Entrevista com o Dr. Francisco José do Nascimento

A Igreja deve a São Francisco de Assis a ideia de formar uma Ordem Terceira.

Corria o ano de 1221. Ele e seus discípulos pregavam em várias regiões da Itália, convertendo a uma vida de penitência inúmeras pessoas que – já casadas – não podiam ingressar nos conventos da Ordem Primeira (dos frades), nem da Ordem Segunda (das Freiras), mas queriam progredir na linha da perfeição.

São Francisco, então, adaptou suas “Regras de Vida” para os leigos que, permanecendo na sociedade temporal, desejavam viver segundo o espírito franciscano.

Assim nasceu a Ordem Terceira Franciscana. Vendo os bons frutos dessa nova instituição, as outras ordens religiosas passaram também a admitir fiéis leigos em seus grêmios.

Uma multissecular instituição de leigos

Aprovada pelo Papa Nicolau V em 1442, a Ordem Terceira Carmelita logo se espalhou por todo o mundo. Para essa expansão, muito contribuiu a devoção ao Escapulário do Carmo. 

Entrevistado pela revista Arautos do Evangelho, o advogado Francisco José do Nascimento – prior da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, de São Paulo – dá interessantes informações sobre essa multissecular instituição de leigos católicos.

Arautos do Evangelho: Pode dizer algo sobre a finalidade específica da Ordem Terceira?

Dr. Francisco José do Nascimento: Congregar pessoas que não têm condições de viver numa comunidade religiosa – de padres ou de freiras – mas procuram efetivamente um aperfeiçoamento da fé cristã, estão em busca da perfeição, segundo o espírito da Ordem Carmelita.

AE: Como ela se estrutura?

FJN: Basicamente, cada sodalício tem um prior, uma priora e uma Mesa Administrativa. Nós, os leigos, é que realmente dirigimos o sodalício. Nossa vida temporal é toda por nós conduzida. Mas temos um sacerdote, que é o assistente espiritual. 

AE: Há nela algo especial para atrair os jovens?

FJN: A Ordem Terceira do Carmo é uma das poucas que ainda mantêm o uso do hábito nas celebrações litúrgicas. O jovem aprecia muito isso. Nossa própria igreja – com 372 anos – possui obras belíssimas e é muito visitada por jovens universitários que gostam de apreciar aquele esplendor. 

AE: Quais os requisitos para ser terceiro carmelitano? 

FJN: Preliminarmente, sem sombra de dúvida, o conhecimento mínimo da fé cristã. O candidato precisa ser apresentado por dois membros do sodalício.

Depois ele passa por duas etapas de prova: o Postulantado e o Noviciado, ambos com um ano de duração. Durante esse período ele participa das celebrações litúrgicas e das reuniões de formação, e é analisado para ver se tem condições de fazer a Profissão.