Arautos: Como definir o carisma dessa Instituição?

Pe. Francesco: Para isso, é necessário conhecer a vida de seu Fundador, Beato Bártolo Longo, a qual se pode dividir em três aspectos: a conversão, o Rosário e a caridade. 

Arautos: Consta que quando ele decidiu mudar de vida e procurou um sacerdote para confessar-se, este ficou meio assustado…

Pe. Francesco: É verdade. Ao vê-lo chegar na igreja dos dominicanos, o Pe. Radente, que conhecia sua fama, recomendou ao sacristão: “Não te afastes daqui, porque este tipo não me agrada”. Mas, graças a Deus, a realidade era bem diferente, Bártolo estava de fato arrependido. 

Arautos: Como se desenvolvem os três aspectos do carisma atualmente?

Pe. Francesco: A conversão se opera pela Confissão. A este Santuário chega um fluxo constante de peregrinos à procura da reconciliação com Deus.

Aqui encontram sempre sacerdotes para atendê-los. Nos sábados e domingos, eles são ordinariamente trinta à sua disposição. 

Arautos: Quanto à difusão do Rosário…

Pe. Francesco: Foi seu compromisso em outubro de 1872: “Não sairei de Pompeia sem ter aqui propagado essa santa devoção”.

O culto a Maria se expressa, sobretudo, pela devoção do Rosário, não como uma oração qualquer, mas sim como fundamento da procura particular da intercessão da Mãe de Deus. Ele traz consigo a conversão, o espírito de oração e as obras de caridade.

Arautos: Como ele organizou essa difusão?

Pe. Francesco: Entre outras instituições, o Beato fundou a Pia União Universal, com o objetivo de suscitar apóstolos do Rosário em cada família.

Seus aderentes se revezavam para rezar ininterruptamente o Rosário, dia e noite, pela conversão dos pecadores. Hoje essa iniciativa é reproposta através da União de Famílias pelo Rosário.

Esses grupos, orientados por sacerdotes, dedicam também seu tempo na obra de catequizar e favorecer a meditação da Palavra de Deus.

Arautos: Falta o terceiro aspecto, a caridade.

Pe. Francesco: Bártolo Longo é o Santo da caridade. Ocupou-se de dar assistência e remédios aos enfermos, ajudar jovens pobres a casar-se, proporcionar sepultamento cristão aos mortos.

Certo dia, aproximou-se dele uma mulher, dizendo: “Sr. Bártolo, não tenho recursos para sustentar meu filho porque meu marido está na prisão. Peço que cuide dele”.

Isto dito, deixou o filho em seus braços e afastou-se! Este fato inspirou ao Beato a fundação dos institutos para acolher os filhos e as filhas dos encarcerados.

Para ele, fé e caridade formam um binômio indissolúvel: “As obras da fé sempre foram uma inspiração para as obras de caridade; e estas, por sua vez, sempre foram prelúdio de novas manifestações de religião e de culto”.

Em 1887 fundou um orfanato para meninas órfãs e, em 1891, outro para meninos; em 1897, o instituto das Filhas do Rosário de Pompeia, para a educação de meninas e meninos.

Arautos: Fez algo também para a juventude?

Pe. Francesco: Sim! Outro aspecto muito interessante de Bártolo é o de educador. Organizou uma escola de ofícios, com o objetivo de inserir os jovens na sociedade.

Dava muita importância ao estudo, ao trabalho e aos esportes, mas também, de maneira especial, à música. Disse ele:

Em meu método educativo é muito importante coordenar o exercício da arte mecânica com o estudo de música ou o aprendizado de instrumentos musicais. Em geral, para mim a música é um dos mais relevantes elementos para a educação dessa classe de meninos.