A humanidade tem uma forma de medir o sucesso. Muitas vezes é pela aprovação dos demais, pelas riquezas conquistadas ou pelas metas batidas…
Como Deus, porém, vê o sucesso de seus filhos? Quais são os parâmetros pelos quais Ele julga e decreta um homem vitorioso?
Hoje, com São Luís Rei, iremos descobrir.
Vida do monarca cristão
São Luís IX foi modelo de virtudes e um governador exemplar.
Zelou pelas leis da França e se tornou um arauto da paz, buscando consolidar e definir os limites territoriais das nações europeias sem egoísmos ou ganância.
Conta a história que, em determinado momento, São Luís Rei tomou a decisão de se postar sempre à sombra de um imenso carvalho que havia nas proximidades do palácio, e lá ouvir todos os que se apresentavam, qual fosse sua condição ou problema.
Um dos fatos elucidados por este juiz comum foi a causa de um funcionário acusado de roupar as moedas de seu patrão, que fazia a contabilidade de muitos senhores nobres.
No fim, o impostor foi descoberto: o mordomo, pelas mãos azeitadas dos líquidos com que o contador lavava as moedas, foi culpabilizado por apresentar esta infalível circunstância.
Além de São Luís Rei, temos também a figura de sua mãe, Branca de Castela, que assumiu a regência do trono francês quando seu filho estava longe.
Muitas vezes confidenciou, como ensinamento, a ele: “Prefiro ver-te morto a cometer um pecado”, pois entendia a gravidade de uma falta contra o Altíssimo.
Muitos e abundantes foram os fatos que atestaram a santidade de São Luís IX.
Cruzadas lideradas por São Luís Rei
São Luís Rei aceitou o encargo que lhe pairava sobre os ombros de libertar a Terra Santa, que há muito vinha sendo usurpada pelos inimigos da Fé.
Seu coração de cruzado ardia sob a púrpura real e, quando uma nova cruzada foi convocada, ninguém duvidou que o mais capaz de conduzi-la seria o monarca francês. Ela se iniciou em 1247.
São Luís IX conseguiu reunir um admirável exército que contava com a força de 35 mil homens.
Em 1249, o exército de cruzados comandado por Luís IX recuperou a região de Damietta, no Egito, e conseguiu fazer dela sua base militar, de onde comandaria as próximas batalhas.
Porém, os cristãos foram surpreendidos por uma inundação do Nilo, a partir da qual os muçulmanos aproveitaram para se apoderar das provisões alimentares dos cruzados, gerando fome e doenças como o escorbuto.
Estas derrocadas acabaram por desanimar grande parte do exército de São Luís, que viu o ideal da conquista do Santo Sepulcro um tanto longe para ser alcançado ainda naquele ano.
Ao montar uma retirada estratégica, o monarca francês foi tomado como prisioneiro em Mansurá pelos muçulmanos.
Tendo seu líder como prisioneiro, os cavaleiros cristãos fugiram e a negociação pela libertação do rei fez regredir todas as conquistas de sua expedição no Oriente. Além disso, foi pago um volumoso resgate no valor de 800 mil peças de ouro.
Enquanto esteve preso, o irmão de Luís IX, Roberto de Artois, tentou reconquistar a cidade por via do combate, mas foi derrotado por sua imprudência, tornando o fracasso dos cristãos em terras orientais ainda mais amargo.
Após São Luís Rei ser liberado, seguiu para a Palestina acompanhado por seu outro irmão, Carlos d’Anjou, e lá permaneceu por quatro anos negociando a liberação de prisioneiros cristãos e promovendo um grande esforço para fortificar as cidades fracas do Levante.
Ao regressar em 1254 à Europa, São Luís recebe uma desoladora notícia: sua mãe, Branca de Castela, regente em sua ausência, havia falecido.
Mas o pior ainda estava por vir: organizando uma segunda cruzada, a oitava da História, em 1270, São Luís partiu para o Oriente Médio apenas para seu ato final: tendo derrubado a guarnição inimiga de Túnis, entrincheirou-se na cidade com seu exército para ser sitiado por uma grande força muçulmana.
Foi ali, em 1271, que, tendo contraído a peste por causa das más condições de salubridade, caiu morto São Luís Rei, o IX de sua linhagem.
Vitória de Deus, vitória dos homens
Considerando apenas uma visão materialista, as cruzadas regidas por São Luís Rei foram todas um fracasso.
Como ele pode ser considerado um Santo vitorioso? Não padeceu ele das desolações humanas?
Com certeza…
São Luís, com a alma de guerreiro que caracteriza o cristão, deve ter passado funestos momentos ao perceber que não venceria. E, nesta “hora escura”, quando o Santo não compreendia a vontade de Deus, mas a aceitava de bom coração, ele venceu.
Quais terão sido as providências divinas para as sacrossantas guerras, nós não sabemos.
Terão sido imprudências humanas que atrapalharam o plano divino? Bem poderíamos dizer que sim.
Mas falha de homem algum é suficiente para tirar dos trilhos a vontade de Deus.
Ou seja, se a sétima e a oitava cruzada não alcançaram seu objetivo, foi porque o Senhor tinha outros desejos, os quais só conheceremos no dia do Juízo Final.
O que nos basta entender hoje é que o sofrimento do Santo, do cristão, é a maior oração que Deus deseja.
Ver-se movido pelos ideais certos, pelos motivos certos, pelas intenções certas, e, mesmo assim, aceitar que estes não vão se concretizar porque ainda não é a hora.
É como o grão de incenso que, somente quando posto na brasa e se desfazendo, solta seu verdadeiro perfume.
Peçamos a São Luís Rei, em seu dia de celebração, esta confiança que o inspirou: mesmo parecendo fracassar, ele triunfou. É o que diz o versículo da Sagrada Escritura:
Aparentemente estão mortos aos olhos dos insensatos: seu desenlace é julgado como uma desgraça, e sua morte como uma destruição, quando na verdade estão na paz! Se aos olhos dos homens suportaram uma correção, a esperança deles era portadora de imortalidade, e por terem sofrido um pouco, receberão grandes bens, porque Deus, que os provou, achou-os dignos de Si (Sb 3, 2-5).