Santa Bertila, nascida na região de Soissons, uma das dirigidas de Santo Ouen, bispo de Ruão, foi a primeira abadessa de Chelles.

Bem jovem, já vivia sob a regra de São Columbano, no mosteiro de Jouarre, perto de Meaux, que se alevantara entre 658 e 660. Debaixo da abadessa Teodechilda, Bertilda foi uma das melhores monjas da fundação.

Quando a Rainha Batilda, assentou que organizaria um mosteiro em Chelles, recorrreu a Jouarre, e Bertila foi encarregada de presidir os trabalhos da nova casa. Ali, mais tarde, a própria soberana passou o resto da vida, submissa à doce abadessa. Santa Batilda faleceu em 680, e Bertila trinta e três anos depois, isto é, em 713.

Um dia quando Santa Bertila ainda vivia no mosteiro de Jouarre, conta-se que uma irmã, depois de lhe falar com ira, faleceu. A Santa tremeu. Que aconteceria àquela alma que assim se fora, toda em cólera contra ela? Achegou-se, depois de muita mortificação, ao lado do cadáver, e pousou, delicadamente sobre o peito da morta, uma das mãos, e rogou a Nosso Senhor que não a deixasse ir antes dum perdão formal.

No mesmo instante, a irmã abriu os olhos e fitou a companheira. Perguntou:

- Por que me fizeste voltar do caminho tão brilhante que se me estendia pela frente? Que fizeste, irmã?

Bertila, humildemente, rogou-lhe que não se fosse sem que a perdoasse; que se esquecesse do acontecido entre ambas.

- Que Deus te dê indulgência, disse então a irmã. Não guardei qualquer rancor de ti. Pelo contrário, amo-te muito, e quero convidar-te que peças a Deus por mim. Agora, deixa-me partir em paz, não me retardes mais, porque o brilhante caminho está perto. Sem tua permissão, não o ganharei.

Santa Bertila respondeu:

- Vai, então. Vai na paz de Nosso Senhor e roga por mim, doce e amável irmã.

A outra fechou os olhos e deixou de viver. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIX, p. 205-206)