No firmamento dos Santos, o Bem-aventurado Fra Giovanni de Fiesole brilha por duas glórias especiais.
A primeira é o cognome de Angélico, dado por seus contemporâneos. Ele é, por antonomásia, o homem angelizado.
A segunda é o título de Beato, que lhe foi unanimemente atribuído durante cerca de cinco séculos antes de o Vigário de Cristo proclamá-lo Bem-Aventurado, em 1982.
Nascido em 1387 ou 1388 em Mugello (Toscana, Itália), Guidolino di Pietro ingressou como noviço no convento dominicano de Fiesole em 1407, passando a chamar-se Fra Giovanni.
No ano seguinte, pronunciou os votos religiosos de pobreza, obediência e castidade. Encontrava-se em Roma, no convento de Santa Maria sopra Minerva, quando Deus o chamou para a glória celeste, em 1455.
Logo no início de sua vida religiosa, os superiores notaram seus excepcionais dotes para a pintura. Esses dotes naturais, em pouco tempo ele os aperfeiçoou, mais ainda, sublimou.
Em que escola? Não foi na de nenhum artista famoso, mas na do grande luminar da Teologia, São Tomás de Aquino.
Como todo dominicano, Fra Giovanni era admirador entusiasta de São Tomás, cujas obras conhecia a fundo.
Lendo a Suma Teológica, ele aprendeu quais são os requisitos da beleza: primeiro, a integridade, pois as coisas inacabadas são, enquanto tais, deformadas; em segundo lugar, a proporção de harmonias entre as partes; e terceiro, a claridade, posto que se consideram como belas as coisas de cores claras e brilhantes.
Deste modo, os escritos do Doutor Angélico, além de nutrir a formação doutrinária de Fra Giovanni, deram-lhe segura orientação para atingir o alto grau de perfeição que lhe mereceu o cognome de “o São Tomás da pintura”.