Frei Antônio de Sant’Ana Galvão nasceu em Guaratinguetá, em 1739. Seu pai era Antônio Galvão de França, natural da cidade de Faro, Portugal, e sua mãe, Dona Izabel Leite de Barros, nascida em Pindamonhangaba, provinha dos primeiros povoadores quinhentistas. Ela foi mãe de onze filhos. 

Com 13 anos, Antônio foi enviado para estudar no Seminário mantido pelos jesuítas na Vila da Cachoeira, Bahia, a cerca de 130 quilômetros de Salvador.

Não fossem as borrascas que já faiscavam no horizonte, desencadeadas pelo Marquês de Pombal, seu pai tê-lo-ia deixado ser jesuíta.

O jovem Antônio acabou por ingressar nos Frades Menores Descalços, que exerciam seu apostolado na região de Taubaté.

Com 21 anos de idade entrou no noviciado do Convento de São Boaventura, da vila de Macacu, na Capitania do Rio de Janeiro. Recebeu o hábito no dia 15 de abril de 1760.

Segundo o costume da Ordem naquele tempo, abandonou o nome de França, passando a chamar-se Frei Antônio de Sant’Ana Galvão.

Escolheu o nome de Sant’Ana em homenagem à padroeira de sua família, que aparecia em lugar de honra, em seu lar, num lindo oratório. Suas três irmãs também tinham o nome de Ana. 

Sua mãe, embalando nos braços o filho, teria muitas vezes cantado: “Senhora Sant’Ana, ninai meu filho, vede que lindeza e que maravilha! Este menino não dorme na cama, dorme no regaço da Senhora Sant’Ana”.

O ambiente onde nasceu e viveu seus primeiros anos era profundamente cristão e religioso, com uma forte nota militar, pois, além de seu pai, que era Guarda-Mor de Guaratinguetá, todos os seus irmãos tiveram patentes militares ou exerceram cargos de governança.

Só ele trocou a casa abastada e as possibilidades de carreira pelo burel franciscano, e tornou-se agora Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, como será lembrado até o fim do mundo, especialmente nas celebrações litúrgicas em sua memória.