O santo caminha lado a lado com a honestidade
Vivemos na época dos super-heróis.
É constante o tema ser abordado em séries, filmes e textos, blogs de apreciadores ou críticos ferrenhos.
Cada um tem sua ideia sobre, procurando imaginar como um homem ou mulher, com poderes extra-sensoriais, se encaixaria na sociedade humana.
A resposta é sempre a mesma: sem uma moral bem fundamentada, tudo acaba em destruição.
Portanto, os super-homens que precisamos hoje não são os poderosos, mas são os como São Bartolomeu, apóstolo celebrado no dia 24 de agosto.
Por quê? É o que vamos explicar hoje.
Caminhada de Jesus
Nosso Senhor continuava a caminhar debaixo do sol tórrido do hemisfério norte.
Aquele que esquenta os desertos não abrandava.
A uma ordem do Filho de Deus, ele esfriaria, sabia disso; mas também sabia o sol que Ele havia escolhido Se sujeitar a seu calor e incômodo.
Os seguidores de Jesus, hoje chamado de apóstolos, caminhavam a seu lado.
Provavelmente iam de uma pregação a outra, admirando os feitos de seu Mestre.
Caminhara sobre a água, transformara esta em vinho, prometera água viva que saciaria a sede. E que sede!
Sob o sol da Judeia, iam eles ligeiramente desanimados, com o peso da tarde afetando seu caminhar.
Talvez não soubessem onde iam ficar àquela noite; caminhar com Jesus sempre foi indiretamente incerto.
Aliás, era isso que Ele pedia, em primeiro lugar: confiança na providência divina, como Ele se punha nas mãos do Pai.
Felipe talvez soubesse: mais cedo naquele dia, ele falara ao Mestre de um amigo seu, que provavelmente gostaria de conhecê-Lo.
Quem não?
Jesus curava os leprosos com uma ordem e levantava os paralíticos com um olhar.
Bastava pedir e acreditar: o resto Cristo fazia, inclusive vencer as leis da natureza.
Uma vez Felipe se lembrava d'Ele ter dito: “Para quem tem a fé do tamanho do grão de mostarda, se disser a uma montanha: ‘sai daí e atira-te ao mar’, ela irá”.
Do tamanho de um grão de mostarda, pensava ele.
Ele não movia as montanhas, portanto...
Bartolomeu encontra com o Divino Mestre
De repente, rompendo seus pensamentos, Felipe vê seu grande amigo em uma extremidade do caminho, já na entrada da cidade.
Animado, vira-se para Jesus para avisá-Lo, mas Cristo já o tinha visto.
Felipe não consegue explicar por que seu Mestre parou, mas O ouve confidenciar a seus discípulos: “Eis um israelita de verdade, sem falsidade”.
São Bartolomeu, já vindo ao encontro de Jesus, consegue ouvir o elogio que Jesus lhe fez.
Fica surpreso. Como este rabino tão profundo, tão sério, tão comovente, o conhecia?
Felipe o apresenta oficialmente: “Mestre, este é Natanael” (nome este de São Bartolomeu em hebraico, como recebera de sua mãe).
Mas esperar não era do feitio do novo convidado.
Olhando para Jesus, que o fitava, pergunta: “Mestre, de onde me conheces?”
Aqui é que o sol ligeiramente abranda.
Se ele fosse um ser consciente, teria prendido a respiração.
Mesmo o vento para ligeiramente, porque também quer saber a resposta.
Natanael, a que tudo indica, sustenta o olhar de Jesus.
Não tinha nada para se envergonhar, sabia disso.
Mas como este, que acabava de chegar em sua vila de residência, sabia?
São Bartolomeu se entrega a Cristo
“Quando estavas debaixo da figueira, Eu te vi”.
Felipe não entendeu, e esperou que seu amigo também não.
Mas o que viu lhe tocou a alma: Natanael estava ajoelhado, com os olhos cheios de lágrimas.
A partir dali, não desgrudou mais do Divino Mestre.
Esteve com Ele em todos os momentos, sucumbiu ao medo, pediu perdão e, junto com seu grande amigo Felipe, se aproximou de Nossa Senhora e recebeu junto com Ela o Pentecostes, indo pregar o evangelho aos rincões no mundo.
Hoje, mártir, São Bartolomeu é celebrado no Céu por legiões de Anjos.
O que terá feito Natanael, debaixo da figueira, que, julgando estar sozinho, deu sua certeza de fé quando Jesus lhe anunciou o momento?
Não foi algo reprovável, pois Cristo o viu, e mesmo assim o elogiara.
Deus nunca poderia pactuar com o mal, ou louvá-lo.
Que grandes questões terá percorrido Natanael no silêncio, na oração, e que fora respondida por aquela troca de olhares com Jesus?
Só poderemos saber se, por graça de Deus, algum dia encontramo-lo no Céu.
Modelo e exemplo para os homens de hoje
É deste super poder que precisamos hoje, mais do que nunca: honestidade e integridade de caráter a toda prova.
De pessoas que, no silêncio, no anonimato, façam o bem, sem precisarem de aprovação dos outros.
Precisamos de mais São Bartolomeus, de mais Natanaeis; só assim poderemos ter paz no mundo, que Santo Agostinho define como sendo a tranquilidade da ordem, ou seja, quando tudo está cumprindo seu fim, sua finalidade, aí temos a paz.
Que São Bartolomeu, este que mesmo longe dos homens continuava íntegro, nos dê esta sua virtude: uma santidade a toda prova.
Que, sendo louvado pelos Espíritos Angélicos, possamos sentir um pouco da sua alegria ao Cristo lhe anunciar que o via, que cuidava dele, mesmo na solidão.
O mundo precisa de mais homens como ele.