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Santíssima Trindade - Data: 16 de Junho 2019
 
 
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Ao começarmos com piedade um ato qualquer da vida cotidiana ou uma oração, costumamos dizer: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. A mesma invocação dá início à Santa Missa, que prossegue com uma saudação do sacerdote, tal como: “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”. 1 O mistério da Santíssima Trindade encontra-se presente em nosso dia a dia, todo o tempo. Sabemos, pela doutrina da Igreja, que há três Pessoas Divinas, mas um só Deus. Entretanto, a inteligência humana não abarca esta realidade sobrenatural, entre várias razões por estarmos habituados a tratar com os outros homens, meras criaturas de nossa natureza racional, na qual se confundem numa unidade o ser e a pessoa.

Conhecer a Trindade só é possível pela Revelação

É a fé que nos permite aceitar esta verdade, a tal ponto que se o Filho de Deus não a ­tivesse revelado, impossível seria deduzi-la pelo mero raciocínio. 2 O Antigo Testamento não oferece elementos para discernir com precisão a existência da Trindade, mas apenas vestígios e insinuações muito tênues que a fazem, de certa forma, ser pressentida. Por exemplo, ao narrar a obra do sexto dia o Autor Sagrado utiliza o verbo no plural, como se a determinação fosse tomada por várias pessoas: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1, 26). Este e outros textos bíblicos análogos (cf. Gn 3, 22; 11, 7) podem ser considerados sinais da Trindade, embora não sejam explícitos e categóricos. Também na história de Abraão há um fato significativo: os três Anjos que o visitam para anunciar o nascimento de Isaac sugerem algo desse mistério (cf. Gn 18, 1-2). Os Livros Sapienciais contêm alusões à geração eterna do Verbo pelo Pai, quando a Sabedoria fala de Si mesma: “O Senhor Me criou, como primícia de suas obras, desde o princípio, antes do começo da Terra. Desde a eternidade fui formada, antes de suas obras nos tempos antigos. Ainda não havia abismos quando fui concebida” (Pr 8, 22-24). E, na visão de Isaías, os Serafins proclamam “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo!” (Is 6, 3), repetindo o título para honrar as três Pessoas. A razão humana, contudo, nunca teria suficiente capacidade para chegar a tal conclusão e deduzir tais aplicações, pois o sentido da Escritura só se tornou claro depois da Encarnação, como está na Oração do Dia: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes o vosso inefável mistério. Fazei que, professando a verdadeira Fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente”. 3

De fato, é o Filho de Deus quem anuncia a existência das outras Pessoas, e Ele próprio declara: “O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 26); “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão” (Jo 16, 12-13). Foi, pois, a partir de Pentecostes que os Apóstolos foram ilustrados pelo Espírito Santo. É Ele quem nos leva a compreender a verdade, ainda que de modo um tanto obscuro, às apalpadelas, como quando entramos num quarto sem luz e, impossibilitados de ver com nitidez, nos movemos com cuidado tateando as paredes e os objetos, até adquirir uma vaga ideia do local. Assim, também, a fé — um dom de Deus pelo qual assentimos às verdades sobrenaturais que nos são propostas 4 — nos confere certa noção difusa a respeito das três ­Pessoas da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Quis Ele que conhecêssemos algo deste mistério já na Terra, a fim de nos preparar para a eternidade, como afirma Santo Agostinho: “Para poder contemplar inefavelmente o que é inefável, é preciso purificar a mente. Não sendo ainda dotados da visão [beatífica], somos nutridos pela fé e conduzidos através de caminhos acessíveis, a fim de nos tornarmos aptos e idôneos para a sua posse”. 5 Com efeito, estamos neste mundo de passagem e rumamos para um convívio perene com a Trindade no Céu, onde veremos “a verdade sem trabalho e gozaremos de sua claridade e certeza. Não será necessário o raciocínio da alma, pois veremos intuitivamente […]. Ante o fulgor daquela luz, não haverá dúvidas”. 6

No Evangelho contemplado pela Liturgia, Jesus, o Filho de Deus Encarnado, nos ensina que estamos aqui de passagem com vistas a um convívio eterno com a Santíssima Trindade. Analisemos, pois, esta passagem tendo presente este altíssimo mistério de nossa Fé.

Não basta a fé, é preciso dar testemunho

Crer significa traduzir para a própria vida aquilo em que se acreditou. Indispensável é, pois, haver de nossa parte esta crença em Nosso Senhor Jesus Cristo, não de maneira etérea, mas de acordo com o momento histórico atual. E como ao longo dos séculos o mal se apresenta sob novos aspectos, temos a obrigação de manifestar a fé em Cristo de modo conveniente à situação que vivemos. Nos primeiros tempos do Cristianismo os fiéis eram conduzidos pelo sopro do Espírito Santo, a ponto de estarem dispostos a entregar tudo quanto possuíam, como se narra nos Atos dos Apóstolos (cf. At 2, 44-46). Diversa foi a época das perseguições, em que os cristãos, inebriados pela ideia da Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo e abrasados de amor por Ele, enfrentavam a morte e dominavam os instintos de sociabilidade e de conservação, ambos muito vincados na alma. Na Idade Média, outra forma de adesão levou o homem a transformar a vida social em uma manifestação da Fé Católica. A cada fase histórica, portanto, a fé produz novos e variados frutos de santidade, pois sem as obras ela é morta (cf. Tg 2, 17).

Também nós precisamos dar testemunho dessa virtude, adequando a Jesus Cristo nossas atitudes, mentalidade, inteligência, vontade, sensibilidade, enfim, tudo aquilo que somos e queremos ser. Ao presenciarmos no mundo hodierno o abandono da fé e o quase completo desaparecimento do fermento evangélico nas relações humanas, cabe-nos alimentar uma vigorosa piedade eucarística e mariana, ao lado da fidelidade à Cátedra de Pedro, e buscarmos a sacralidade em todos os aspectos da existência. Em suma, devemos conformar-nos ao Divino Mestre, a fim de participar, já nesta vida, do inefável convívio com as três Pessoas Divinas. Este é o objetivo da Liturgia de hoje: estimular-nos a crescer na devoção à Santíssima Trindade e a corresponder ao seu inefável amor, realizando a vontade do Pai, caminhando nas pegadas do Filho e atendendo com docilidade às moções do Espírito Santo.

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