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Plinio Corrêa de Oliveira


Procurando imitar as perfeições divinas
 
PUBLICADO POR ARAUTOS - 09/10/2019
 
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Desde a sua infância, Dr. Plinio cultivou um profundo amor às excelsas perfeições do Homem-Deus, almejando o quanto possível refleti-las em sua própria alma. De modo particular, encantava-o a sublime dignidade de Nosso Senhor, à qual desejou imitar para difundir ao seu redor o “bom odor de Cristo”.

No tempo em que fiz a Primeira Comunhão e cursava os anos iniciais de colégio, Nosso Senhor era apresentado sempre na plenitude de sua bondade, mas também com majestade e dignidade excelsas. De tal maneira que, tenho a impressão, quem O conhecesse pessoalmente, ao mesmo tempo se derreteria de confiança e se evanesceria de humildade diante da grandeza d’Ele. As imagens, o estilo do culto, o ambiente das igrejas, tudo recendia uma elevação que era a expressão da majestade suprema e incomparável de Jesus. Essa realeza se origina do fato de ser Ele o Homem-Deus e, como tal, o Rei de todas as coisas por definição e natureza.

Espelhando-se na dignidade de Jesus

Ora, eu julguei que O imitava, na medida em que toca às meras criaturas, de dois modos. Primeiro, prestando muita atenção e procurando entender a dignidade humana, não com raciocínios filosóficos (os quais não estavam ao alcance de minha jovem idade), mas vendo as pessoas mais especialmente dignas que eu conhecia, analisando a sua superioridade e como se colocavam acima das outras, para o bem delas e o de todas. Em segundo lugar, compreendendo, em conseqüência, o que é ser e como se tornar uma pessoa digna.

Depois, quanto coubesse à minha condição de criança, tentei realizar essa dignidade em mim mesmo. Por que nunca aceitei como válida a teoria — muito difundida no meu tempo de infância, e talvez ainda vigente e requintada nos dias atuais — segundo a qual um menino não possui dignidade nenhuma. Ele é considerado um palhacinho, um bobinho, para divertir os mais velhos e fazer coisas terríveis: quebrar as janelas, praticar toda espécie de turbulências, com o que indica a sua genialidade e o grande homem que ele será no futuro. Isso nunca admiti. Pelo contrário, detestei essa ideia com toda a minha alma.

Ao admirar, desde jovem,a bondade e a dignidade excelsas de Jesus, Dr. Plinio procurou imita-Lo em toda a medida que lhe fosse possível

O menino é uma participação dos seus pais. Ele tem a dignidade inerente a seus maiores, embora posta nas condições da infância. Daí eu sempre cultivar maneiras cerimoniosas, o modo elevado de se exprimir, o observar a castidade (inseparável da dignidade), o prestar homenagens aos mais dignos do que eu, etc. Como também o fazer sentir àqueles que me eram inferiores, os limites, as diferenças, movido pelo senso das proporções da caridade que impregna tudo quanto faz o verdadeiro católico.

Hábito da reflexão e amor às autoridades

Outro elemento característico da dignidade que procurei nutrir em minha alma, para imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo, é o hábito e o gosto da reflexão. Sempre me pareceu que a pessoa espontânea, irrefletida, estava a um milímetro do completo ignorante. O indivíduo que mal ouve algo e já se põe a tagarelar, sem nunca ter pensado naquilo, é um asno, pois se orienta apenas pelos seus sentimentos impulsivos. Essa atitude me inspirava não pequeno desdém.

Pelo contrário, aquele que reflete, pesa todas as coisas, entende, considera, forma as suas opiniões, tem uma dignidade especial. E essa dignidade eu procurei, desde os meus primeiros anos, manter em mim, muito ciente de que em Nosso Senhor Jesus Cristo, a própria Sabedoria Encarnada, isso tomava os aspectos divinos que n’Ele têm todas as coisas.

Outro traço da divindade de Jesus que procurei cultivar em mim, tanto quanto possível, foi reverenciar adequadamente todas as autoridades constituídas. Lembro-me de ficar indignado vendo como alguns dos meus colegas consideram certos professores. Tratavam-nos como lacaios ou algo até inferior. Em última análise porque eram filhos de pais ricos e o professor era pobre. Se esse mesmo professor um dia aparecesse no colégio dirigindo um automóvel de luxo, porque se tornara um homem de posses, seria tratado com bajulação. Porém, como em geral recebiam um ordenado pequeno e levavam vida modesta, eram humilhados pelos seus alunos abastados. Então, senhores de 50, 60 anos, dignos de alguma reverência, tornavam-se objeto de debiques e gargalhadas. Isso me revoltava, e me levava a ter para com todos os meus professores um imenso respeito.

As perfeições de Nosso Senhor são tantas, que passaríamos vários dias enumerando-as e indicando os modos de um fiel imitá-las. Poderíamos considerar, ainda, a observância de todas as leis que Ele praticou desde Menino, bem como o ter sempre manifestado muito respeito às autoridades legítimas. Por exemplo, às da Sinagoga, pois quando Ele curava alguém, mandava-o mostrar-se aos sacerdotes.

Enfim, em tudo Nosso Senhor demonstrou a maior deferência, até o momento em que investiram contra Ele. E o Redentor se deixou matar como uma ovelha, um manso cordeiro, sem protesto nenhum, mas sustentando implacavelmente a verdade.

A exemplo do Divino Mestre, eu julguei que também era meu dever sustentar a verdade em qualquer ocasião, de modo intransigente, porém com o respeito e o acatamento devidos a todas as autoridades.

E assim, nas diversas circunstâncias da vida, procurei formar meu senso contra-revolucionário por meio da imitação das qualidades divinas de Nosso Senhor.

O dom da palavra

Um dos mais excelentes dons que Deus deu ao homem é o da palavra, e o bom uso que dela devemos fazer, pois é o melhor meio de se praticar a caridade. Com ef