A chegada a Lisboa das relíquias de Santa Teresinha do Menino Jesus – recepcionadas à entrada da Catedral com toques de trompetes e uma chuva de pétalas de rosa – marcou o início do Congresso Internacional para a Nova Evangelização (ICNE), na tarde de 5 de novembro.

Durante nove dias, 5 a 13 de novembro, 1970 congressistas de Portugal, França, Áustria, Bélgica, Hungria, Espanha, Inglaterra, Estados Unidos e Austrália transformaram a Capital lusa num foco de irradiação mundial da mensagem do Evangelho.

Foram dias de intensas e frutuosas atividades: celebrações eucarísticas, tempos de oração, conferências, concertos musicais, encenações teatrais, debates públicos, etc..

Tudo direcionado para um grande objetivo, o de anunciar a uma sociedade que parece ter esquecido o essencial da Féa alegria de acreditar em Jesus Cristo, Vivo para sempre e fonte da plenitude da vida que com Ele partilhamos”.

Cerca de 500 voluntários se mobilizaram para garantir a organização do magno evento cujas atividades tiveram como centro o magnífico Mosteiro dos Jerônimos, mas se desdobraram também por ruas e praças, e pelas 290 paróquias do Patriarcado lisboeta.

Em Fátima, aos pés de Nossa Senhora

No dia 9, o Congresso se fez peregrino e foi prostrar-se aos pés de Nossa Senhora, no Santuário de Fátima. A habitual Eucaristia foi celebrada neste dia na Capelinha das Aparições.

Na homilia, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, Dom José Policarpo, meditou sobre “a evangelização como construção da unidade da Igreja”.

Depois de esclarecer que toda evangelização “encontra o selo da sua autenticidade na unidade com o Magistério de Pedro”, Dom Policarpo acentuou:

Evangelizar é proclamar a mensagem da salvação, e a sua autenticidade é garantida pela comunhão sincera e obediente com a verdade proclamada na Igreja de Roma.

Nada enfraquece mais a missão evangelizadora da Igreja do que a quebra desta unidade, garantia da objetividade da verdade.

Procissão da Luz e consagração a Maria

Um ponto alto do Congresso, o que mais tocou o grande público, foi a inesquecível Procissão de Luz, no anoitecer do dia 12.

Uma multidão imensa, calculada entre 400 e 500 mil pessoas, acompanhou emocionada, durante três horas, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, vinda de seu Santuário expressamente para essa solene manifestação de amor filial.

“Era um mar de luzes, num ambiente de grande fervor e devoção, que nem a chuva nem o frio foram capazes de arrefecer”, segundo o testemunho de um jovem universitário brasileiro.

Os arautos do Evangelho portugueses tiveram a alegria de dar sua colaboração, formando a guarda de honra da imagem.

No final, o Cardeal-Patriarca fez a solene consagração da cidade de Lisboa a Nossa Senhora. Entre outros pontos, destacamos estas frases:

Porque fazeis parte da nossa cidade e da nossa história, Vos aclamamos hoje, com confiança renovada, como nossa Rainha e Protetora e Vos consagramos a nossa diocese e a nossa cidade de Lisboa. […]

Consagramos-Vos toda a nossa cidade, os seus responsáveis, todos os que procuram generosamente fazer dela um espaço de convivência e de dignidade.

Como surgiu

No ano 2000 os Cardeais-Arcebispos de quatro capitais europeias – Viena, Paris, Lisboa e Bruxelas – decidiram promover congressos anuais com um duplo objetivo:

1º - fornecer aos agentes eclesiais da missão uma ocasião regular para se encontrarem, refletirem, e trocarem informações e experiências;

2º - promover a nova evangelização nas grandes metrópoles e renovar as paróquias urbanas, através da missão.

A esses quatro Prelados juntou-se posteriormente o Cardeal-Arcebispo de Budapeste.

O Congresso é, pois, realizado em sessões sucessivas nessas cinco capitais, seguindo programas adaptados a cada uma delas.

A primeira sessão foi celebrada em Viena, em 2003; a segunda em Paris, em 2004; a próxima será em Bruxelas, em 2006, e a quinta em Budapeste, em 2007.