Após o Concílio de Jerusalém, São Paulo e São Barnabé regressaram a Antioquia, onde continuaram sua ação apostólica.
Viagem missionária do Apóstolo das gentes
Certo dia, São Paulo manifestou o desejo de visitar novamente as cidades onde haviam anunciado o Evangelho, a fim de fortalecer os cristãos ali residentes.
São Barnabé quis levar consigo São Marcos, seu primo (cf. Cl 4, 10). Porém, São Paulo não concordou, pois Marcos os havia deixado anteriormente, regressando a Jerusalém (cf. At 13, 13).
Surgiu, então, tal divergência entre eles que decidiram separar-se: Barnabé partiu com Marcos para a ilha de Chipre, enquanto Paulo, tendo escolhido Silas como companheiro, seguiu por terra através da Síria e da Cilícia, confirmando as comunidades (cf. At 15, 36-41).
Convém recordar que, em sua primeira viagem missionária, ao passar por Listra – região da Ásia Menor, na atual Turquia –, São Paulo realizara um notável milagre ao curar um paralítico (cf. At 14, 8-10).
Apesar disso, instigados por judeus vindos de outras cidades, os habitantes voltaram-se contra ele, chegando a apedrejá-lo e deixá-lo como morto fora da cidade. Contudo, o Apóstolo levantou-se e prosseguiu sua missão (cf. At 14, 19-20).
Já durante esta nova viagem, ao retornar a Listra, São Paulo encontrou São Timóteo, que recebera sólida formação cristã de sua mãe e de sua avó. Reconhecendo nele um espírito fervoroso, tomou-o como companheiro de suas viagens apostólicas.
Chegando a Trôade – importante porto do mar Egeu, próximo à antiga Troia –, São Paulo teve uma visão: um homem da Macedônia suplicava-lhe que fosse em auxílio daquela região.
O texto sagrado registra: “Depois dessa visão, procuramos partir” (At 16, 10). O uso da primeira pessoa do plural indica que São Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, a partir desse momento passou a acompanhar pessoalmente o Apóstolo em suas viagens.
A casa de Lídia se torna um templo cristão
Paulo, Lucas, Silas e Timóteo foram para Filipos, uma das principais cidades da Macedônia, que possuía direitos de colônia romana (cf. At 16, 12). Encontravam-se, portanto, já na Europa.
Certo dia, São Paulo e seus companheiros se dirigiram até às margens de um rio que passava junto à cidade, onde havia algumas mulheres em oração.
Elas ali se reuniam aos sábados porque, em Filipos, os judeus eram pouco numerosos e não havia nenhuma sinagoga. Por isso costumavam se reunir junto às águas para procederem às abluções rituais.
São Paulo começou a pregar-lhes a Pessoa e a doutrina de Cristo.
Uma delas chamava-se Lídia, era natural de Tiatira e comerciante de púrpura, foi batizada com toda a sua família. Sendo abastada, ela insistiu em oferecer sua residência para hospedar o Apóstolo e seus companheiros.
“Nada de mais humilde que o primeiro auditório no qual o Evangelho foi anunciado na Europa. Era composto de algumas mulheres judias ou prosélitas, mas os missionários não as desprezaram”.
Lídia foi a primeira conquista do Cristianismo em solo europeu.
Sua casa, “transformada em igreja, tornou-se o centro de uma Cristandade numerosa e florescente”, à qual São Paulo dirigiu mais tarde a Epístola aos Filipenses.
Lídia cresceu tanto nas virtudes que atingiu a santidade. O Martirológio Romano consigna: 3 de agosto – comemoração de Santa Lídia de Tiatira, vendedora de púrpura.
Conversão de um carcereiro com toda a sua família
Ainda em Filipos, uma jovem escrava, possessa de um espírito de adivinhação, que proporcionava grande lucro a seus senhores por meio de oráculos, começou a segui-los, clamando: “Esses homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação!” (cf. Atos dos Apóstolos 16, 17).
Fatos semelhantes já haviam ocorrido com Jesus Cristo, quando espíritos malignos proclamavam, ainda que involuntariamente, a verdade a seu respeito.
Como isso se repetia por muitos dias, São Paulo, profundamente incomodado, voltou-se para a jovem e disse: “Eu te ordeno, em nome de Jesus Cristo, sai desta moça!” (cf. At 16, 18). E, no mesmo instante, o espírito saiu dela.
Seus senhores, porém, vendo desaparecer a esperança de lucro, agarraram São Paulo e São Silas e os arrastaram para a praça pública, diante das autoridades.
Apresentados aos magistrados da cidade, foram acusados e, sem maiores averiguações, mandados açoitar com varas e lançar na prisão.
À meia-noite, enquanto Paulo e Silas rezavam e cantavam hinos a Deus, sobreveio um violento terremoto, que abalou os alicerces do cárcere: todas as portas se abriram e as correntes de todos os presos se soltaram.
O carcereiro, despertando e julgando que os prisioneiros haviam fugido, puxou a espada para tirar a própria vida. Mas São Paulo bradou em alta voz que não cometesse tal ato, pois todos permaneciam ali.
Tomando uma luz, o carcereiro aproximou-se, lançou-se aos pés de Paulo e Silas e perguntou o que deveria fazer para ser salvo. Então, anunciaram-lhe a Palavra de Deus.
Naquela mesma hora da noite, o carcereiro lavou as feridas dos missionários, causadas pelos açoites; em seguida, foi batizado com todos os seus familiares. Depois, levou-os à sua residência, ofereceu-lhes alimento e alegrou-se com toda a sua casa por haver crido em Deus (cf. At 16, 33-34).
Santa Lídia, padroeira e advogada nossa
Ao sair da prisão, São Paulo e Silas se dirigiram à casa de Lídia, onde encontraram os cristãos e os encorajaram para a luta pela expansão da Igreja. Depois, partiram para outras regiões (cf. At 16, 35-40).
Que Santa Lídia nos obtenha a graça do total desapego dos bens deste mundo, utilizando-os para a glória de Deus, salvação e santificação das almas.