Santo e pastor, diplomata e intelectual – todas essas são características de Beato Urbano V.

Ele foi um importante marco na Igreja do Senhor em anos obscuros, quando a autoridade eclesiástica estava sendo muito contestada.

Antes de ingressar na vida monástica, Guillaume, seu nome antes de tomar o título de Urbano, se formou em direito com louvor na Universidade de Montpellier e também em Avignon, na França. Era brilhante, tanto em memória para leis quanto em locução para as expressões de causa.

Mas ele não permaneceu muito tempo disposto a galgar os degraus da glória mundana. Trocou a toga de direito pelo hábito beneditino, procurando a felicidade da Pátria Celeste já aqui na terra.

Como Papa, Urbano V é exemplo de dedicação

Guillaume foi professor, e sua humildade e exemplo precediam sua intelectualidade.

Generoso e com uma boa educação, nasceu em berço de nobre família e foi designado pelo Papa Inocêncio IV para missões diplomáticas.

Deus dá aquilo que se pede, enquanto o demônio tira aquilo que promete.

Pedindo ao Senhor que Guillaume abandonasse o prestígio advocatício, prescreveu a seu servo outra glória ainda mais notória: o Papado. Uma honra e uma cruz, que agora Urbano V tomaria com cuidado e frutificaria em dádiva a Nosso Senhor.

Era tanto o reconhecimento do santo monge beneditino na Cristandade, que foi eleito Papa mesmo sem ser Cardeal. Aceitando o título, Urbano V se sentou na sede pontifícia e trouxe ao sólio papal um reconhecimento virtuoso que havia deixado de existir.

Em seu pontificado, Urbano V realizou coisas admiráveis, entre elas citamos as principais: uma reforma profunda na corte romana eclesiástica, naquela época com escândalos e corrupções.

O Beato procurou inculcar a moral abandonada e zelar pela atuação de Cardeais e Bispos próximos ao trono pontifício.

Por outro lado, a pedido do próprio rei polonês, edificou a Universidade de Cracóvia; também fundou o colégio médico junto à Universidade de Montpellier, onde havia se formado, custeando mesmo bolsas para estudantes pobres.

No campo militar, Urbano V proclamou uma das cruzadas, indo contra a crueldade dos turcos que invadiam a Europa.

No terreno religioso, deu especial atenção às missões em regiões europeias ainda não evangelizadas, como a Romênia e Bulgária. Também quis a formação religiosa da longínqua Mongólia, na Ásia, e não mediu esforços para que isso acontecesse.

O Santo Padre retorna a Roma

Por último e não menos importante, Beato Urbano V quis trazer a sede papal para Roma novamente.

Em 1307, o rei francês Felipe, o Belo, por pressão militar, levou o Papa da época a residir em Avignon, cidade francesa.

Assim, em 1367, sessenta anos depois, Beato Urbano conseguiu ir residir com a corte pontifícia novamente em Roma.

Infelizmente, não esteve muito tempo no Papado para empreender ainda mais reformas santas. Foram apenas oito anos no trono de Pedro, e, em 1370, no dia 19 de dezembro, o Santo Padre falecia em Avignon, pois sua conquista de voltar à sede romana não durara muito.

Urbano V foi um luzeiro de virtude e dons do Espírito Santo para a época em que viveu. A Santa Igreja tinha decaído muito devido ao Humanismo, e, alguns anos após sua morte, sofreria o cisma e a divisão.

Com certeza, o exemplo de Beato Urbano foi essencial para que as nações não perdessem a fé no representante de Cristo na Terra.