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São Geraldo, Conde de Aurillac - Data: 13 de Outubro 2019
 
 
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Geraldo nasceu em Aurillac, cidade da alta Auvergne, cerca do ano de 855. Geraldo, conde de Aurillac, seu pai, e a condessa Adaltrudes, sua mãe, eram ainda mais recomendáveis pela piedade do que pela nobreza.

Havia na família dois ilustres santos, ou sejam: São Cesário de Arles, e Santo Irier ou Aredius, e era esse o título de nobreza de que mais se orgulhavam seus descendentes. Como o filho deveria suceder à dignidade do pai, mandaram ministrar-lhe a educação comum à nobreza: aprender a ler o bastante para recitar o saltério, conduzir matilhas de cães à caça, atirar ao arco e lançar o falcão. Aprouve a Deus, que durante muito tempo Geraldo fosse bastante doentio para não lhe ser possível dedicar-se aos exercícios da época, mas não tanto que o impedisse de estudar. Por isso seus pais resolveram que se consagrasse mais particularmente às letras para assim fazê-lo ingressar no clero.

Aprendeu não apenas canto, mas também gramática, o que muito serviu para estimular seus pendores naturais. Ao atingir a adolescência, sua saúde consolidou-se; tornou-se tão ágil que saltava facilmente por cima de um cavalo. Destacava-se nos exercícios militares, mas continuava a amar o estudo; as Escrituras Sagradas tornaram-se-lhe tão familiares como a poucos clérigos. Tendo o pai falecido, foi obrigado, muito jovem ainda, a governar o domínio na qualidade de conde. Nem por isso se tornou mais orgulhoso, como frequentemente acontece. O dever levava-o a ocupar-se de negócios temporais, mas sentia-se cada vez mais atraído pela meditação das coisas divinas. Meigo e pacífico, a vingar-se preferia sofrer o mal que lhe faziam. Porém, demonstraram-lhe que tanta indulgência prejudicava o povo, exposto às incursões e à pilhagem. Então, pôs-se a imaginar um meio de proteger os órfãos, as viúvas, e os habitantes do campo. O amor aos pobres fez dele um militar. Sempre disposto a perdoar e a aceitar a paz, lutou por diversas vezes e sempre derrotou os inimigos renitentes. Tal era o jovem conde de Aurillac.

Despeitado por tantas vezes virtudes reunidas num jovem e, sobretudo, com a sua grande pureza, o inimigo do bem armou-lhe uma cilada, onde quase caiu.

Tendo um dia detido o olhar numa jovem escrava que lhe pertencia, Geraldo enamorou-se da sua rara beleza; num primeiro impulso de paixão, mandou dizer à mãe da rapariga que iria visitá-la à noite. Foi efetivamente; mas em caminho, rogava a Deus que não o deixasse sucumbir à tentação. A moça e seu pai permaneciam junto ao fogo, pois estava-se no rigor do inverno. O jovem conde achou-a tão disforme que julgou à principio que fosse outra pessoa. Ao ouvir o pai afirmar que era a mesma moça, Geraldo viu naquele fato uma advertência do céu, tornou a montar precipitadamente no cavalo, dando graças a deus, e permaneceu durante a noite inteira exposto ao frio intenso, a fim de punir-se, e extinguir os ardores da concupiscência.

Mal retornou à casa, o jovem conde tomou precauções para fugir àquela situação delicada. Assim sendo, libertou a jovem escrava e ordenou a seus pais que a casassem imediatamente. Algum tempo depois, Geraldo perdeu o uso dos olhos e permaneceu cego durante mais de um ano. Aceitou a provação como um castigo como o qual Deus o punia pelos olhares criminosos que lançara à jovem escrava.

Tendo recobrado a vista, Geraldo ainda se tornou mais fervoroso e só se preocupou com os exercícios de piedade compatíveis com seu estado. Na intenção de afastá-lo do rei da França, Guilherme, o Indulgente, duque da Aquitânia, ofereceu-lhe sua irmã em casamento.

O conde de Aurillac permaneceu fiel ao rei da França, agradeceu a honrosa proposta ao duque, sem deixar por isso de continuar a ser um de seus amigos mais íntimos. Decidira conservar-se solteiro, a fim de mais livremente se entregar /à prática das boas obras. Quando lhe afirmavam que devia dar herdeiros à sua ilustre família, respondia que mais valia morrer sem filhos do que deixar mais filhos. Tornou-se particularmente estimado por cauda da sua caridade para com os pobres, do seu amor pela castidade, do seu zelo em relação à justiça que, às vezes, beirava o escrúpulo. Fez, no mínimo, sete peregrinações a Roma, desejoso de reverenciar o túmulo dos santos apóstolos; e nunca se apresentava de mãos vazias; pois pagava à Igreja de São Pedro um tributo anual dos seus bens.

Dava um sem número de esmolas; não mandava embora um único pobre; às pobres ordenava que arrumassem mesas para os indígenas e assistia à distribuição do alimento, a fim de certificar-se da qualidade da comida fornecida, chegando ao ponto de experimentá-la. Seus oficiais conservavam pronto, sempre, um prato que ele mesmo servia aos pobres. Além dos que apareciam à última hora, costumava alimentar um determinado número de mendigos. Contudo, vivia muito frugalmente. Nunca ceava, contentando-se à noite, e em certos dias de estio, com uma ligeira colação. Ao jantar, sua mesa era bem servida, e convidava pessoas cultas e piedosas para participarem da refeição, e com as quais se entretinha à respeito da leitura feita em voz alta enquanto comiam. Era de estatura média, mas bem proporcionado, com uma fisionomia atraente, e uma palestra que não o era menos. Quando um dos convivas levava um gracejo um pouco longe, admoestava-o polidamente em tom de brincadeira. Ocupava-se durante o resto do dia com a administração de seus negócios, com resolver contendas, dar instrução aos seus subordinados, visitar hospitais, ler as Sagradas Escrituras. Jejuava três vezes por semana, e se acontecia haver uma festa no seu dia de jejum, transferia-o para outro e antecipava no sábado o do domingo. Não usava seda, nem tecidos preciosos, em qualquer ocasião que fosse; suas roupas eram simples e modestas.

Certo dia, quando voltava de Roma, acampou perto de Pavia. Alguns mercadores de Veneza vieram oferecer-lhe tecidos preciosos. Respondeu-lhes que já fizera suas compras em Roma, mas que ficaria muito satisfeito caso se certificasse de que fizera um bom negócio. Entre os tecidos que mostrou aos mercadores, havia um que estes garantiram poderia ser vendido por preço bem mais alto em Constantinopla. Imediatamente o piedoso fidalgo foi assaltado por escrúpulos e pediu a um de seus amigos que entregasse ao mercador de Roma o excedente do preço já pago, de acordo com a avaliação do mercador de Veneza.

Durante a mesma viagem, seus servos descobriram um dos escravos fugidos da propriedade de Geraldo e que era considerado um indivíduo de importância na nova pátria por ele adotada. Levantaram-no, pálido e trêmulo, à presença do conde e este, interrogando-o, ficou sabendo que ocupava uma bela posição naquele lugar. Disse-lhe então: "Não quero prejudicar-vos". E proibiu aos criados contarem a quem quer que fosse o passado do ex-escravo. Ao mesmo tempo, à vista dos vizinhos, fez-lhes alguns presentes e designou-lhe um lugar de destaque na mesa.

Certo dia, os criados lhe prepararam a refeição sob a cerejeira de um camponês. Como as cerejas estavam maduras, quebraram os ramos mais baixos. O camponês queixou-se e o conde pagou-lhe mais do que o valor do prejuízo. Durante uma viagem, viu seus criados comendo ervilhas, depois de terem atravessado o campo de um camponês ocupado com a colheita. Imediatamente orienta o cavalo na direção do homem e pergunta-lhe se os criados lhe haviam tirado alguma coisa. "Não senhor, eu mesmo dei", responde o camponês. "Possa Deus recompensar-vos", responde Geraldo. Outra vez, deu com vários camponeses que abandonavam seus domínios para instalarem-se noutra província. Perguntou-lhes porque assim procediam. Apresentaram como razão terem sido prejudicados pelo conde, enquanto, eles, camponeses, só o tinham favorecido. Os soldados da escolta de Geraldo incitaram-no a que mandasse açoitar aquele gente e depois a obrigasse a voltar para as suas choupanas. Lembrando-se, porém, de que tanto ele como os camponeses tinham no céu o mesmo senhor, permitiu-lhes instalarem-se onde lhes aprouvesse.

Aplicava a justiça aos criminosos, mas acompanhada de piedade. Havia salteadores que infestavam uma floresta e roubavam os viandantes, chegando, mesmo a matá-los. Geraldo enviou uma tropa de soldados que capturaram os bandidos e, juntamente com eles, um camponês que a contragosto os acompanhava. Receando que Geraldo perdoasse os criminosos, os soldados vasaram os olhos de todos eles, inclusive os do camponês. Tempos depois, chegando aos ouvidos do conde que o infeliz homem não era cúmplice dos salteadores, lamentou muito o ocorrido e, informado de que ele se encontrava na região de Toulouse, mandou pedir-lhe perdão, enviando-lhe ao mesmo tempo cem moedas de prata. (...)

Era assim, naqueles séculos difamados, que o Conde de Aurillac vivia e governava seus domínios. Apesar disso, nunca achava que trabalhava suficientemente para Deus no meio da confusão gerada por seus encargos, e quis renunciar a tudo aquilo para abraçar a vida monástica. Mas, como desconfiasse de suas próprias luzes, chamou o amigo, Santo Gausberto, Bispo de Cahors, e mais algumas pessoas altamente recomendáveis, e assim lhes falou confidencialmente: "Estava desgostoso com sua vida atual e desejava vestir o hábito religioso; tencionava ir para Roma e legar seus domínios por testamento ao bem-aventurado Pedro, Príncipe dos Apóstolos".

Depois de ter maduramente estudado o assunto, São Gausberto disse-lhe que poderia entregar seus bens a São Pedro, se assim o quisesse, mas que prestaria maiores serviços à religião, caso continuasse a viver no mundo da maneira edificante por que vivia; que assim o seu exemplo seria mais eficaz, e que um senhor que tão bem usava a sua autoridade, tinha maiores merecimentos e poderia atrair mais glória para Deus do que o mais austero solitário.

Geraldo aceitou aquele sábio conselho; porém, sem abandonar o mundo, encontrou meio de observar quase todas as práticas da vida monástica, sujeitando-se a jejuns, orando, e recitando todos os dias o saltério. Só lhe faltava o hábito de monge: procurou suprir essa carência. Vestia-se modestamente e mandou fazer na cabeça uma pequena coroa, que tinha o cuidado de ocultar sob os cabelos. Não mandou raspar inteiramente a barba, como faziam os monges, mas usava-a menos longa do que os leigos. Também deixou de levar a espada consigo, contentando-se, quando saía, com mandar que a carregassem à sua frente. Enfim, desejoso de possuir um retiro, onde pudesse de tempos em tempos, recolher-se para subtrair-se aos negócios temporais, mandou construir um mosteiro em Aurillac. Mas era tão alta a sua idéia da perfeição religiosa, que custou muito para encontrar monges bastante fervorosos para habitarem a nova casa. Costumava dizer que um monge perfeito era semelhante aos anjos fiéis, e que um monge mau se parecia como os anjos apóstatas. Fez, durante a sua vida, e a contragosto, um grande número de milagres; a água com que lavava as mãos, e que seus criados ocultamente entregavam a doentes, restituiu a vista a sete cegos, fato, entre outros, mencionado na sua biografia.

O próprio conde Geraldo perdeu o uso dos olhos vários anos antes de falecer e aproveitou a provação como meio de preparar-se para a morte com redobrado fervor. Libertara grande número de escravos no decurso da vida; muitos deles, tinham preferido permanecer a seu serviço. No seu testamento deu a liberdade a mais cem escravos e legou as melhores terras ao mosteiro de Aurillac, ao redor do qual se formou depois a cidade do mesmo nome. Ao sentir que o fim se aproximava, mandou pedir a Amblard, ou melhor Adalardo, Bispo de Clermont, que viesse vê-lo; pois Aurillac então pertencia à diocese de Clermont.

Enquanto permaneceu enfermo, Geraldo mandava que o levassem diariamente à Igreja, onde primeiro ouvia a missa do dia; em seguida, mandava dizer em sua intenção uma missa pelos mortos. Na manhã de sexta-feira, 13 de Outubro, sentiu-se mal e pediu a seus capelães que oficiassem no quarto; depois de terem sido cantadas as completas, fez o sinal da cruz e pronunciou as palavras que compõem a recomendação da alma, palavras que constantemente tinha na boca: Subvenite sancti Dei. Depois, fechou os olhos e permaneceu em silêncio; acreditaram que fosse expirar. Por isso, apressaram-se em chamar o Bispo Adalardo para assisti-lo, enquanto um padre imediatamente começou a celebrar a missa, a fim de dar-lhe a comunhão, o que demonstra naquele lugar não costumava guardar hóstias consagradas para o viático dos agonizantes, como tantas vezes fora ordenado.

Quando o sacerdote terminou de dizer a missa, trouxeram o santo viático ao doente, que já parecia morto; porém assim que a ele se dirigiram, abriu os olhos, recebeu o sacramento com grande piedade e expirou suavemente pouco depois. Assim morreu Geraldo em Cezenac, na sexta-feira, dia 13 de Outubro do ano de 909. Seu corpo foi transportado para Aurillac, tal como determinara, e sepultado junto ao altar de São Pedro, na igreja do mosteiro que mandara edificar. Deus permitira que a virtude de seu servo resplandecesse, enquanto vivera, através de um grande número de milagres; e os que foram operados por sua intercessão, depois de morto, tornaram famosos seu culto e seu túmulo. A vida de São Geraldo foi narrada em quatro livros por Santo Odon, abade de Cluny, a pedido de pessoas que tinham convivido com o santo conde. A obra é dedicada a Aimon, abade de São Martial, de Limoges, irmão de Turpião, bispo da mesma cidade. O mosteiro de Aurillac subsistiu até há pouco tempo.

(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 162 à 171)

 
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