SANTA JOANA DE PORTUGAL, Virgem
Joana era filha de Afonso V, décimo-segundo rei de Portugal, apelidado o Africano, filho de Dom Duarte. Tendo vivido na
corte, praticou as mais altas virtudes cristãs. Apenas se lembrava dos sofrimentos de Nosso Senhor, lágrimas sem conta banhavam-se as faces e soluços infindos sacudiam-lhe o corpo. Debaixo das ricas vestimentas que era obrigada a envergar, ninguém podia adivinhar os instrumentos austeros que trazia apertadamente aderidos à carne. Doce e compassiva, humilde e amorosa, vivia interessada por toda a sorte de misérias, procurando-as no próximo e tudo fazendo para suavizá-las.
Muitos príncipes pediram-lhe a mão, insistentemente, mas a todos, fiel ao Cristo, negou-a com firme determinação. Encerrando-se no mosteiro de Aveiro, da Ordem de São Domingos, pela humildade e pronta obediência ninguém havia de dizer que ali se encontrava uma filha de reis.
Santa Joana trabalhou com grande afinco na conversão das almas, toda temerosa que vivia com a sorte dos pecadores. A redenção dos cativos da África, porém, foi sua obra predileta.
Acometida por longa e dolorosa doença, a qual suportou com infinitos de paciência com indizível resignação, Santa Joana de Portugal faleceu a 12 de Maio de 1490, tornando-se, em breve, padroeira de Aveiro.
Inocêncio XII, permitiu às Igrejas de Portugal e aos irmãos pregadores que lhe celebrassem a festa nos dias 12 de Maio de cada ano.
(Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume VIII, p. 299-300)
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SÃO PANCRÁCIO, Adolescente - Mártir
Filho de Cledônio, cognominado o Frígio, Pancrácio, muito jovem, perdeu o pai e foi recolhido por um dos tios, Dionísio, que o educou cristamente, embora ainda fosse catecúmeno.
Era no tempo de Valeriano e de Galiano, e, quando Pancrácio completou catorze anos, tio e sobrinho buscaram Roma, onde acabaram por instruir-se na religião cristã e receberam o batismo.
Data daqueles dias o desejo que ambos conceberam de verter o sangue por Nosso Senhor Jesus Cristo, Redentor nosso. Dionísio, todavia, pouco depois, falecia sem poder satisfazer aquela alta pretensão.
Quanto a Pancrácio, visto como cristão, foi preso à presença do imperador Diocleciano, o qual, em vão, procurou levar o jovem a apostatar, sacrificando aos ídolos.
Irritadíssimo com a persistência do generoso menino-moço, e com as seguras respostas que lhe dava, sem titubear, o imperador ordenou que lhe decepassem a cabeça, o que sucedeu na Via Aureliana, no dia 12 de Maio do ano da graça de 304.
Otávia, uma santa mulher, prontamente apoderou-se do corpo da vítima e o sepultou naquela mesma via.
Hoje, Roma possui uma igreja de São Pancrácio - São Pancrácio fora dos muros - onde, segundo São Gregório de Tours, os que ali prestam solene juramente e o fazem falsamente, são imediatamente mortos ou então tomados pelo demônio.
São Pancrácio, depois de 1517, tornou-se um título cardinalício. Na França, tornou-se tão famoso e tão querido, que, com o correr dos séculos, o nome foi-se transformando, desfigurando: Planchais, Planchat, Plancher, Branchais, Blancat, e outros mais ou menos semelhantes. Assim na Itália, onde é chamado Brancas, Brancaccio, etc.
Fotos: santiebeati.it
(Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume VIII, p. 301-302)