Em maio de 1998 tinha lugar em Roma o I Congresso Mundial dos Movimentos Eclesiais, convocado pelo Pontifício Conselho para os Leigos para tratar do tema: Os Movimentos Eclesiais: comunhão e missão no umbral do terceiro milênio.
O evento proporcionou um aprofundamento nas relações entre essas novas realidades suscitadas pelo Espírito Santo e o discernimento e autoridade magisterial da Igreja, que as acolhia maternalmente e as orientava.
Coube ao então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger, inaugurar os trabalhos do Congresso com uma conferência que se transformou, por sua vez, em um marco da explicitação eclesiológica a respeito dos Movimentos.
Com zelo de pastor e penetração de teólogo, o futuro Bento XVI enquadrava os Movimentos eclesiais e seus carismas do ponto de vista da história da Igreja e da Teologia.
Lugar e papel dos Movimentos na Igreja
Na mensagem dirigida aos participantes do Congresso, João Paulo II afirmava ter tido o prazer de constatar a disponibilidade dos Movimentos “para pôr as próprias energias a serviço da Sé de Pedro e das Igrejas locais” e “indicá-los como novidade que ainda espera ser adequadamente acolhida e valorizada”.
E o Pontífice de então fazia uma afirmação que iluminaria as reflexões eclesiológicas sobre o tema:
Não existe contraste ou contraposição entre a dimensão institucional e a dimensão carismática, da qual os Movimentos são uma expressão significativa.
Ambas são coessenciais à constituição divina da Igreja fundada por Jesus, porque concorrem juntas para tornar presentes o mistério de Cristo e sua obra salvífica no mundo.
Fundadores e carismas
O momento culminante daquelas jornadas foi o encontro massivo com o querido Papa João Paulo II, na Praça de São Pedro, na Vigília de Pentecostes. O Pontífice definiu, então, o papel, na Igreja, dos carismas que deram origem aos novos Movimentos:
Por sua natureza, os carismas são comunicativos e fazem nascer aquela “afinidade espiritual entre as pessoas” e aquela amizade em Cristo que dá origem aos “Movimentos”.
A passagem do carisma originário ao Movimento acontece pela misteriosa atração exercida pelo Fundador sobre quantos se deixam envolver na sua experiência espiritual.
Desse modo, os Movimentos reconhecidos oficialmente pelas autoridades eclesiásticas propõem-se como formas de autorealização e reflexos da única Igreja.
Uma nova etapa
Sua Santidade reconhecia as tensões e problemas pastorais que haviam surgido:
Seu nascimento e sua difusão trouxeram à vida da Igreja uma novidade inesperada, e por vezes até explosiva.
Isto não deixou de suscitar interrogações, dificuldades e tensões; às vezes comportou, por um lado, presunções e intemperanças e, por outro, não poucos preconceitos e reservas.
Foi um período de prova para sua fidelidade, uma ocasião importante para verificar a genuinidade dos seus carismas.
Por fim, o Pontífice lançava o desafio para o futuro:
Hoje, diante de vós, abre-se uma etapa nova, a da maturidade eclesial. Isto não quer dizer que todos os problemas tenham sido resolvidos. É, antes, um desafio. Uma via a percorrer. A Igreja espera de vós frutos “maduros” de comunhão e de empenho.
Oito anos depois
O que se pode dizer a esse respeito no ano de 2006?
No Congresso agora realizado, o Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Dom Stanisław Ryłko, sublinhava exatamente essa “missão exigente, de buscar a maturidade eclesial”, dada aos Movimentos por João Paulo II em 1998.
Três são os aspectos principais que essa maturidade deve comportar: o sentido da comunhão com o Papa e com os pastores, e da comunhão fraterna com os outros Movimentos; o compromisso missionário; e o desenvolvimento pleno da alegria do coração e do entusiasmo, não deixando enfraquecer-se o amor inicial, a paixão originária pelo próprio carisma.
Como sublinhou Dom Riłko, essa maturidade vem sendo alcançada.