I – Elenco das Proposições
O elenco final das Proposições da 11ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos é destinado ao Sumo Pontífice. Tal texto tem um caráter propositivo.
Por benévola decisão, o Santo Padre concede que seja publicado no Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé uma versão em língua italiana, provisória e não oficial.
As Proposições são um momento do longo processo do Sínodo, aberto à eventual promulgação de um documento pontifício.
Damos, em seguida, a suma de alguns dos pontos mais relevantes:
6. Adoração eucarística: O Sínodo dos Bispos […] encoraja fortemente que essa forma de oração […] seja mantida e promovida, segundo as tradições, tanto da Igreja latina como das Igrejas orientais.
7. É tarefa de grande importância pastoral que o Bispo promova na diocese uma decidida recuperação da pedagogia da conversão que nasce da Eucaristia, e favoreça para isso a confissão individual frequente. […] Os Bispos cuidem para que, além disso, em toda igreja haja lugares apropriados para as Confissões.1
9. Poligamia: A natureza do Matrimônio exige que o homem seja ligado de modo definitivo a uma só mulher, e vice-versa.
Nesse horizonte, os polígamos que se abrem à Fé Cristã devem ser ajudados a integrar seu projeto humano na novidade e na radicalidade da mensagem de Cristo. […] A Igreja os acompanhará, nesse ínterim, com uma pastoral cheia de doçura e firmeza.
11. Os Padres Sinodais afirmaram a importância do dom inestimável do celibato eclesiástico na prática da Igreja latina.
14. As paróquias e as pequenas comunidades que delas fazem parte devem ser escolas de mistagogia eucarística.
Nesse contexto, procurar-se-á a cooperação das comunidades de vida consagrada, dos movimentos e dos grupos que revalorizam, segundo seus próprios carismas, a formação cristã.
18. Convém que as Leituras sejam proclamadas com cuidado, se possível por leitores instituídos.
19. Pede-se aos ministros ordenados que considerem a celebração [da Eucaristia] como seu principal dever.
Em particular devem preparar cuidadosamente a homilia, baseando-se num conhecimento adequado da Sagrada Escritura. […] Podem tratar dos grandes temas da fé cristã: o Credo, o Pai Nosso, as partes da Missa, os Dez Mandamentos e outros temas.
23. A saudação da paz – Talvez fosse útil avaliar se não é melhor colocar o sinal da paz em outro momento da celebração, levando-se em conta também os antigos e veneráveis costumes.
25. Em particular o papel dos diáconos e o serviço dos leitores e acólitos merecem uma maior atenção. […] Este Sínodo renova seu apreço pelo cuidado que os presbíteros têm ao celebrar a liturgia de um modo digno, attente ac devote […].
Seja evitado o excesso de intervenções que pode conduzir a uma manipulação da Santa Missa, como, por exemplo, quando os textos litúrgicos são substituídos por outros ou quando se dá à celebração uma conotação não litúrgica.
Uma autêntica ação litúrgica exprime a sacralidade do mistério eucarístico. Esta deveria transparecer nas palavras e nas ações do sacerdote celebrante, quando ele intercede junto a Deus Pai, seja com os fiéis, seja por eles. […]
O canto deve ser intimamente harmonizado com a liturgia […] Sejam acentuados o valor, a importância e a necessidade do cumprimento das normas litúrgicas.
A celebração eucarística deve respeitar a sobriedade e a fidelidade ao rito querido pela Igreja, com aquele senso do sagrado que ajuda a viver o encontro com Deus, com aquelas formas também sensíveis que o favorecem (harmonia do rito, das vestes litúrgicas, dos móveis e do lugar sagrado).
27. A arte sacra, nas suas várias expressões, a começar pela arquitetura, tem uma função de grande importância. Ela, de fato, transpõe o significado espiritual dos ritos da Igreja em formas compreensíveis e concretas, que iluminam a mente, tocam o coração e formam a vontade.
28. O Sínodo recorda que o tabernáculo para a custódia do Santíssimo Sacramento deve ficar na igreja em um local nobre, de respeito, bem visível, bem cuidado do ponto de vista artístico e próprio à oração.
34. Diante da Hóstia consagrada, seja observada a prática da genuflexão ou de outros gestos de adoração segundo as diferentes culturas.
Recomenda-se a importância de ajoelhar-se durante os momentos salientes da Oração eucarística, em sentido de adoração e de louvor ao Senhor presente na Eucaristia. Seja promovida, além disso, a ação de graças após a Comunhão, também com um tempo de silêncio.
36. Na celebração da Eucaristia durante os encontros internacionais, hoje sempre mais frequentes, propõe-se para melhor exprimir a unidade e a universalidade da Igreja:
— sugerir que a (con)celebração da Santa Missa seja em latim (exceto as leituras, a homilia e a oração dos fiéis). Assim também sejam recitadas em latim as orações da tradição da Igreja e eventualmente usadas partes do canto gregoriano;
— recomendar que os sacerdotes, desde o Seminário, sejam preparados a compreender e a celebrar a Santa Missa em latim, assim como a utilizar orações latinas e a saber valorizar o canto gregoriano;
— não negligenciar a possibilidade de os próprios fiéis serem educados nesse sentido.
38. Recomenda-se vivamente aos sacerdotes a celebração quotidiana da Santa Missa, mesmo quando não haja participação de fiéis.
40. O Sínodo dos Bispos reafirma a importância de uma atitude e de uma ação pastoral de atenção e de acolhimento para com os fiéis divorciados e recasados.
Segundo a Tradição da Igreja Católica, eles não podem ser admitidos à Santa Comunhão, encontrando-se em condição de objetiva divergência com a Palavra do Senhor que reconduziu o Matrimônio ao valor originário da indissolubilidade, testemunhado por seu dom esponsal na cruz e participado pelos batizados através da graça do Sacramento. […]
Se, pois, não for reconhecida a nulidade do vínculo matrimonial, e verificando-se condições objetivas que, de fato, tornam a convivência irreversível, a Igreja os encoraja a viver sua relação segundo as exigências da lei de Deus, transformando-a em uma amizade leal e solidária.
Assim poderão reaproximar-se da mesa eucarística, com as precauções previstas pelas práticas eclesiásticas confirmadas; mas evite-se abençoar essas relações, para que não surjam confusões entre os fiéis a respeito do valor do Matrimônio. […]
O Sínodo considera que, em todo caso, deve-se dar grande atenção à formação dos nubentes e à prévia verificação de que compartilham efetivamente as convicções e os compromissos imprescindíveis para a validade do Sacramento do Matrimônio.
E pede aos Bispos e aos párocos a coragem de um sério discernimento para evitar que impulsos emotivos ou razões superficiais conduzam os nubentes à aceitação de uma grande responsabilidade para si mesmos, para a Igreja e para a sociedade, que não saberão honrar.
43. A promoção da participação quotidiana na celebração da Santa Missa mostra-se, nos ritos latinos, um meio eficaz de desenvolver essa espiritualidade [a espiritualidade eucarística] no coração da vida familiar, profissional, social e política.
46. Os políticos e legisladores católicos devem sentir-se particularmente interpelados em sua consciência, retamente formada, sobre a grave responsabilidade social de apresentar e apoiar leis iníquas.
Não há coerência eucarística quando se promovem leis que vão contra o bem integral do homem, contra a justiça e o direito natural. Não se pode separar a opção privada da pública, pondo-se em oposição à lei de Deus e ao ensinamento da Igreja; e isso deve ser considerado também em face da realidade eucarística (cf. I Cor 11, 27-29).
48. Quem participa da Eucaristia deve comprometer-se na construção da paz em nosso mundo, marcado por muitas violências e guerras, e hoje de modo particular, pelo terrorismo, pela corrupção econômica e pela exploração sexual.
Condições para construir uma paz verdadeira são a restauração da justiça, a reconciliação e o perdão.
50. A Igreja vê em Maria, “Mulher Eucarística”, sobretudo aos pés da Cruz, sua própria figura e a contempla como modelo insubstituível de vida eucarística; sobre o altar, na presença do verum Corpus natum de Maria Virgine, a Igreja venera com especial gratidão, pelos lábios do sacerdote, a Santíssima Virgem.
Os cristãos recomendam a Maria, Mãe da Igreja, sua existência, seu trabalho. Esforçando-se para ter os mesmos sentimentos de Maria, ajudam toda a comunidade a viver em oferta viva, agradável ao Pai.
II – Mensagem ao Povo de Deus
Durante a 20ª Congregação Geral realizada no dia 21 de outubro, os Padres Sinodais aprovaram a Mensagem do Sínodo dos Bispos ao Povo de Deus, com o título de A Eucaristia: Pão vivo para a paz no mundo.
Devido à falta de espaço, destacamos alguns de seus pontos essenciais:
8. Quarenta anos após o Concílio Vaticano II, queremos examinar até que ponto os mistérios da Fé são adequadamente expressos e celebrados em nossas assembleias litúrgicas.
O Sínodo reafirma que o Concílio Vaticano II estabeleceu as bases necessárias para uma autêntica renovação litúrgica. É importante cultivar os frutos positivos dessa reforma, e corrigir os abusos que nela se infiltraram, na prática.
Estamos convencidos de que o respeito pelo caráter da liturgia é transmitido pela genuína fidelidade às normas litúrgicas da autoridade legítima. Ninguém deve considerar-se mestre da liturgia da Igreja.
A Fé viva que reconhece a presença do Senhor é a primeira condição para a beleza das celebrações litúrgicas que culminem num “Amém” à glória de Deus.
12. A vida de nossas Igrejas é também marcada por sombras e problemas dos quais não nos esquivamos. Em primeiro lugar, pensamos na perda do senso do pecado e na persistente crise na prática do Sacramento da Penitência.
É importante redescobrir seu mais profundo significado: trata-se de uma conversão e precioso remédio dado por Cristo ressuscitado para o perdão dos pecados e o crescimento no amor para com Ele e para com nossos irmãos e irmãs.
16. Temos observado também que em certas áreas há uma diminuição do senso do sagrado, a qual afeta não somente a participação ativa e frutífera dos fiéis na Missa, mas inclusive a maneira de celebrar e a qualidade do testemunho de vida que os cristãos são chamados a dar.
21. […] A todos os jovens seminaristas […] desejamos comunicar nosso desejo de que sua vida de formação seja permeada de uma autêntica espiritualidade eucarística.
22. Caros esposos cristãos e famílias, vossa vocação à santidade, como igreja doméstica, nutre-se na sagrada Mesa da Eucaristia.
Vossa fé no Sacramento do Matrimônio transforma vossa união conjugal em um templo do Espírito Santo, em uma rica fonte de nova vida, gerando filhos, o fruto de vosso amor. […]
Permanecei fortes em vosso esforço para educar os filhos na Fé. Vós sois a fonte de onde brotam vocações para o sacerdócio e para a vida religiosa.