O ponto de partida dessa idade de ouro, que um poderoso e glorioso personagem deveria presidir, seria, segundo a opinião comum, a Judeia. Já dissemos com quanta ansiedade os judeus esperavam o Messias, precisamente nessa mesma época.

Toda a sua literatura era messiânica, como o demonstram os abundantes livros apócrifos que, sem cessar, avivavam o fogo e intensificavam a esperança.

Os filhos de Israel tinham invadido a maioria das províncias do Império Romano e entregavam-se em todas as partes a um ardente proselitismo, sem fazer mistério de sua religião nem de seu Messias.

Graças a eles, originaram-se e dilataram-se aquelas esperanças que mantinham em suspenso tantos espíritos.

As religiões pagãs se decompunham e caíam em ruínas. Os espíritos mais elevados filiavam-se em grande número ao judaísmo por laços ora mais ora menos estreitos.

O pressentimento do que falamos está formalmente atestado por vários dos grandes escritores de Roma, particularmente por Virgílio,[1] Tácito[2] e Suetônio.[3]

E também pelo historiador judeu Flávio Josefo.[4] Até as antigas tabelas astronômicas de Babilônia manifestavam vivo interesse pela Palestina.

Nelas se podem ler com bastante frequência predições expressas nestes termos: “Quando tal ou qual coisa acontecer, levantar-se-á no Ocidente um grande rei, e com ele começará uma verdadeira idade de ouro”.

 

FILLION, Louis-Claude. Vida de Nuestro Señor Jesucristo. Madrid: Rialp, 2000, v.I, p.7-8.

[1] Eglog., 4, 4-52.
[2] Hist., 5, 13.
[3] Vespas, 4.
[4] Bell. Jud., 6,5,4.