Manifestações de amor e entusiasmo por Jesus e Maria
Nas vésperas de partir para a capital portuguesa, durante uma conversa com Lúcia, na qual comentavam o que lhes reservava o dia de amanhã, a pequenina pastora Jacinta demonstrou ter uma noção clara do seu futuro. Disse ela à Lúcia:
— Agora me falta pouco para ir para o Céu. Você vai ficar aqui para dizer que Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Quando for para dizer isso, não se esconda. Diga a todo mundo que Deus nos concede as graças por meio do Coração Imaculado de Maria; que as peçam a Ela. E que o Coração de Jesus quer que, a seu lado, se venere o Coração Imaculado de Maria, ao qual devem pedir a paz, porque Deus a entregou a Ela.
E, numa de suas manifestações de amor e entusiasmo, acrescentou:
— Ah! Se eu pudesse meter no coração de todo mundo o fogo que tenho cá dentro no peito, a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria!
De fato, por mais que as forças do corpo lhe faltassem, as da alma cresciam, aumentando a cada dia sua intensa devoção a Nossa Senhora e a seu Divino Filho.
“É tão bom estar com Ele!”
Um dia, Lúcia levou-a para ver uma estampa do Coração de Jesus e a ofereceu de presente. Jacinta tomou o santinho em mãos, olhou-o atentamente e disse:
— É tão feio! Não se parece nada com Nosso Senhor, que é tão bonito! Mas quero; sempre é Ele.
A partir de então, beijava-o com frequência, explicando:
— Beijo-O no Coração, que é do que mais gosto. Quem me dera também um Coração de Maria! Gostaria de ter os dois juntos.
Em outra ocasião, recebeu de presente uma estampa que trazia desenhado o sagrado cálice com uma hóstia. Pegou-a, osculou-a e, radiante de alegria, disse:
— É Jesus escondido! Gosto tanto d’Ele! Quem me dera recebê-Lo na igreja! No Céu não se comunga? Se lá se comungar, vou comungar todos os dias. Se o Anjo fosse ao hospital para me levar outra vez a Sagrada Comunhão…! Que contente que eu ficaria!
E, já que ela mesma não podia receber a Eucaristia, aproveitava as ocasiões em que Lúcia a visitava depois de ter comungado, e lhe pedia:
— Chega aqui bem junto de mim, porque você tem em seu coração a Jesus escondido.
E acrescentava:
— É tão bom estar com Ele!
Entretanto, o sofrimento de Jacinta caminhava para seu fim.
Despedida de Lúcia
No dia 21 de janeiro de 1920, a conselho de um médico famoso, foi transportada para Lisboa, onde, diziam, seria tratada num hospital dotado de bons equipamentos.
Ao se despedir de Lúcia, as lágrimas banhavam-lhe as faces e, com o coração apertado, dizia à prima:
— Nunca mais nos voltaremos a ver! Reze muito por mim, até que eu vá para o Céu. Lá, eu pedirei muito por você. Ame muito a Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, e faça muitos sacrifícios pelos pecadores.