“Pai, manifestei o vosso Nome aos homens, e agora venho a Vós!”
Um Santo é aquele que pratica as virtudes e a Lei de Deus de modo heroico.
Através de alguns acontecimentos da vida de São Bernardino, nascido a 8 de setembro de 1380, na celebração da natividade da Santa Virgem, percebemos o seu zelo pelos dons que Deus lhe concedera e a força de alma dele para conservar, em si, a graça divina sem pactuar com o pecado.
Pureza e modéstia
Um dos principais habitantes da cidade lhe fez, certa vez, na praça, uma proposta indecente, e Bernardino deu-lhe tamanho murro no queixo, que a notícia se espalhou por toda a praça.
O cidadão, tornado irrisão de todos os espectadores, retirou-se confuso e corrigiu-se do mau hábito. Muitos anos mais tarde, quando escutava Bernardino pregando ao povo na mesma praça, viram-no com os olhos rasos em lágrimas à recordação das faltas passadas.
Outra vez, um libertino vindo de fora, apaixonado pela beleza de Bernardino, ousou fazer-lhe propostas indecorosas. Bernardino repeliu-o com horror, mas o miserável voltava sempre à carga.
Então, o Santo pediu aos camaradas que enchessem os bolsos de pedras; e, na primeira ocasião, perseguiam o libertino a pedradas e feroz gritaria, por meio de ruas e praças, de sorte que ele se acreditou feliz por escapar à morte.
Essas disposições de Bernardino eram tão conhecidas e sua presença inspirava tanto respeito que, quando aparecia entre os jovens, toda conversação indecente cessava.
“Silêncio!” – diziam os mais dissolutos – “Eis que vem Bernardino!”
Zelo pela doutrina e conforto na pregação
Bernardino, eleito em 1438 como Vigário-Geral da ordem, estabeleceu uma reforma rigorosa entre os franciscanos de estrita observância da Itália.
Cinco anos após, porém, pediu para ser dispensado do cargo, mas continuou a pregar em várias cidades e províncias.
Fez gerar grandes frutos na Romanha, em Ferrara e na Lombardia.
Recusou vários bispados, entre eles o de Siena, dizendo, como São Paulo, que o Senhor o havia enviado não para batizar, mas para pregar o Evangelho.
Enviou zelos missionários para diversas partes do Oriente, no Egito, na Etiópia, na Assíria e na Índia. Foi o que trouxe tantas embaixadas longínquas, entre as quais a da Etiópia, ao Concílio Ecumênico de Florença, para reunir-se à Igreja Romana.
Entretanto, a doutrina de São Bernardino foi levada à Santa Sé como suspeita; mas bem examinada, foi reputada tão santa quanto sua vida. Por outro lado, suas predicações eram acompanhadas de muitos milagres.
Voltou a Siena em 1444.
No fim do inverno do mesmo ano, dirigiu-se a Massa, onde fez discurso profundíssimo sobre a união da caridade cristã.
Os prenúncios de uma febre maligna não lograram obumbrar-lhe a vivacidade do zelo. Afinal, sucumbiu sob a violência da enfermidade e foi obrigado a acamar-se, indo a Áquila, nos Abruzos.
Prenunciado por São Vicente, São Bernardino se torna luz da Igreja
Um dia, São Vicente Ferrer pregava aos habitantes de Alexandria, no Piemonte, e interrompeu-se subitamente, dizendo aos ouvintes:
Sabeis, meus filhos, que há entre vós um religioso da ordem dos frades menores, que, dentro em pouco, será um homem célebre em toda a Itália; por sua doutrina e seus exemplos advirão grandes frutos para o povo cristão.
E conquanto seja jovem, e eu alquebrado pela velhice, entretanto chegará o tempo em que será preferido a mim nas honras da Igreja Romana.
Exorto-vos, pois, a render graças a Deus e de orar para que aconteça para a utilidade do povo cristão o que me acaba de ser revelado.
E porque assim será, voltarei a pregar nas Gálias e na Espanha; quanto aos povos da Itália aos quais ainda não preguei, é a ele que vos deixo para instruir.
Assim falando, São Vicente retomou o fio de seu discurso.
Este frade menor que, mais jovem, lhe seria preferido em honra na Igreja Romana, ali seria canonizado por primeiro: São Bernardino de Siena.
Este recebeu os Santos Sacramentos da Igreja em 20 de maio de 1444, véspera da Ascensão.
Com a idade de sessenta e quatro anos, sentindo aproximar-se a morte, mandou que o colocassem sobre a terra e, elevando os olhos ao Céu, entregou a alma a Deus, ao mesmo tempo em que entoavam esta antífona das primeiras vésperas: “Pai, manifestei o vosso Nome aos homens, e agora venho a Vós!”