Jesus orava sozinho. Nesse ínterim, que faziam seus discípulos? Assistiam como meros espectadores, pois ainda não eram “um” com seu Mestre. Então Ele interrompe sua oração para fazer-lhes uma curiosa pergunta: “Quem diz o povo que Eu sou?” (Lc 9, 18).
Quer o Salvador ajudá-los a dar mais um passo em seu discipulado. Não podem limitar-se a pensar como o povo, que O considera um dos antigos profetas, talvez Elias ou uma reedição do Batista. A multidão não vê, ou não quer ver, além do que já conhece.
São Pedro declara então o que o Espírito Santo lhes fazia intuir: Jesus é “o Cristo de Deus” (Lc 9, 20). Inspirado pela graça, acertou; mas, será que entendeu tudo? Certamente não.
E Nosso Senhor lhe desvela uma realidade desconcertante: Ele, Deus e Homem, um com o Pai, foi ungido para salvar-nos por meio da dor, da Morte e da Ressurreição.
Os discípulos continuam sem entender. Não por lhes faltar inteligência, mas por carecerem de disposição de espírito para aceitar como sinais distintivos do verdadeiro Messias o sofrimento, a oposição dos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, a Morte na Cruz.
Também a Ressurreição não tinha sentido para eles, pois não entrava em seus cálculos humanos a possibilidade de uma intervenção grandiosa da onipotência divina, a fim de selar a derrota do mal.
E você, caro leitor, que opinião tem a respeito de Jesus? Caiu talvez nos devaneios de charlatães que O apresentam como uma espécie de líder iluminado por doutrinas de autoajuda? Ou um extraterrestre proveniente de outra galáxia?
Não estou gracejando. Há gente que abandona a Fé Católica por dar crédito a tais patranhas. Não me parece que você seja um desses, pois seria muito estranho que lesse esta revista…
É provável que você seja um católico de boa-fé, bombardeado por pregações tendenciosas que, por exemplo, reduzem a bondade compassiva de Jesus a uma caricatura bonachona complacente com o pecado.
Donde decorre que, hoje em dia, muitas pessoas sejam indiferentes a vícios que até há pouco eram intoleráveis. Será preciso dar exemplos?
O que nos diria aquele mesmo Jesus que, “aperfeiçoando” os Mandamentos, declarou culpável de adultério o mero desejo consentido de cometer este pecado (cf. Mt 5, 28)? Ficaríamos, talvez, tão ofendidos como os sumos sacerdotes e quereríamos matá-Lo de novo?
Não se trata de uma hipótese inverossímil, pois é um fato concreto que atualmente muitos se lançam com fúria contra a instituição que “encarna” – em sua essência hierárquica, em seus Sacramentos e em seu Magistério – a divindade do Redentor. A Igreja sofre uma “Paixão”, mas seu triunfo é tão certo quanto a Ressurreição do seu Divino Fundador.
Como, então, responder hoje à pergunta de Nosso Senhor e dar o passo que Ele espera?
O trecho final do Evangelho deste domingo nos dá a solução: renunciar a si mesmo, tomar a cruz de cada dia e segui-Lo (cf. Lc 9, 23). Ou seja, fazer-se um com Ele exige de nós nada menos que… perder a vida! Qual? A vida como o mundo a entende.
Algum desanimado objetará: “Não tenho forças para tanto…” Por isso Jesus orava! Agora já podemos rezar com Ele, entender quem Ele é e ser salvos.