Nas últimas décadas, a Igreja Católica vem se preocupando com a diminuição proporcional do número de seus fiéis no mundo.
Várias tentativas de solução do problema, levadas a cabo em âmbito local ou nacional, não foram inteiramente bem-sucedidas, embora tenham produzido apreciáveis resultados.
A voz do Papa: “É necessária uma nova evangelização”
O saudoso Papa João Paulo II enfrentou corajosamente esse desafio.
Na Encíclica Redemptoris missio, de 1990, ele expôs com clareza a situação verificada em quase todo o mundo católico: “Grupos inteiros de batizados perderam o senso vivo da Fé ou, inclusive, não mais se reconhecem como membros vivos da Igreja, e levam uma existência afastada de Cristo e de seu Evangelho”.
E afirmou: “Neste caso, é necessária uma nova evangelização ou reevangelização”.
Em diversas outras oportunidades, tanto João Paulo II como agora Bento XVI conclamaram as forças vivas do Catolicismo a se lançarem num trabalho missionário com os batizados não-praticantes, isto é, na obra da Nova Evangelização.
E seus reiterados apelos abriram novas perspectivas em todo o orbe católico.
Na Assembleia Especial do Sínodo para a Europa, em outubro de 1999, o então Arcebispo de Gênova (hoje de Milão), Cardeal Tettamanzi, acentuou: “Na Europa de hoje, a prioridade não é ‘batizar os convertidos’, mas sim ‘converter os batizados’”.
A CNBB lançou em outubro de 2003 o Projeto Nacional de Evangelização Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida – aprovado para o quatriênio 2004-2007 – com o qual visa proporcionar a todos os batizados um conhecimento mais completo e uma experiência mais profunda da Fé Cristã.
A diretriz de Dom Cláudio Hummes: visitas missionárias domiciliares
No mesmo sentido, o Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, lançou em 2004 um programa de evangelização cujo primeiro objetivo é procurar o fiel em sua casa.
Portanto, bater de porta em porta. Como resultado dessa iniciativa, mais de 1500 grupos de missionários percorrem as ruas da capital paulista, levando a incontáveis lares uma mensagem de Fé, amor e solidariedade.
E no recente Sínodo dos Bispos, Dom Cláudio, fazendo notar a acentuada diminuição do número de católicos nos países latino-americanos, salientou que “a resposta da Igreja do Brasil são, em primeiro lugar, as missões, compreendidas as visitas missionárias domiciliares permanentes”.
É o que todo católico deve fazer. É, por sinal, o que vêm fazendo os Arautos do Evangelho nos últimos anos, e sua experiência comprova como são bem acertadas essas diretrizes de nossos Pastores.
Missões Marianas: mutirões missionários dos Arautos
No caso dos Arautos, como começou esse tipo de apostolado?
Em outubro de 2001, um sacerdote cheio de zelo – o Pe. Eugênio Luís Berti, da Igreja Matriz de São João Batista, em Atibaia-SP – encontrava-se com muita dificuldade em atrair os fiéis dessa paróquia que assumira havia pouco.
“O povo estava bastante desanimado […]. A participação na Missa e em outras atividades estava muito fraca, várias pessoas chegaram a afastar-se da Igreja e a ingressar em seitas”, diz ele.
Entre outras medidas, o Pe. Eugênio pediu uma colaboração dos Arautos do Evangelho. Pedido feito, pedido atendido.
Ocorreu, então, ao Pe. João Clá Dias experimentar uma nova modalidade de evangelização: levar a imagem do Imaculado Coração de Maria de casa em casa, incluindo estabelecimentos comerciais, escritórios, etc. Bater à porta e dizer: “Nossa Senhora quer visitar sua casa, você quer recebê-la?”
Assim, no dia 19 de outubro desse ano, lá se lançaram mais de 200 Arautos, moças e rapazes, pelas ruas daquela simpática cidade paulista.
Ver a imagem da Virgem percorrer as ruas de porta em porta causou inicialmente nos habitantes uma grande surpresa, logo seguida de profunda emoção e alegria.
Em todas as casas os moradores eram convidados para a Missa ao anoitecer daquele dia na igreja matriz, ocasião em que seria realizada uma cerimônia de coroação da imagem de Nossa Senhora, animada pelo Coro e Orquestra dos Arautos.
E operou-se um verdadeiro milagre da graça: num dia de semana, a igreja ficou lotada de tal maneira que muitas pessoas se resignaram a assistir do lado de fora, na praça, apesar da forte chuva.
“Uma grande renovação espiritual em nossa paróquia”
A partir desse dia, para sua felicidade, o Pe. Eugênio não teve mais descanso, tal o número de fiéis que passaram a lhe pedir os Sacramentos. Conta ele:
Essa Missão Mariana resultou numa grande renovação espiritual de nossa paróquia e de grande parte da cidade.
Muitas pessoas que havia anos não iam à igreja voltaram a frequentar a comunidade paroquial; outras que tinham passado para outras religiões voltaram à Fé de sua infância.
Participantes de “grupos de casais”, tocados pela graça, abriram-se para contar seus dramas familiares e para pedir auxílio; cresceu a estima e respeito pela Igreja e pelo clero entre a população.
As pessoas me param na rua e comentam: “Padre, que coisa maravilhosa! E essa imagem tão linda de Nossa Senhora… Tudo isto foi de tocar o coração!”
Naquele dia em Atibaia, os Arautos puderam comprovar quanto é verdade que Maria é a Estrela da Nova Evangelização!
E assim passaram a realizar mutirões evangelizadores, que ficaram conhecidos como “Missões Marianas”, em todos os países onde exercem suas atividades apostólicas.
Como resultado dessas missões, cita-se o aumento da frequência à igreja, o maior engajamento dos fiéis nas atividades paroquiais, a regularização de uniões, a participação das crianças nos grupos de catequese, o aumento do número de dizimistas e a formação de grupos do “Apostolado do Oratório”.
No caso do Brasil, desde 2004 os Arautos procuram exercer tais atividades em estreita união com o Projeto Nacional de Evangelização da CNBB.
Arautos de Maria: a evangelização querigmática
No Brasil e no Chile foram constituídas unidades móveis compostas em geral de 20 pessoas, os Arautos de Maria, que, como missionários permanentes, percorrem dia após dia os mais distantes rincões desses países, dedicando-se à evangelização querigmática onde quer que sejam chamados.
De modo geral, cada missão se inicia na segunda-feira e termina no domingo. Todas as manhãs, esses Arautos coordenam uma cerimônia de Adoração ao Santíssimo Sacramento na igreja paroquial, partindo em seguida para as visitas.
Vão de porta em porta, levando a residências, conventos, escolas, hospitais, orfanatos, asilos, estabelecimentos comerciais, fábricas, presídios, repartições públicas, etc., o conforto espiritual e a paz por meio da bela imagem do Imaculado e Sapiencial Coração da Virgem de Fátima.
No fim de cada dia, animam a Missa vespertina, com cortejo de entrada, cânticos e outras formas de solenização.
Toda missão se encerra com uma Missa na qual é feita a solene coroação de Nossa Senhora. A igreja sempre fica repleta de fiéis, sendo ocasião de muitas graças, inclusive de numerosas conversões.
Nessa ocasião faz-se a bênção dos Oratórios que são entregues aos coordenadores dos grupos de famílias e que, peregrinando pelos lares, prolongarão na paróquia os bons efeitos da missão.
No Crato, o mutirão missionário “marcou a história do Santuário”
Uma das mais recentes dessas missões realizou-se na cidade do Crato-CE, de 8 a 20 de outubro, em estreita colaboração com o Pe. Francisco Edmilson Neves Ferreira, pároco da Catedral.
Além dos objetivos habituais, visava ela colaborar na preparação da visita pastoral missionária do Bispo diocesano, Dom Fernando Panico, e nas comemorações do 91º aniversário da Diocese.
No final, o Pe. Edmilson deu de público seu depoimento:
Foram dias de intensas e belas liturgias que encheram nossos olhos e elevaram nossos corações a Deus. Nesses dias, quis a Providência abençoar o lema de nosso bispo: “Corações ao alto!” Aos Arautos do Evangelho, dizer muito obrigado é pouco.
Que Deus lhes pague o testemunho de amor a Cristo, o testemunho de amor a Maria, o testemunho de fidelidade e exemplo pela Igreja… pudemos contemplar a missão de missionários estampada em vossas almas…
Obrigado por poder presenciar o rosto jovem e o zelo missionário! Está marcada a história do Santuário!
Também Dom Fernando dirigiu aos jovens missionários palavras de agradecimento e de estímulo:
Esta missão dos Arautos do Evangelho nesta cidade, no mês do Rosário da Mãe de Deus e da Visita Pastoral, seja fermento.
Que os Arautos do Evangelho façam ressoar a trombeta da convocação de Deus para formarmos um só povo, um só corpo, o Corpo de Cristo, a Igreja Santa, a alegria neste mundo, a alegria da chegada da misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Jesus e a Maria, os nossos agradecimentos hoje e sempre. Amém!
Aproximando os católicos dos Sacramentos
Em seu périplo por este imenso Brasil, os missionários permanentes dos Arautos têm-se deparado com uma enorme ignorância religiosa entre os católicos.
Um dos temas mais desconhecidos é o da necessidade de receber os Sacramentos. Por isso, eles se empenham especialmente em explicar aos seus ouvintes o seu significado e vital importância para nossa salvação, e urgi-los a deles se beneficiarem.
Em seguida tomam os nomes e endereços de todos os que manifestam desejo de receber algum Sacramento e entregam a lista ao Pároco local.
Eis o resultado de 11 dias de missão na Paróquia da Catedral de Nossa Senhora da Penha, no Crato: 31 pessoas foram encaminhadas para receber o Batismo, 44 para a Primeira Comunhão, 112 para a Confirmação e 61 para a Unção dos enfermos. Significativamente, 29 casais em situação irregular dispuseram-se a receber o Matrimônio.
Incentivando a “igreja doméstica”
Diariamente, pelo mundo afora – em São Paulo, no Porto, em Bogotá, Miami, Roma, Londres, Madri, Toronto, Maputo, Santiago do Chile, e em muitas outras cidades de todos os tamanhos, em todos os continentes – duplas de Arautos levam uma imagem do Imaculado Coração de Maria para visitar os lares.
Nessas ocasiões os moradores convidam parentes, amigos e vizinhos para uma prece em comum, reunindo na casa com frequência 20, 30 e às vezes até mais pessoas.
Os Arautos convidam a dona da casa para coroar a imagem de Nossa Senhora, conduzem uma reflexão sobre um trecho do Evangelho, e fazem uma pequena palestra sobre a devoção a Maria, a missão dos católicos no mundo de hoje e a importância da participação na vida paroquial.
Depois todos rezam um terço do Rosário. Por fim, é a hora da conversa, longa e animada.
O testemunho de uma senhora de Piranema-RJ demonstra como são queridas essas visitas:
Quando você me escreveu avisando sobre a visita dos missionários, todos em casa ficamos aguardando ansiosos, imaginando como seriam. Graças a Deus, eles passaram a fazer parte da nossa família. Nós nos tornamos mãe e filhos.
Eles trouxeram a imagem de Nossa Senhora de Fátima e fizemos uma linda coroação. Convidei os vizinhos, o Padre e minhas irmãs. Foi um dia maravilhoso.
Repercussões como essa chegam diariamente ao escritório central dos Arautos do Evangelho.
O apostolado dos Arautos Sacerdotes
Desde sua ordenação, em junho último, os 15 arautos sacerdotes têm-se desdobrado para atender aos inúmeros pedidos, tanto da parte de Bispos, como da de párocos e dos fiéis, seja no Brasil como na Colômbia, Espanha, Equador, Portugal, Alemanha, Costa Rica, Nicarágua e outros países.
Especialmente se dedicam a reconciliar ex-católicos com a Igreja, atender confissões, dispensar a Unção dos Enfermos, aconselhar casais, realizar batizados. Na Catedral Metropolitana de São Paulo, um grupo de padres arautos atende confissões semanalmente.
Apostolado do Oratório: “Abra a porta de sua casa a Maria”
Cerca de 400 mil famílias recebem regularmente em seus lares o Oratório do Imaculado Coração de Maria. Nessa ocasião, convidam parentes, vizinhos e amigos para rezar em conjunto e ler um trecho do Evangelho.
Desejosos de proporcionar aos outros os benefícios que receberam, numerosos participantes desse Apostolado partem também para a missão de casa em casa, ensinando as pessoas a rezar o Rosário e procurando trazer de volta à vida eclesial os católicos não-praticantes.
Promovido pelos Arautos do Evangelho em 57 países – sob o sugestivo lema Receba Maria em sua casa, para que Ela o receba depois no Céu! – essa peregrinação do Oratório de lar em lar tem sido ocasião de graças impressionantes. Famílias inteiras se convertem ao Catolicismo ou retornam à prática religiosa.
O Apostolado do Oratório do Imaculado Coração de Maria é mais uma das atividades em que os Arautos do Evangelho podem verificar o acerto do Projeto Nacional de Evangelização da CNBB, ora em curso.
E ele tem-se revelado um poderoso instrumento de reafervoramento também das comunidades paroquiais. “Já cheguei a celebrar Missa para apenas cinco pessoas. Agora, depois do Apostolado do Oratório, a igreja está sempre cheia”, testemunha o Pe. Emerson, de São Francisco de Itabapoana-RJ.
Dia de festa na favela: “Chegaram os homens de Deus!”
A mensagem do Evangelho deve chegar a todos, indistintamente. Assim têm feito os Arautos em relação aos menos favorecidos da sociedade.
Além do auxílio material e da palavra amiga, querem dar a esses seus irmãos, tantas vezes esquecidos pelos homens, uma preciosa ajuda espiritual: a manifestação de Deus através da beleza, que é o esplendor da verdade e do bem.
Os arautos são sempre recebidos festivamente nesses redutos onde, à carência dos recursos materiais, soma-se a privação dos bens espirituais. “Chegaram os homens de Deus!”, bradou uma moradora da Favela do Chiclete, região de Cotia-SP.
Muitas pessoas se emocionam ao ver aqueles jovens – moças e rapazes com seus vistosos hábitos – penetrarem em suas pobres moradias.
Diante da imagem peregrina de Nossa Senhora, desfazem-se em comovedoras manifestações de surpresa, encanto e gratidão. “Que milagre! Nunca pensei que fosse encontrar os anjos aqui dentro!”, exclamou um morador da Favela do Vintém, no Recife-PE.
Hoje, como outrora, é missão dos cristãos ajudar os outros a se aproximarem de Jesus e a terem com Ele um “encontro pessoal”, conforme diz Dom Odilo Scherer na apresentação do mencionado Projeto Missionário da CNBB.
Sim, pois “ver e conhecer Jesus é uma grande graça e o anseio profundo de todos os batizados e de cada ser humano”, acrescenta ele.
Os Arautos do Evangelho, enquanto cristãos leigos, sentem-se felizes e dignificados em poder colaborar com os Bispos e párocos nessa grande obra de reaproximar da Santa Igreja os seus filhos que tiveram a infelicidade de dela se afastarem.
E se alegram ao constatar o acerto das diretrizes dadas pelo Cardeal de São Paulo, pela CNBB e por tantos outros Bispos no empenho de atender aos reiterados apelos do Papa em prol da Nova Evangelização.