A Igreja comemora no dia 26 de julho a memória de São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem Maria.
O santo casal possuía uma religiosidade exemplar. Eram expoentes da fidelidade a Deus no Antigo Testamento e, por isso mesmo, ansiavam pela vinda do Messias prometido.
É sempre bom conhecer algo mais sobre eles. Vamos relembrar uns fatos que servem para traçar algo mais do perfil dos pais de Nossa Senhora e avós de Jesus.
1. Presentes nos Evangelhos apócrifos
Segundo indica a Enciclopédia Católica, a menção a São Joaquim e Sant’Ana como os pais de Nossa Senhora aparece nos Evangelhos apócrifos: Evangelho de São Tiago, o Evangelho da Natividade da Santíssima Virgem e no Livro da Natividade da Santa Virgem Maria e a infância do Salvador.
2. Quarenta dias em oração
O Evangelho apócrifo de São Tiago narra que, um dia, o Sumo Sacerdote do Templo de Jerusalém não quis aceitar a oferta de São Joaquim, pelo fato de ele ser de idade avançada e não ter filhos.
O Santo ficou entristecido e decidiu se retirar para o deserto, já que se sentia desamparado, pois possuía um desejo ardente de estar entre os ancestrais do Salvador sem, no entanto, ter-lhe nascido um filho que alimentasse suas justas e piedosas esperanças.
Por quarenta dias, ele lá esteve rezando a Deus, jejuando e fazendo penitência por seus pecados, e implorando ao Senhor que lhe fosse concedida a bênção de ser pai.
Algo no fundo de seu coração, talvez uma premonição carregada de fé, fazia-lhe entender que as grandes esperas são o prelúdio dos grandes dons da Providência Divina.
Então, mesmo distante de sua esposa, continuou ele a esperar com a mais fina ponta da esperança: a confiança. E não se viu desiludido.
3. O anúncio de um Anjo
Segundo narra a tradição, depois que seu esposo Joaquim partiu para o deserto, Sant’Ana se entristeceu e, ao mesmo tempo, passou a rezar, jejuar e fazer penitências, unindo-se espiritualmente aos atos de piedade que ele praticava longe dos homens.
Sant’Ana também pedia fervorosamente a Deus para que lhe fosse concedida a graça de ter um filho, já que, por causa de sua esterilidade, sofria injustamente muitas humilhações.
A resposta às suas preces não tardou.
Um Anjo lhe apareceu e disse: “Ana, o Senhor escutou tua oração: conceberás e darás à luz a uma Filha Santíssima, diante de cuja presença todos se ajoelharão e bendirão, porque trará a salvação ao mundo; seu nome será Maria”.
São Joaquim também recebeu a visita do Anjo no deserto e voltou para casa.
Santa Ana, então, de avançada idade, tem a graça de, passados os meses de gestação, trazer ao mundo uma Menina.
E a Menina que ela dá à luz não era outra senão Aquela que, chamada Maria, haveria de ser a Esposa do Espírito Santo e a Mãe do Verbo Encarnado.
4. Ensinando a vontade de Deus
A Tradição também assinala que, três anos após o nascimento da Virgem Maria, São Joaquim e Sant’Ana A levaram ao Templo para consagrá-La ao Senhor.
A Santíssima Virgem Maria cresceu, junto de Ana e Joaquim, acompanhada pelo seu amor e pela sua fé; na casa deles, aprendeu a escutar o Senhor e a seguir sua vontade.
São Joaquim e Sant’Ana fazem parte de uma longa corrente que transmitiu a fé e o amor a Deus, no calor da família, até Maria, que acolheu em seu seio o Filho de Deus e O ofereceu ao mundo, ofereceu-O a nós.
Vemos aqui o valor precioso da família como lugar privilegiado para transmitir a fé!
São Joaquim e Sant’Ana são, assim, paradigmas daqueles que esperam contra todas as esperanças. Eles são um magnífico exemplo daqueles que, sabendo ser fiéis no esperar e confiar, recebem o cêntuplo das promessas divinas!
5. Passeando com Deus no Monte Carmelo
Uma antiga tradição indica que o Menino Jesus ia com frequência ao Monte Carmelo, Israel, para rezar e passear junto a seus pais, São José e Nossa Senhora, e seus avós, São Joaquim e Sant’Ana.
Não se pode dizer que sejam pequenos fatos, mesmo que simples, pois, narrados tradicionalmente, eles percorrem o mundo e edificam muitos corações. Eles trazem alento e encorajam a ter devoção a este insigne casal que trouxe Maria ao mundo.
As lições que Sant’Ana e São Joaquim nos trazem são de que a Divina Providência, por vezes, demora a atender, mas não falha. Quando paga, paga com juros… e que juros!
Peçamos a este casal extraordinário de Santos que a todos nós conceda a graça de sermos firmes na fidelidade: esperar, esperar, esperar; confiar, confiar, confiar. A Providência vai atender e dará bem mais do que aquilo que pedimos!
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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