Para atender as vítimas do furacão, os católicos norte-americanos se mobilizaram com uma rapidez e generosidade sem precedentes.
A história de John Tieperman – diretor executivo de um asilo de 300 anciãos mantido pela Arquidiocese de Nova Orleans – é apenas uma bela mostra dessa atitude.
Quando tomou conhecimento da chegada do temido tufão, Tieperman providenciou imediatamente a transferência de todos os anciãos, muitos em precário estado de saúde, para refúgios temporários nas igrejas da vizinha cidade de Baton Rouge.
Ali, centenas de paroquianos voluntários se ocuparam de sua higiene, alimentação e entretenimento. Quatro dias depois, todos foram transferidos para abrigos mais adequados no estado de Louisiana.
Onda de ajuda em todo o país
Nas dependências da Paróquia de São Pedro Claver, em Houston, alojaram-se mais de 200 desabrigados. No dia 30 de agosto, o pároco, Pe. Rawlin Enette, recebeu um apelo da Cruz Vermelha para recebê-los e deu pronta resposta: “Pode trazer!”
Os paroquianos organizaram-se muito rapidamente. “Nunca antes havia assistido a uma tal profusão de caridade como a que vi quando chegaram os refugiados”, declarou o Pe. Enette.
O mesmo aconteceu em paróquias e organizações católicas de todo o país, especialmente dos estados de Louisiana, Mississipi e Texas. Abriram-se as casas e as escolas para dar abrigo, alimentos e remédios aos necessitados.
A Diocese de Shreveport (LA), não só aceitou um grande número de refugiados, mas prontificou-se a receber gratuitamente nas escolas diocesanas todas as crianças vitimadas pelo furacão.
Também no Texas, as escolas católicas estão abrindo as portas às crianças desabrigadas. As igrejas locais lhes dão alimentação, assistência médica e ajuda econômica.
No centro paroquial de Winnie – pequena cidade de apenas cinco mil habitantes – a Sociedade São Vicente de Paulo aloja e alimenta centenas de refugiados.
No estado de Arkansas, as paróquias ajudam os fiéis que acolhem refugiados em seus lares. As escolas católicas, além de matricularem gratuitamente as crianças, lhes fornecem refeições, uniformes e material escolar.
Em praticamente todas as dioceses norte-americanas se realizaram coletas em benefício das vítimas do Katrina, possibilitando ajuda de emergência em grande escala.
A Cáritas nos Estados Unidos – Catholic Charities – desde os primeiros dias de emergência pôs à disposição seis milhões de dólares.
E mobilizou as unidades diocesanas da instituição a procurarem moradias para alojarem dignamente as pessoas que foram evacuadas das zonas arrasadas pelo Katrina.
Enviado especial do Papa
O Santo Padre Bento XVI enviou como seu legado especial o Arcebispo Paul Josef Cordes, presidente do Pontifício Conselho Cor Unum (Um só Coração), com a missão de levar às populações vitimadas a solidariedade do Vigário de Cristo, junto com uma ajuda material.
Dom Cordes chegou à região no dia 10 de setembro, manteve contato com as autoridades eclesiásticas e com o Governador da Louisiana.
No dia seguinte, visitou os refugiados em Baton Rouge e presidiu na Catedral dessa cidade uma solene Eucaristia na intenção das vítimas do furacão e também de todas as vítimas do ato terrorista de 11 de setembro de 2001.
Na homilia, o Arcebispo convidou os católicos a refletirem sobre a dimensão religiosa dos acontecimentos, inclusive dos mais tristes e catastróficos, e que a secularização nos engana ao separar a fé da vida cotidiana, pois a fé tem de iluminar cada momento que vivemos.
Deus, de fato, acompanha-nos sempre, também nos momentos mais obscuros, ainda que não o entendamos.
Esta missão do enviado do Papa, além de levar às populações atingidas pela catástrofe a manifestação da proximidade, espiritual e material de Bento XVI, teve por objetivo também encorajar as organizações católicas que se empenharam nos socorros de emergência a que contribuam agora na reconstrução – segundo informação do VIS, serviço noticioso do Vaticano.