Entre os Arautos do Evangelho, quando um superior interpela alguém, ouve-se invariavelmente a firme resposta: praesto sum!

Pois o arauto deve estar sempre disponível para tudo, pronto para obedecer a qualquer ordem, a desempenhar qualquer missão que lhe seja confiada, para o serviço da Igreja e a salvação das almas.

Para quem consagra sua vida a Deus, a voz do superior indica a vontade divina. 

É assim que o arauto se exercita a ouvir a voz de Deus, a qual em tantas circunstâncias da vida se manifesta também de forma menos sensível, mas nem por isso menos clara.

O arauto, ao ingressar no instituto religioso, muitas vezes em jovem idade, o faz porque ouviu distintamente a irresistível voz da graça que o chama para esta singular vocação.

E, sem o saber ainda, como Samuel ao sacerdote Heli, responde praesto sum!, tal como continuará a fazer ao longo de sua vida de consagrado.

É o Senhor quem chama afetuosamente aos ordenandos

Para exercer o sagrado ministério sacerdotal, é também Deus que escolhe os seus, chamando-os afetuosamente pelo nome. E não há sacerdote que não tenha ouvido claramente esse apelo do Senhor.

No ato litúrgico de ordenação é a voz do ministro de Deus, do superior, que de novo se faz ouvir claramente, chamando o candidato, ao que ele deve responder: Ad sum!

E, como todos os dias, o arauto, exercitado na obediência, sempre atento à voz de Deus, deve pronunciar esse supremo e sublime praesto sum, fazendo o voto de obediência e castidade ao seu superior geral, nas mãos do Bispo ordenante. 

Talvez, nesse momento ápice da celebração, os neo-sacerdotes e diá­conos se tenham recordado do primeiro praesto sum que pronunciaram na vida, com o coração transbordante de alegria, por haver encontrado aquele tesouro precioso que tanto procuravam e agora realizaram: a vocação sacerdotal.

A cerimônia de ordenação

Foi assim que no dia 28 de abril, na Basílica Papal de Santa Maria Maggiore, em Roma, na celebração presidida pelo Emmo. Cardeal Bernard Francis Law, Arcipreste da referida Basílica, foram ordenados mais sete presbíteros.

São eles: Pedro Rafael Morazzani Arráiz, Santiago Morazzani Arráiz, Marcos Faes de Araújo, Steven Schmieder, José Francisco Hernández Medina, Fernando Gonzalo Elizondo, Javier Gonzalo Elizondo – e quatro diáconos – François Bandet, Joshua Sequeira, Walmir Bertoletti e Eduardo Caballero. 

O Fundador dos Arautos do Evangelho, Pe. João Scognamiglio Clá Dias, apresentou os candidatos ao Cardeal, que os aceitou em nome da Igreja.

Em seguida o celebrante lhes perguntou se queriam assumir as obrigações próprias à sua nova condição.

Depois, ao se prostrarem sobre o pavimento, todos invocaram sobre eles a intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, dos Anjos e dos Santos, rezando a Ladainha de todos os Santos, para que esses novos ministros sejam agradáveis a Deus, santos e imaculados diante d’Ele.

O ato da ordenação se realiza pela imposição das mãos e pela oração de consagração, feita pelo Cardeal, sobre cada um. É o Espírito Santo que pousa sobre os ordenandos. 

Júbilo em toda a Igreja

Como primeiro concelebrante, junto com o Padre Geral, João Scognamiglio Clá Dias, esteve presente Dom Lucio Angelo Renna, OCarm, Bispo diocesano de San Severo, emérito de Avezzano, quem eregiu canônicamente a sociedade de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli e ordenou os primeiros sacerdotes e diáconos dos Arautos do Evangelho.

Concelebraram também Mons. Karell Kasteel, Secretário do Pontifício Conselho Cor Unum; Pe. Fernando Guimarães CSSR, Capo Ufficio da Congregação para o Clero; Mons. Piero Amenta, Oficial da Congregação para o Culto Divino; Don Giovanni D’Ercole FDP, Capo Ufficio da Secretaria de Estado; Mons. Ângelo Di Pasquale, Protonotário Apostólico e Cerimoniário Pontifício Emérito.

Junto a eles, os cônegos do Capítulo Liberiano Mons. Granito Tavanti, Camerlengo; Mons. Michal Jagosz, Prefeito do Museu Liberiano; Mons. Tommaso Passacantilli; Mons. Paul B. McInerny, secretário pessoal do Cardeal Bernard Law; Mons. Gino Di Ciocco, cônego honorário; Mons. Michel Berger e Mons. Alberto Vallini, coadjutores do Capítulo.

E também Mons. Jean Marie Gervais, Oficial da Penitenciaria Apostólica; e Padre Romolo Mariani FDP. 

O cerimonial esteve a cargo de Mons. Adriano Paccanelli, Mestre das Celebrações Litúrgicas da Basílica, auxiliado pelo Pe. Sandro de Oliveira e com o apoio do Collegium Liberianum

O fecho de ouro da celebração foi a mensagem de felicitações do Santo Padre, enviada pelo Emmo. Cardeal Tarcisio Bertone. Nas páginas seguintes o leitor poderá apreciar os momentos mais importantes da cerimônia, bem como o texto do telegrama do Papa.