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Eucaristia


Displicência ante o Santíssimo Sacramento
 
AUTOR: PE. RAFAEL IBARGUREN SCHINDLER, EP
 
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Muito mais que um simples animal racional, o homem é uma criatura dotada de alma espiritual, criada à imagem e semelhança de Deus.

A desconsideração crescente de muitos fiéis para com a prática religiosa e, consequentemente, para com o culto devido ao Santíssimo Sacramento, corresponde a circunstancias complexas.

Seria simplificar muito, dizer, sem mais, que esse fenómeno é fruto da cultura moderna ou pós moderna.

Muito mais que um simples animal racional, o homem é uma criatura dotada de alma espiritual, criada à imagem e semelhança de Deus.

Sua dimensão espiritual pede, clama, por ser atendida e satisfeita. Assim como o corpo para subsistir tem que comer, dormir, etc, assim também a alma precisa alimentar-se para não atrofiar-se. Em uma pessoa ordenada, seu crescimento natural desenrola-se harmoniosamente, atendendo ao mesmo tempo as necessidades do corpo e da alma.

Isto que parece tão razoável, se impõe ao constatar que temos uma inclinação inata para a felicidade, a plenitude, ao eterno. Santo Agostinho, conhecedor genial das aspirações da alma humana, declara em suas “Confissões”: “Nos fizestes, Senhor, para ti, e nosso coração está inquieto, até que descanse em ti”. E, antes, Tertuliano escreveu que “a alma humana é naturalmente cristã”. O catolicismo vai de encontro dos desejos mais medulares das pessoas.

Assim sendo, alguém que se confesse a-religioso ou ateu, encontra-se em um verdadeiro contrassenso. Não dar sequência aos naturais apetites da alma é violentar-se interiormente e ser intelectualmente desonesto. É ter uma consciência fora deEucaristia - ostensório.jpgseus eixos.

É por isso que os que “professam” a irreligião recorrem a ideologias os supostos “valores” que n fundo são tentativas de justificar suas débeis posturas; porque o homem é um monolito e não consegue subsistir permanecendo em uma estável e perpétua contradição; precisa apoiar ou desculpar de alguma maneira sua crença.

Porém o assunto que mais nos interessa e nos interpela não é dos ateus; é o drama dos católicos que não chegam ao extremo de renegar sua Fé, mas que não a vivem e a vão debilitando progressivamente até o ponto de parecer inexistente ou quase tanto.

Como podem conviver em uma mesma pessoa que recita o Credo na Missa dominical, sua profissão de fé e a indiferença para a religião católica? Esta é uma das questões mais preocupantes e urgentes a resolver.

O que acontece é que, nesse mecanismo de explicar seus erros justificando-os com uma doutrina, os indivíduos acabam substituindo a Deus com maiúscula por um deus com minúscula. Eles dão as costas ao Criador e se apegam às criaturas… endeusando-as. Dinheiro, saúde, tecnologia, beleza física, prestígio, poder, prazer, etc., são deuses substitutos do único e verdadeiro Deus e Senhor. O homem contemporâneo opta pelo serviço a um senhor de pacotilha, e deixa de lado o Senhor dos Senhores.

A negação de Deus é na realidade uma incongruência que equivale a uma substituição grosseira. Não se pode professar a inexistência de algo que clama dentro de nós!

Um exemplo. Pela graça de Deus e o concurso de catequistas que um dia explicaram o mistério eucarístico, passamos a crer na presença real de Jesus na hóstia consagrada e compreendemos que deve-se tributar-lhe um culto de adoração; por outro lado, sempre nos horrorizamos com os sacrilégios feitos contra este admirável sacramento e chegamos a elogiar, e até admirar, os adoradores que permanecem fiéis a seus compromissos.

Mas, na vida de todos os dias, estes sentimentos e convicções de que estamos persuadidos, não são determinantes para motivar nosso crescimento espiritual plasmado em uma conduta. Por que? Porque já devemos estar praticando outra crença diferente da que fizemos profissão no batismo e na confirmação: substitui-se ao Deus da revelação por um deus de conveniência. Salvo uma graça fulminante -como a que pôs São Paulo por terra e o elevou até o Céu- o dinamismo próprio do mal nos poderá levar até sem inimigos empedernidos de Deus.

Um processo assim começa “suave”, lentamente: Não vamos à Missa porque ela é, digamos, “entediante”, “parada”; depois, dizemos que não vamos adorar o Senhor no sacrário por falta de tempo; além disso a comunhão nos é tediosa e a confissão fastidiosa, desagradável…

Se for assim, não estaremos criando uma religião em que a “missa” poderá ser qualquer farândola vulgar, o sempre presente computador ou tablet seriam substitutos do sacrário, e o álcool, o cigarro e até mesmo a droga, não seriam meu “sacramento”?

Nossa! Essa conclusão é exagerada! Poderá dizer alguém. Pois bem, a verdade é que muito mais excessiva e exagerada é a inconsequência dos eternos incoerentes para os quais o Santíssimo Sacramento não parece ser grande coisa…

(Assistente Eclesiástico do movimento “Mundialis Foederatio Operum Euchatisticorum Ecclesiae”)

 
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