Têm-se formulado algumas objeções a respeito da conveniência da virgindade consagrada para os sacerdotes. A primeira é de que no Novo Testamento ela não aparece como indispensável para ser-se sacerdote.

E, efetivamente, pode-se constatar nos escritos dos Apóstolos que no início não se exigia a virgindade para ascender ao sacerdócio.

A esta objeção se responde que o modelo deixado por Cristo, sumo sacerdote, é de virgindade, e que o chamado à imitação do estado de vida do Senhor, pelos ministros sagrados, é bem claro no Evangelho e nos escritos dos Apóstolos.

Quando Cristo fala da alta vocação ao Matrimônio e propõe um elevado ideal de fidelidade e indissolubilidade, apresenta também o chamado ainda mais sublime à virgindade para alguns homens (Mt 19, 1-12).

Sendo Ele mesmo o modelo de tal condição e Aquele que pode conceder a graça de compreender a eleição divina para semelhante modo de vida, fica implícita a indicação e o convite àqueles que escolheu para O acompanharem e compartilharem sua missão, isto é, aos Apóstolos e aos sacerdotes (Mc 3, 13-15).

A Igreja sempre interpretou desta forma as palavras de Cristo. Seria absurdo aplicá-las a pessoas não chamadas a uma especial identificação com Cristo e a compartilhar e prolongar sua missão. […]

Uma terceira objeção vem da escassez de vocações sacerdotais, nas atuais circunstâncias. Removendo a exigência da virgindade, haveria maior número de jovens que aspirariam ao sacerdócio.

A esta objeção se responde que a experiência demonstra que quando se facilita o acesso ao sacerdócio, diminuindo as exigências, não aumentam as vocações; pelo contrário, estas tendem a desaparecer completamente.

E isto corresponde também a uma psicologia profunda de radicalidade, própria à vocação sacerdotal. […]

O celibato é uma questão de consciência, é abraçado e escolhido para sempre por quem se prepara para o sacerdócio, depois de haver alcançado a plena convicção de que se trata de um “dom” concedido pelo Senhor; um “dom do Espírito” para identificar-se melhor com Ele, para servir a Igreja e o próximo.

A maturação da personalidade se obtém após muito tempo e exige um sadio realismo: não basta a compreensão ou o desejo de ser casto; é necessário o paciente esforço de dominar as paixões, continuamente expostas às tentações.

Tal domínio requer, durante toda a vida, a vigilância constante e a perseverança na oração. De um lado, é necessário evitar os estímulos que provocam as reações das paixões.

Se um seminarista ou um sacerdote se permitir todo tipo de leituras, espetáculos e entretenimentos oferecidos pela sociedade hedonista, facilmente encontrará fortes estímulos contrários à castidade sacerdotal.

Se ele deixar-se levar por afetos apaixonados, não será capaz de maturar no amor intenso, exclusivo e fervoroso a Cristo. A natureza tem as suas próprias leis, que é necessário saber respeitar e conhecer.

O bom senso é essencial para a educação dos seminaristas e sacerdotes. Reconhecer que existem tentações não significa, contudo, enclausurar-se numa torre de marfim.

A maturação da personalidade não consiste numa repressão, mas num processo de canalização, por meio de um trabalho positivo, aberto e jubiloso, em função do amor.

O sacerdote é chamado a amar mais intensamente e um maior número de pessoas, em consequência de sua consagração na virgindade. […]

A virgindade consagrada pelo Reino dos Céus é um forte apelo ao mundo hedonista e secularizado para crer em Deus e na vida eterna.