No final do último mês cantávamos louvores a Santa Inês, e no começo deste celebravámos Santa Águeda. Hoje, dia 12 de fevereiro, a Santa Igreja nos apresenta Santa Eulália, outra virgem e mártir, que diante da fúria dos homens permaneceu firme, como uma casa firmada em rocha.

Se a história da pequena Eulália não nos faz comover, que nos faça ao menos pensar em nossa fé: tenho me guardado contra todos os maus ventos do demônio, do mundo e da carne?

História de Santa Eulália

Desde muito nova, Eulália deu mostras de uma intensa caridade.

Um de seus momentos favoritos com suas amigas era passear pela cidade, distribuindo alimentos aos mais necessitados. Tornou-se tão comum que muitos iam direto às portas de sua casa, e ela estava sempre lá para ajudá-los.

Tendo nascido em Barcelona, no ano de 290, Eulália gozou de uma relativa paz nos primeiros anos de vida. As perseguições ainda não tinham se transportado para lá, deixando o panorama negro e sem vida. Por ora, a menina Eulália tinha segurança ao fazer o bem.

Mas os imperadores Maximiliano e Diocleciano, não contentes em serem cruéis na Roma antiga, capital do mundo ocidental, decidiram enviar a todas as colônias juízes para exterminar quem quer que fosse cristão. Não havia julgamento: somente a pena de inúmeros tormentos.

Em Barcelona, chega o maldito Daciano, que, sem nenhum escrúpulo, põe inocentes em fogueiras.

Os pais de Eulália, então com 14 anos, sabendo da fama de cristã que sua filha possuía, levam-na a uma vila afastada do centro da cidade, na esperança de que esta tormenta de sangue não a atinja.

Decisão e enfrentamento

Eulália, porém, vê nos gestos do pai uma fuga da batalha.

À noite, tendo todos se deitado, Eulália toma um cavalo e se dirige ao tribunal para censurar o horrendo juiz.

Diante das portas do magistrado, iluminada por tochas e olhares coléricos, Eulália diz: “Quereis cristãos? Eis aqui uma”. Sem temor, a pequena afirma sua fé com tal coragem. Não deixa a raiva do juiz a assustar, não se importa com os soldados postos à porta com lanças e espadas. Afinal, Deus estava com ela, portanto ela venceria.

Aí se configura uma lição para nós: estamos buscando agradar a Deus ou aos homens?

Se alguma vez fiquei com medo de demonstrar minha fé, minha crença, preciso pedir perdão ao Senhor e rogar a Santa Eulália que me empreste um pouco de sua coragem.

O juiz Daciano pôs sal e incenso em suas mãos para que os oferecesse ao ídolo.

Eulália não só atirou ao chão o material, como chegou perto do ídolo e o derrubou, provando mais uma vez sua decisão.

O homem, encolerizado com aquela jovem de 14 anos, mandou prendê-la em uma cruz em “X” e a açoitá-la inúmeras vezes.

Em tal tormento, a única exclamação de Eulália foi: “Agora me pareço ainda mais com meu Senhor, Jesus Cristo”.

Tendo visto que Eulália não mudaria de opinião, o juiz a ameaçou de morte na fogueira. Assim foi feito. Era o dia 12 de fevereiro de 304.

Exemplo para os cristãos

Morre Eulália, sofrendo terrível agonia, mas hoje reluz no Céu como uma estrela em cortejo com outras grandes virgens e mártires da fé.

Morre Daciano, perseguidor, insensível e desesperado: oxalá tenha ele se arrependido de suas crueldades, senão o fogo eterno o consome.

Quem iremos seguir?

Não vale a pena aguentar todos os tormentos da terra por uma eternidade feliz?

E muitas vezes nem são cruzes nem fogueiras; são apenas uns colegas mal-educados, um trabalho enfadonho.

Mas não importa, pois o sofrimento bem aceito, qualquer que seja ele, nos leva ao Céu.

Que Santa Eulália guie nossos passos por esse caminho, para que um dia possamos, pessoalmente, agradecer-lhe no Paraíso da glória imperecível.