Estas considerações vêm-me ao espírito a propósito de um acidente espetacular de carro ocorrido com minha filha Carla: uma terrível colisão, com três capotagens, sem causar um arranhão sequer em pessoa alguma.

Como interveio Deus nesse episódio? E com que objetivo?

Narrarei singelamente o fato e a sua maravilhosa sequência, deixando a resposta por conta do leitor.

Felizes consequências de um terrível acidente

Era uma noite comum, de uma jovem não muito experiente ao volante de um jipezinho, parada ante o sinal vermelho de uma rua não muito movimentada, e que teve de repente a horrível sensação da presença de dois assaltantes ameaçando o que parecia ser um final de noite calmo.

A memória da jovem Carla, minha filha, sintonizou um anterior episódio, no qual seu pai, para safar-se de repentino ataque de motoqueiros, resolveu arremeter-se a toda velocidade – num carro bem mais possante, diga-se!

A imitação do exemplo do pai nem sempre dá os mesmos resultados… Se Marcos, meu marido, safou-se, nossa filha não teve a mesma sorte.

Escapou, é verdade, do que lhe parecia ser um assalto, mas à custa de uma forte colisão que provocou três capotagens de seu pequeno jipe.

Pela lógica, não se poderia afirmar ter sido este um bom final… Mas a intervenção de uma força superior não permitiu que sequer um arranhão tenha havido em qualquer um dos envolvidos – minha filha ou o motorista do outro carro, Francisco Vassellucci.

Este, coincidentemente, é um Arauto do Evangelho. Nós, que não conhecíamos esta instituição, fomos designados por uma escolha de Deus para essa coincidência.

Nossa vida mudou, desde então.

As dificuldades vinham aumentando, de há cinco anos para cá, mas, a partir desse episódio, os humores para enfrentá-las foram ampliados, graças a experiências de proximidade com a mão de Deus, como nesse acidente ocorrido com nossa filha.

Temos que reconhecer que a coincidência foi feliz, porque o resultado da colisão foi de apenas um prejuízo material sem importância, já que Deus nos concedeu a dádiva maior: a preservação da vida de uma filha muito querida.

O que pode ser mais valioso para um pai e uma mãe do que a integridade de seus filhos? Portanto, nosso agradecimento por esse dom deve ser maior do que o lamento por bens materiais danificados.

Como disse acima, nossa vida mudou.

Passamos a valorizar cada momento que Deus nos permite viver nesta existência terrena.

E o testemunho de tantas pequenas outras experiências já não seria cabível em poucas linhas como estas simples, que agora completo, para manifestar meu mais profundo reconhecimento por esta vida nova de nossa família.

Concluo, hoje, que cada benefício que Deus nos dá deve apenas ser visto no exato sentido do termo “presente”, ou seja, a vida dada aqui e agora por Deus, a quem sempre devemos agradecer.

“Que a fé possa acender-se em todos os corações”

Um ano tendo-se passado do acidente, podemos comemorar todo o tempo que Deus nos permitiu, e o que vier a nos permitir, de vida plena nesta terra, agora acompanhados da devoção a Maria, um dos alicerces da espiritualidade dos Arautos.

Aprendemos com eles a voltar a ver a beleza da vida, em todo o seu esplendor, em todos os atos da existência diária.

Aprendemos novamente a contemplar a beleza do canto e da música sinfônica.

Especialmente, quando ouvimos uma das belíssimas apresentações que o Coro e Banda Sinfônica dos Arautos realiza na Catedral da Sé, em São Paulo, todos os primeiros sábados do mês, a partir das 11 horas, no acompanhamento da Missa, com uma participação artística admirável.

A devoção a Nossa Senhora reacendeu-se em minha família, como uma chama que tanto tempo de dúvidas não conseguia anteriormente reavivar.

Nossa fé necessitou da intervenção da graça divina para, sob a mão do “destino”, comandada por Nossa Senhora, trazer de volta à vida, intacta, nossa filha e, com sua vida, a nossa fé.

Retomamos nossas orações. A partir dessa nossa renovada fé e com as palavras de Sua Santidade, o Papa, adquirimos a convicção de que rezar é tão necessário quanto respirar.

E hoje reconhecemos, como dizia Santo Agostinho, que Deus conhece nossos desejos antes que os manifestemos.

Nossas preces voltam-se para o bem-estar de todos, para a paz mundial, para a proteção de tantas vidas preciosas e para que a mensagem do Cristo – que os Arautos do Evangelho, com tanta beleza, ajudam a difundir – possa responder aos apelos de tantas pessoas necessitadas.

E que a fé possa acender-se em todos os corações.