Manhã fria, enevoada, tímidos raios de sol começam a iluminar o panorama, despertando a natureza.

Toca o sino na Casa dos Arautos do Evangelho.

Todos se levantam e começam a preparar-se para mais um dia de cumprimento do mandado recebido do Papa João Paulo II, no dia de sua aprovação pontifícia: “Anunciem corajosamente, pelo mundo inteiro, a Cristo Nosso Senhor. Sede mensageiros do Evangelho pela intercessão do Coração Imaculado de Maria”.

Seus jovens corações palpitam mais forte. Hoje não estarão animando a Eucaristia em alguma grandiosa catedral, nem se apresentando em algum palácio presidencial ou famoso teatro.

Uma vez mais, irão à favela levar uma mensagem de fé e esperança aos mais pobres e necessitados.

Além do auxílio material e da palavra amiga, querem dar a esses seus irmãos, tantas vezes esquecidos pelos homens, uma preciosa ajuda espiritual: a manifestação de Deus através da beleza, que é o esplendor da verdade e do bem.

Função social da beleza

“A beleza salvará o mundo”, disse o Papa João Paulo II na Carta aos Artistas.

E ao conhecido coral “Pueri Cantores” dirigiu em 31 de dezembro de 1999 estas palavras de incentivo: “A linguagem da beleza chega aos corações e contribui para o encontro com Deus. A alegria que transmitis ao cantar deve irradiar-se em torno de vós, e suscitar um entusiasmo contagioso”.

O belo também tem uma função social. Todos, pobres ou ricos, têm direito a esse excelente meio de elevar-se a Deus. Deve ele, pois, espargir seus benefícios em todos os ambientes, desde os magníficos templos e luxuosos salões, até o mais precário barraco de um morador de favela.

“Quero batizar meus oito filhos”

De norte a sul do país, os Arautos são sempre recebidos festivamente nesses redutos onde, com frequência à carência dos recursos materiais se soma a privação dos bens espirituais.

Muitos moradores se emocionam ao verem os Arautos penetrarem em sua pobre residência.

Quando chega a imagem peregrina, desfazem-se em comovedoras manifestações de surpresa, encanto e gratidão. “Que milagre! Nunca pensei que fosse encontrar os Anjos aqui dentro!”, disse um homem idoso na Favela do Vintém, no Recife.

Aquelas fisionomias marcadas pela dor e pelo drama revelam tantas vezes a nobreza de alma de quem sabe reconhecer que depende de auxílio divino para superar seus problemas nesta terra e, sobretudo, alcançar a recompensa na eternidade.

Desabafou Maria Albina, na Favela Heliópolis, em São Paulo:

Você não calcula como foi importante esta visita de Nossa Senhora! Ela chegou no momento em que eu estava realmente precisando. Recebi muita força vendo o olhar d’Ela. Aquele desânimo foi substituído pela presença de Maria!

Numerosos são os que, nessas ocasiões, decidem regularizar sua situação religiosa: “Quero casar-me na Igreja”, disse uma senhora na Favela do Vintém, no Recife. Ao que outra ao lado completou: “E eu quero batizar meus oito filhos”.

“Vocês mudaram a minha vida!”

Numa favela de Jundiaí, os Arautos colheram este belo testemunho:

Diogo, desempregado, aflito para sustentar a família, enveredou pelas vias do crime. De noite, assaltava, mas sua consciência o censurava. De dia, procurava emprego.

Certa feita, encontrou no chão um folheto largamente difundido pelos Arautos, no qual se destacava esta frase: “Você quer ter paz? Reze o terço todos os dias”. Encomendou o terço e passou a rezá-lo.

A partir daí, tudo dava errado com o seu bando de assaltantes, de modo que resolveu abandonar aquela vida e fez o propósito de nunca mais roubar. No dia seguinte, conseguiu emprego e hoje é muito agradecido a Nossa Senhora e aos Arautos.

Fato semelhante ocorreu na Favela do Jardim Ângela, uma das regiões mais violentas da Capital paulista:

Valdinho era um dos chefes de criminosos no bairro. Um dia resolveu encomendar um terço. Passou a rezá-lo. Logo teve forças para abandonar o pecado e conseguiu um trabalho honrado. “Vocês mudaram a minha vida!” – confidenciou ele, emocionado.

E na Favela Heliópolis, em São Paulo, Susiane dos Santos comentou:

Hoje a gente precisa realmente deste sustento espiritual, porque aqui vemos acontecer tanta coisa… Nem sempre as pessoas vão à Igreja, e o trabalho de vocês vem nos chamar a uma maior dedicação à Religião.

Oratório, uma luz na favela

Em diversas favelas peregrinam de casa em casa os Oratórios do Imaculado Coração de Maria, levando alento às famílias e fazendo de cada lar uma verdadeira “igreja doméstica”.

Na Favela paulistana do Sapé, uma senhora não-católica, muito aflita, passando pela casa de uma vizinha notou que uma luz especial saía da pobre moradia. Curiosa, bateu à porta. Lá encontrou o Oratório do Imaculado Coração de Maria. Rezou. Hoje é católica fervorosa.

São Paulo – Sapé e Chiclete

Dia de festa na Favela do Sapé, zona oeste da Capital paulista: as crianças acolhem com entusiasmo a imagem peregrina do Imaculado Coração de Maria, e se incumbem de guiar os arautos pelas ruelas. Todas queriam levar a imagem à sua casa.

“Chegaram os homens de Deus”, bradou uma mulher, ao ver os Arautos à entrada da Favela do Chiclete, na Granja Viana, região de Cotia. E um senhor suplicou: “Rezem por mim, por favor! Não preciso de comida. Quero ter paz!”

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, por diversas vezes os Arautos percorreram os becos e ruelas das conhecidas Favelas da Rocinha, do Vidigal, do Alemão, do Pavãozinho e do Cantagalo, sempre acolhidos com alegria pelos moradores.

Nesta última, promoveram durante dois anos – em parceria com a Paróquia de Nossa Senhora de Copacabana e a Fundação Cesgranrio – o Projeto Semear, de amparo a jovens carentes em situação de risco. E em breve, será iniciado outro projeto semelhante.

Salvador

É animador constatar como a Mãe de Deus prepara às vezes as almas para receberem sua visita.

Em Salvador-BA, na Favela Novo Horizonte, Da. Lindomar acordou contente, pois à noite havia sonhado que estava coroando uma imagem de Nossa Senhora.

E não se conteve de emoção quando, poucas horas depois, os Arautos em Missão Mariana na favela onde reside convidaram-na a coroar a imagem do Imaculado Coração de Maria.

Recife

No bairro recifense de Casa Forte, situa-se a Favela do Vintém, um conjunto de palafitas às margens do Rio Capibaribe.

Os moradores acolheram com entusiasmo os Arautos que lá chegavam para um dia de intensa atividade evangelizadora.

“Há três meses estava desempregado, e pedia a Nossa Senhora para me ajudar. Acabo de receber a notícia de que consegui emprego, e Nossa Senhora vem me fazer esta visita!” – exclamou, feliz, Benedito Silveira.

Maceió – Ajuda às vítimas das enchentes

No início deste ano, muitas famílias ficaram desabrigadas, em situação dramática, vítimas das enchentes ocorridas em várias regiões do Nordeste.

Nessa emergência, os Arautos de Maceió – com o apoio de Dom José Carlos Melo, Arcebispo Metropolitano – promoveram a campanha de coleta de doações “Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos”.

Em poucas semanas foram arrecadados mais de 1000 pares de calçados, 15000 peças de roupa e 180 cestas básicas, além de muitos outros produtos.

A distribuição desses bens foi realizada na cidade alagoana de Marimbondo, uma das mais atingidas pelas chuvas. Em nome dos flagelados, o pároco, Pe. Cícero, agradeceu a todos que colaboraram na campanha.

Redijo esta reportagem transportado de emoção, alegria e gratidão pois, eu mesmo, na minha cidade de Maputo (Moçambique) fui objeto dessa caridade dos Arautos.

Hoje estou recebendo formação em São Paulo e, ao retornar à minha terra, farei por meus compatriotas tudo o que estiver ao meu alcance, segundo aprendi nesta bendita escola de amor a Deus e aos homens, que são os Arautos do Evangelho.