Num colégio de Santiago do Chile, o dia começa como outro qualquer. Entretanto, ao chegar a tão desejada hora do recreio, eis que desponta inusitadamente, no pátio, a “ameaçadora” figura do professor de matemática, cuja fisionomia, para seus jovens discípulos, parece carregada de equações inextricáveis.

Pouco depois aparecem juntas as professoras de Química e Física. Menos “temível”, mas igualmente inesperado, surge o mestre de educação física. E assim, o corpo docente vai se constituindo até chegar, por fim, a diretora.

Alguns alunos estranham a presença de professores no recreio, mas a maioria deles não pensa nisso, tratando apenas de aproveitar o intervalo que desejariam fosse maior.

De repente, um som potente corta os ares e suplanta a algazarra. Não é o estridente e já conhecido tilintar da campainha anunciando o término da diversão, mas uma bonita melodia de clarins.

À surpresa sucede o silêncio, imediatamente interrompido por um vigoroso rufar de tambores.

Os olhos curiosos voltam-se para o lugar de onde procede o som e, ainda mais estupefatos, veem sair em passo cadenciado um cortejo de…

— Soldados! – gritam uns

— Não, não, são cavaleiros da Idade Média! – replicam outros.

Subitamente, o impressionante cortejo para em face da plateia, que explode em calorosos aplausos. Nem sequer suspeitam ser apenas o começo.

Um bárbaro no recreio

Ainda ressoam as palmas quando um terrível bárbaro, armado até os dentes, emerge dos porões da história. Ao vê-lo, uma inocente menina corre, aos gritos, para os braços de sua professora. Mas não tarda em vir em seu auxílio um valente cavaleiro, belamente trajado.

Trava-se, então, um duelo “de morte”. As espadas chocam-se no ar expelindo faíscas até que, rompidas pela violência dos golpes, caem abandonadas no solo.

Nem por isso o combate torna-se menos renhido. Num ágil e derradeiro lance, o cavaleiro deita por terra o bárbaro ameaçador, saca seu punhal e, prestes a desfechar o golpe fatal, seu braço é detido por um brado:

— Pare!

Da fileira de músicos, um se destaca e pergunta ao público:

— O que vocês preferem: a vida ou a morte?

Com encenações desse tipo, os Arautos do Evangelho têm atraído para as verdades da fé milhares de jovens no Chile.

— Mas como? – perguntará alguém. Que relação tem isso com o Evangelho?

Vejamos como continua a apresentação.

Após a cena acima descrita, um jovem avança para o meio do pátio e convida os alunos a assistir à representação integral, no dia seguinte.

A peça narra a história de um príncipe que, ainda menino, perde seu pai e vê-se de repente alçado ao trono real, cercado de inimigos que aproveitam de sua inexperiência e natural fragilidade para declarar guerra ao reino.

O dilema: enfrentar ou fugir?

Rico em ensinamentos, o enredo leva o jovem estudante – já identificado com o príncipe – a pôr-se diante da seguinte alternativa:

Em face das dificuldades que a vida apresenta, deve-se fugir covardemente, cedendo às seduções do mundo, ou enfrentá-las, apoiado na fé, para construir um futuro baseado nos princípios do Evangelho?

Orientado por um piedoso Conselheiro, o príncipe opta pela luta e alcança sobre seus adversários vitória espetacular e incruenta, proporcionando a seu reino uma era de paz e prosperidade.

O difícil dilema fica, assim, resolvido.

Nas palavras finais dirigidas à jovem assistência, o protagonista – com apenas 12 anos de idade – sublinha a mensagem proposta pela peça, ressaltando que a solução para os problemas não está em refugiar-se nas drogas ou em falsos prazeres, tampouco na violência, mas sim em enfrentar, com ânimo varonil e confiança na Providência, as dificuldades inerentes à vida de todo homem, pautando nossa conduta pelos ensinamentos do Divino Mestre.

O projeto “Futuro y Juventud”

A peça teatral serve de introdução ao projeto “Futuro y Juventud”, constituído por cursos ministrados ao longo de quatro semanas. 

Nele se ensina a realizar atividades extra-escolares variadas: Música e Percussão, Introdução à Arte dramática, Defesa Pessoal. Na forma de ministrá-los procura-se, além do mais, orientar os jovens para a escolha de caminhos seguros diante das vicissitudes da vida.

Os próprios estudantes escolhem os cursos dos quais querem participar. Para isso, os Arautos do Evangelho percorrem as salas de aula expondo as matérias e  recolhendo as inscrições. Vários alunos alistam-se em todos os cursos.

Em alguns colégios, a imagem de Nossa Senhora de Fátima preside a exposição, e os alunos disputam a honra de conduzir, à sala seguinte, a ilustre visitante.

Mas será que este método produz os efeitos desejados?

Deixemos os professores e os próprios jovens responderem a esta pergunta:

— Ei! Você era um dos que aconselhavam o príncipe a ceder, não era? – perguntava um rapaz, com ar de desafio.

— Sim! – respondeu surpreso um dos atores.

— Pois fique sabendo que você está errado. A vida é dura mesmo, e a gente tem de enfrentá-la com ânimo!

— Fiquei fascinada por sua obra de teatro – dizia uma professora. Vou aproveitá-la para minhas aulas. Essa ideia de levantar o problema da escolha entre o bem o mal, as boas e as más amizades, isso é esplêndido!

— Eu os conheço bem – comentava um sacerdote com a diretora. Acompanho de perto o trabalho que realizam nos colégios e os jovens gostam muito deles.

Em apenas um mês, o projeto congregou mais de 4.000 alunos para os quais, com o auxílio do Imaculado Coração de Maria, os Arautos do Evangelho puderam tornar ainda mais atuais e cogentes as palavras que João Paulo II dirigiu aos jovens do mundo inteiro:

Que o Evangelho seja o grande critério que guia as opções e os rumos da vossa vida! Tornar-vos-eis assim missionários por gestos e palavras e, por todo o lado onde trabalhardes e viverdes, sereis sinal do amor de Deus, testemunhas credíveis da presença amorosa de Cristo (Mensagem de 25 de julho de 2001).