Vida de amizade com Jesus
Santa Marta era de uma nobre e rica família de Israel. Seus irmãos eram Lázaro e Maria. Esta, por cuidar das terras para além de Jerusalém, no vale de Magdala, recebeu a alcunha de Madalena.
Cristo era íntimo da família, e consta no Evangelho que tenha ido até a residência dos irmãos para descansar.
Nosso Senhor, que disse: “As raposas têm suas tocas e os pássaros, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde recostar a cabeça”, encontrou – muito mais do que nas almofadas da casa dos irmãos – a tranquilidade e a paz de coração deles para repousar.
Enquanto Ele está lá, Santa Marta se atenta a tudo. Corre para ali, limpa lá, arruma acolá; sempre em movimento, sempre atarefada.
Aos seus olhos, sua irmã mais nova, que deveria ajudar a servir, estava estática diante de Jesus, como uma distraída.
Marta servia a si mesma
No começo, Marta pensa que dará conta. Aos poucos, o peso do dia a machuca, e o cansaço do serviço bate-lhe às portas. E Maria Madalena continua ali, na sala, diante do Mestre, com os olhos atentos e brilhantes.
Santa Marta, então, exausta, queixa-se a Jesus, pedindo que corrija sua irmã. Mas ela recebe de Cristo uma suave e doce reprimenda: “Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas” (Lc 10, 41).
Imaginem receber do próprio Deus esta ligeira repreensão! Imaginem ter o seu nome pronunciado pelos lábios de Deus, não uma, mas duas vezes, como num suspiro de amor!
Nosso Senhor quer lembrar a Marta que o serviço é importante, mas em primeiro lugar vem a oração.
Dom Chautard, em seu livro A alma de todo apostolado, lembra que os bons frutos só existem quando há boa seiva, pois ninguém dá o que não tem.
Santa Marta servia a si mesma no serviço a Jesus, e esta é a lição que ela nos ensina a não realizar.
Jesus reencontra Santa Marta
Passados alguns meses, depois de tantas andanças evangélicas, Cristo recebe a notícia de que seu querido amigo estava enfermo. Lázaro não sobreviveria se Jesus não fosse ao seu encontro.
Nosso Senhor, que sabia tudo o que ia acontecer, vai novamente para a casa de Betânia, no tempo oportuno. E esse tempo oportuno era… Lázaro já morto!
Diferente do que encontrou em sua estadia anterior, vê o luto e choro dos residentes, e, mais uma vez, encontra Santa Marta.
Que lição ela nos ensina agora?
Diante de Cristo, ela chega triste. Tomada de dor, lança-se aos pés do Mestre e diz: “Se estivesses aqui, Lázaro ainda estaria vivo”.
Olhe a fé de Marta! Não faz uma hipótese: “Quem sabe, se estivesses aqui, poderias curá-lo”. Não! É uma certeza: ela admite que Jesus é Senhor da vida e da morte, e que seu poder se estende para além da saúde.
Mas Cristo quer mais de Marta. Pergunta a ela: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em Mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em Mim, não morrerá eternamente. Crês nisso?” (Jo 11, 25-26).
E Santa Marta nos presenteia com a mais grandiosa resposta que podemos esperar: “Sim, Senhor, eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo”.
Que apóstolo teve profissão de fé tão majestosa?! Nem São Pedro, ou sequer São Tomé, após tocar as chagas do Ressuscitado, responderam com tanta acuidade, com tanta devoção, com tanta certeza!
Sem ter visto muitos dos milagres de Jesus, pois não O acompanhava, sem ter visto tantos sinais que Ele fez aos Apóstolos em seu convívio, sem estar presente em tantas cenas grandiosas do Evangelho, essa mulher como que adianta a ressurreição de seu irmão.
Santa Marta, além disso, chama sua irmã para ver o Mestre: diferente daquela que chamava Maria para sair da presença de Jesus e servir, a nova Marta coloca Madalena diante de Cristo.
Assim, do serviço agitado e egoísta, que não era de fato um serviço, Santa Marta passa ao verdadeiro serviço, à verdadeira lição: primeiro nossa vida de oração, de fé, depois a vida de ação.
Para além do Evangelho
Após a Ascensão de Jesus e a vinda do Pentecostes, Santa Marta parte com seus irmãos para uma nova missão evangelizadora. Eles são postos num barco sem mastro pelos seus perseguidores, e são deixados à deriva; mas sabiam que o Espírito Santo os guiava.
Aportam providencialmente na atual cidade de Marselha, e lá pregam o Nome de Cristo.
São Lázaro converte a muitos, Santa Maria Madalena, após tantos milagres, se retira para viver uma vida de contemplação, e Santa Marta continua o seu serviço à Igreja.
Agora, a mulher não procura chamar mais a atenção de sua irmã, sabe que a vocação dela a leva ao isolamento, e não se preocupa; Deus dará todos os obreiros necessários para realizar a sua messe.
Entre outras atividades, Santa Marta cura seus conterrâneos, sempre lembrando aos interessados que é Deus quem lhes dá a saúde, é Deus quem lhes dá a dignidade.
Converte os povos que veem em suas atividades uma calma e uma serenidade que não conheciam. Com certeza, conta às crianças sobre quando serviu a Jesus e foi por Ele repreendida, e como havia aprendido que o verdadeiro serviço é a santidade.
Que Santa Marta, sublime dama do Evangelho, guie as nossas motivações e dedicação para aquilo que realmente importa: servir a Deus, que começa primeiro na santificação pessoal, na oração, na vida de contemplação, e depois transborda para a ação, para o zelo da caridade.