Duas coisas são especialmente necessárias ao perfeito pregador: ser rico de ideias ao expor a doutrina e brilhar pela elevação de sua vida religiosa.
E se o sacerdote não pode ter estas duas coisas juntas, a vida ilibada é mais importante do que a capacidade doutrinária, pois o fruto proveniente das ações vale mais que a retórica. O exemplo de uma vida luminosa é mais eficaz do que a eloquência ou a elegante oratória.
Portanto, já que os sacerdotes da Igreja são “os céus que narram a glória de Deus” (cf. Sl 19, 1), é indispensável que o pregador seja transbordante da chuva da doutrina espiritual e refulja por sua vida religiosa, à maneira do Anjo.
Com efeito, anunciando aos pastores o nascimento do Senhor, resplandecia de fulgurante luz e exprimia por palavras o que viera anunciar.
Isto equivale ao que disse o profeta Malaquias: “Os lábios do sacerdote guardam a ciência e é de sua boca que se espera a doutrina, pois ele é o mensageiro do Senhor dos exércitos” (Ml 2, 7).
E se ele não pode ser o mensageiro que com a língua desempenha perfeitamente a tarefa de pregador, seja pelo menos a estrela que emite os luminosos raios de uma vida santa.
E isto justamente pelo fato de que, com sua luz, a estrela tornou mais conhecido aquilo que o Anjo anunciara por palavras aos pastores.
Por isso lê-se no livro de Daniel: “Os sábios refulgirão como o esplendor do firmamento, e os que tiverem introduzido muitos [nos caminhos] da justiça luzirão como as estrelas por toda a eternidade” (Dn 12, 3).
Mas é necessário que quem não seja dotado de eloquência para pregar, refulja com maior luminosidade pelos méritos de sua vida.