Celebramos hoje duas das colunas que são o sustento da Santa Igreja Católica: São Filipe e São Tiago, Apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Temos algumas referências dos dois no Evangelho, que demonstram o caráter e retidão, antes mesmo da vinda de Pentecostes.
São Filipe, apóstolo de Apóstolos
O ilustre Felipe foi chamado por Nosso Senhor, segundo as Sagradas Escrituras, no mesmo dia em que São Pedro e Santo André também foram convidados a serem pescadores de homens.
Isto mostra a predileção que Jesus tinha por Filipe, que se tornou responsável por chamar Natanael, seu grande amigo, aquele a quem Cristo proferiu: “Eis um israelita de verdade, sem falsidade!” (Jo 1, 47).
Hoje invocamos Natanael como São Bartolomeu, e, se este era honesto e sem hipocrisia, seus amigos também compartilhavam de sua veracidade, pois nada mais aborrece o honesto do que a mentira.
Portanto, este mesmo elogio feito a São Bartolomeu por Cristo pode ser aplicado a São Filipe.
Em uma das multiplicações dos pães e peixes, é São Filipe quem, preocupado com a multidão, pergunta: “Senhor, como havemos de alimentar o povo?” (cf. Jo 6, 5).
Em outra passagem, nota-se que um grupo de gregos queria ver Jesus, e é São Filipe e Santo André que os encorajam e os apresentam para Nosso Senhor (cf. Jo 12, 20-22).
Tal zelo pelos outros denota a caridade de São Filipe, que já estendia, mesmo aos pagãos, a bênção de Nosso Senhor. É por isso que o Apóstolo Filipe é muito estimado na Grécia, sendo um grande padroeiro para a nação-berço da Filosofia ocidental.
Um fato curioso da vida de São Filipe, narrado por escritores contemporâneos seus, é que o Apóstolo foi chamado por Jesus já sendo casado e com três filhas. Portanto, o seu alistamento na fileira dos Apóstolos, consentido por sua família, não veio sem dor.
Seu falecimento é situado por volta dos anos 80 e teria acontecido em Hirápolis, em terras da antiga Grécia, tornando o laço que o une ao povo ainda mais palpável. Teria sido lapidado e sepultado por seus perseguidores, que odiavam a Fé Cristã e suas maravilhas.
São Tiago, parecido fisicamente com Jesus
O Apóstolo que celebramos hoje é conhecido como Tiago Menor, para não ser confundido com outro dos Apóstolos, Tiago Maior, irmão de João.
Essa denominação se refere em virtude dos mistérios que São Tiago Maior teve a possibilidade de contemplar, como a Transfiguração e a vigília no Horto das Oliveiras.
Porém, em questão de santidade, os dois Tiagos “batem todas as metas” e atingem prodigiosos resultados.
São Tiago Menor era parente de Jesus, e mais dois de seus irmãos também eram Apóstolos, São Judas Tadeu e São Simão.
Os relatos indicam que São Tiago Menor era parecidíssimo com Nosso Senhor, por ser seu primo direto, e que era possível confundir os dois. Essa é uma das razões por que Judas, o traidor, precisou identificar quem era Jesus para os romanos.
Sua presença no Evangelho não é tão manifesta, até porque ele foi convidado por Cristo já no seu segundo ano de vida pública.
Alguns autores identificam que Jesus teria aparecido exclusivamente para ele após a Ressurreição, deixando-lhe, como encargo, o pastoreio da Igreja de Jerusalém.
Notamos essa função de São Tiago Menor já nos Atos dos Apóstolos, quando se diz que “Tiago, Cefas e João eram sustentáculos da Igreja”.
De sua autoria, temos a Carta de São Tiago, em que ele põe os pingos nos “is” para cancelar de vez todas as heresias sobre a fé no futuro: “A fé sem as obras é morta” (Tg 2, 26).
É por isso que Lutero, para validar sua doutrina errônea, precisa tirar seu livro da Bíblia, mutilando-a e, junto com ela, a Tradição inteira.
São Tiago Menor foi martirizado pelos judeus. O ano era 62, sendo apedrejado. Tinha 96 anos, um ancião que sequer foi respeitado pela sua extrema idade.
Como Jesus, seu divino primo, São Tiago também disse antes de morrer: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.
Oito anos depois de morto, aconteceu o Cerco de Jerusalém, quando muitos considerara os horrendos fatos como um castigo pela morte do Santo Bispo.
São Filipe e São Tiago, Apóstolos
São Filipe, em certo momento, faz um pedido a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta”. Cristo lhe responde: “Filipe, quem Me vê, vê o Pai” (cf. Jo 14, 8-9). Esta passagem foi fonte de estudos para toda a Teologia, ajudando a estabelecer melhor o mistério da Santíssima Trindade.
Assim, notamos que, na obra completa de Nosso Senhor, cada Apóstolo tinha uma missão específica, um chamado particular para realizar diversos feitos.
São Filipe e São Tiago permanecem em nosso coração como tendo cumprido este desígnio, sendo fiéis e extremamente generosos.
Ambos não podiam ter um destino mais diferente: um ficou com o encargo de evangelizar os gregos, o outro de preservar o que havia de bom nos hebreus.
Mas a festa dos dois, São Filipe e São Tiago, é comemorada no mesmo dia para nos testemunhar que, na grande messe do Senhor, cada trabalho conta, cada pequeno grão tem sua importância.
Peçamos aos Apóstolos São Filipe e São Tiago discernimento para entender nossa vocação e constância em cumpri-la, para a glória de Deus.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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