Repleta de Graças, gratia plena, em latim. Por que ter escolhido este nome na parte mais central de nossa reflexão? Porque n’Ela encontramos a beleza do “todo no fragmento”, retomando outro título do grande mestre suíço [Hans Urs von Balthasar].
O todo – ou seja, Deus, a Igreja, a família – numa mulher preservada de toda mancha original, perfeitamente transparente do amor divino, coroada de estrelas em meio às dores do parto da vida eterna em nós.
Uma mulher, Maria de Nazaré, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, que vive em nós, seus filhos, e derrama em nós sua beleza incomparável.
Beleza de Maria, beleza de ser cristãos na união com Ela, porque aquilo que Ela possui como privilégio único, Ela esparge integralmente sobre nós, por sua perfeita correspondência ao Espírito trinitário que A habita.
O Espírito Santo é em Deus a Glória do Amor (São Gregório de Nissa). Ele Se dá e Se eclipsa entre o Pai e o Filho para glorificar seu mútuo amor.
Assim Maria, a Filha de Sion, vive na unidade da Igreja, em pericorese com o povo de Deus, desde que Ela foi elevada à categoria de Esposa do Cordeiro por sua permanência de pé junto à Cruz.
Maria compartilhou então profundamente, na noite da Fé, o abandono do Filho de Deus, tornando-se, assim, associada a esse abandono e, em consequência, fecunda n’Ele e por Ele de todas as graças que procedem da Cruz e se derramam sobre as almas.