Santo, em vista da construção da Igreja.

O sacerdócio é um dos numerosos carismas concedidos pelo Cristo, Senhor da Igreja, e pelo Espí­rito Santo, Dispensador da vida na Igreja.

 

Dom Gerhard Ludwig Muller, Bispo de Regensburg (Alemanha).

Palavras conclusivas: Promover e sustentar a santidade dos leigos

Compreendemos, assim, quanto a santidade dos leigos pode ser sustentada e promovida pelos Movimentos e novas Comunidades eclesiais, que são respostas providenciais da criatividade vivificante do Espírito Santo e do Cristo para as situações cambiantes nas quais se encontra a Igreja.

Disse o Santo Padre:

A Igreja necessita, sobretudo, de grandes correntes, movimentos e testemunhos de santidade entre os fiéis, porque é da santidade que nasce toda autêntica renovação da Igreja, todo enriquecimento da compreensão da Fé e do seguimento de Cristo.

 

Cardeal Dario Castrillón, Prefeito da Congregação para o Clero.