Quando os vendavais da Revolução Francesa varreram a França, destruíram também a Abadia de Cluny. Entre seus monges, brilharam ainda alguns mártires guilhotinados nos trágicos dias do Terror.
No dia 25 de outubro de 1791, as pedras da grandiosa igreja construída por Santo Hugo fizeram ecoar pela última vez o canto suave de seus monges, durante a celebração da Missa.
Logo após, o imóvel foi loteado e vendido pelo Estado francês, e a igreja abacial foi demolida, ao longo das duas décadas seguintes.
Quem hoje visita o que resta da outrora magnífica Abadia de Cluny, encontra apenas algumas ruínas, a par de alguns edifícios reconstruídos em parte, que testemunham o inapreciável legado dessa instituição para a Igreja e para o mundo.
De uma enlevada visão do universo floresceram naturalmente, como de uma fonte de água viva, as artes da pintura e da escultura, e requintou-se a maravilha policromada dos vitrais.
O solo do Velho Continente sentiu-se sacudido por uma força irresistível que suscitou na sociedade um fenômeno contagiante, renovando todos os degraus da escala humana.