Nas Sagradas Escrituras, as ocasiões de grandes favores divinos eram não raro precedidas por mensageiros extraordinários. Três anjos visitaram Abraão no deserto, comunicando-lhe que sua esposa Sara conceberia um filho.
Séculos mais tarde, o grande profeta Samuel foi até a pequena Belém para ungir o futuro rei David, e por fim, na aurora do Novo Testamento, o próprio Arcanjo Gabriel desce à terra e anuncia a Maria Santíssima a maternidade do Messias.
Não deixa de ter analogia com os mencionados episódios bíblicos a visita do Eminentíssimo Cardeal Franc Rodé – Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica – aos Arautos do Evangelho, no mês de maio.
Pois, sem dúvida, o ilustre visitante esteve, à semelhança daqueles benditos episódios, associado às abundantes graças derramadas sobre a instituição nesses dias.
Cerimônia de ordenação na igreja do seminário
A primeira dessas graças foi a inauguração da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Seminário dos Arautos, a qual, embora inacabada sob vários aspectos, serviu entretanto como digno marco para a solene cerimônia presidida pelo Cardeal.
Assim, em 20 de maio, nela foram ordenados presbíteros os arautos Alex Barbosa de Brito, Aumir Antonio Scomparin, Hamilton José Naville, Isoldino José Quintão e Silva, Jorge Irving Jordan Vargas, José Alfredo Jordan Vargas, José Mário da Silva e José Roberto Polimeni; e diáconos, David Edward Ritchie, Katsumassa Sakurata, Luiz Alexandre de Souza, Mário Sérgio Sperche e Mauro Sérgio da Silva Izabel.
As palavras do Cardeal
E se a presença do Cardeal entre os Arautos do Evangelho marcou profundamente a história dessa instituição.
Também Sua Eminência soube ver nesses dias de convívio a presença de Deus, que ele sintetizou nas palavras pronunciadas quando, ao fim da cerimônia litúrgica, lhe foi entregue como presente de despedida um belo cálice:
Queridos irmãos e irmãs:
“Haec est dies quam fecit Dominus, exultemus et laetemur in ea!” – Este é o dia que o Senhor nos fez: Alegres exultemos por ele! (Sl 117, 24).
Vivemos hoje um grande, um belo, um maravilhoso dia, nesta ordenação diaconal e sacerdotal.
Meus sentimentos e minhas emoções não encontram palavras adequadas para expressá-los.
Eu vejo aqui, neste grande, imenso país que é o Brasil, uma fé viva, uma fé que transporta as montanhas, uma fé profundamente arraigada no coração do Pe. João e no coração dos Arautos do Evangelho.
Isso é o que a Igreja hoje necessita: esse amor ao Senhor, esse amor à Igreja, esse amor e fidelidade ao Santo Padre.
Obrigado, Pe. João, obrigado aos Arautos do Evangelho, à Sociedade de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli, por este testemunho que dão ao mundo inteiro, com a fé que os anima.
Tudo o que surgiu aqui tem todas as aparências de um milagre. E este milagre nasce de corações cheios de amor de Deus, e cheios de fé. Seja esta a lição deste dia, para todos nós.
Felicito os neo-sacerdotes e os diáconos, e, sobretudo, agradeço de coração ao Pe. João, por me ter convidado, e aos senhores cardeais, arcebispos e bispos, para esta manifestação magnífica de fé, nesta terra bendita do Brasil.
E obrigado pelo presente que levo a Roma. Lembrar-me-ei de todos, durante o Sacrifício eucarístico e em todas as minhas orações. Muito obrigado!
A presença de Sua Eminência durante os dias nos quais esteve entre nós, foi motivo de grande edificação para todos.
Suas palavras e seu exemplo tornaram os Arautos ainda mais cientes de que por si mesmos pouco valem, e é da estreita união com o Papa e da fiel execução de suas sábias orientações que lhes vêm forças para o apostolado e bênçãos para os empreendimentos.
Com efeito, mostrando ser experiente pastor de almas, o augusto visitante soube marcar a fundo nos corações esta tão expressiva verdade evangélica: o ramo por si mesmo nada pode, mas se permanecer na videira, dará frutos em abundância (cf. Jo 15, 1-8).