Os teólogos reafirmaram hoje: o candidato ao sacerdócio, na Igreja de rito latino, é chamado a oferecer o seu corpo, todo o seu ser, como instrumento para a ação salvífica de Deus.

Para haver um outro Cristo neste mundo, segundo a conhecida expressão de Santa Catarina de Sena, deve haver sempre este sim sacerdotal.

Deve haver esta aceitação do dom divino do celibato que faz nascer no sacerdote uma nova existência espiritual: Cristo abraça inteiramente o corpo e a vida do sacerdote que se torna n’Ele “um só ser” (Gal 3, 28).

A esta luz, os conferencistas tornaram mais fácil compreender a escolha multissecular que a Igreja Latina fez e mantém: “de conferir a ordem sacerdotal somente aos varões que deram prova de ser chamados por Deus ao dom da castidade no celibato absoluto e perpétuo” como se afirma na Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis.[1]

Nas conferências pôde-se também responder ao quesito: “Mas a disciplina das Igrejas Orientais não contradiz a posição da Igreja Latina sobre o celibato sacerdotal?”

Repetiu-se que não existe nenhuma contradição, como explica o Diretório para o Ministério e a Vida dos Presbíteros, de 31 de janeiro de 1994:

A disciplina das Igrejas Orientais que admitem o sacerdócio para os casados, não se contrapõe à da Igreja Latina. Com efeito, as próprias Igrejas Orientais exigem o celibato aos Bispos.

Além disso, não autorizam o casamento de sacerdotes e não permitem novas núpcias aos que ficam viúvos.[2]

No Oriente como no Ocidente, nunca se permitiu a um sacerdote contrair Matrimônio, e só os sacerdotes celibatários podem ascender ao Episcopado.

E isso é sempre uma opção de liberdade e de aceitação jubilosa de uma vocação específica de amor a Deus e ao próximo, e não fruto de um espiritualismo desumano ou de um desprezo da sexualidade e do Matrimônio, de parte dos candidatos ao sacerdócio.

Acentuou-se também que, sem fé, não é possível compreender a natureza e a eficácia do celibato sacerdotal, assim como, sem fé, não é compreensível o próprio sacerdócio ministerial.

Eis porque, numa cultura profundamente secularizada e, em particular, para aqueles que vivem no relativismo moral, o celibato sacerdotal é objeto de contínuas discussões e debates. Para a Igreja, porém, não é assim.

Ela sempre reafirmou, mesmo depois do Concílio Vaticano II, a validade e a perpetuidade dos princípios e das razões sobre os quais se fundamenta o celibato sacerdotal.

 


[1] Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, n. 29.
[2] Diretório para o Ministério e a Vida dos Presbíteros, n. 60.