De fato, quatro décadas depois, no fim de 1870, a França e a Alemanha se enfrentaram num sangrento conflito, em que a superioridade de armamentos e de disciplina militar deram às forças germânicas uma fulminante vitória sobre o mal treinado exército francês.
Em consequência da derrota, novas convulsões político-sociais arrebentaram em Paris, perpetradas por um movimento conhecido sob o nome de “Comuna”.
Tais desordens deram lugar a outras violentas perseguições religiosas.
Conforme Nossa Senhora previra, foi fuzilado no cárcere o Arcebispo de Paris, Monsenhor Darboy. Pouco depois, os rebeldes assassinaram vinte dominicanos e outros reféns, clérigos e soldados.
Entretanto, os lazaristas e as filhas da caridade mais uma vez atravessaram incólumes esse período de terror, exatamente como a Santíssima Virgem prometera a Santa Catarina: “Minha filha, conhecereis minha visita e a proteção de Deus e de São Vicente sobre as duas comunidades. Mas, não se dará o mesmo com outras congregações”.
Enquanto as demais irmãs eram tomadas de pavor em meio aos insultos, injúrias e perseguições dos anarquistas da Comuna, Santa Catarina era a única a não ter medo: “Esperai – dizia –, a Virgem velará por nós… Não nos acontecerá nenhum mal!”
E mesmo quando os desordeiros invadiram o convento das filhas da caridade e as expulsaram de lá, a santa vidente não apenas assegurou à superiora que a própria Santíssima Virgem guardaria a casa intacta, mas previu que todas estariam de volta dentro de um mês, para celebrar a festa da realeza de Maria.
Ao retirar-se, Santa Catarina apanhou a coroa da imagem do jardim e disse a Ela: “Eu voltarei para Vos coroar no dia 31 de maio”.
Estas e outras revelações concernentes à Revolução da Comuna realizaram-se pontualmente, conforme foram anunciadas quarenta anos antes por Nossa Senhora.
Mas retrocedamos àquela bendita noite de julho de 1830, na capela da Rue du Bac.
Após o encontro com a Mãe de Deus, Santa Catarina não cabia em si de tanta consolação e alegria.
Ela recordaria mais tarde:
Não sei quanto tempo lá permaneci. Tudo o que sei é que, quando Nossa Senhora partiu, tive a impressão de que algo se apagava, e apenas percebi uma espécie de sombra que se dirigia para o lado da galeria, fazendo o mesmo percurso pelo qual Ela havia chegado.
Levantei-me dos degraus do altar e vi o menino onde ele havia ficado. Disse-me: “Ela partiu”.
Retomamos o mesmo caminho, de novo todo iluminado, o menino conservando-se à minha esquerda.
Creio que era meu Anjo da Guarda, que se tornara visível para me fazer contemplar a Santíssima Virgem, atendendo as insistentes súplicas que eu lhe fizera neste sentido.
Ele estava vestido de branco e levava consigo uma luz miraculosa, ou seja, estava resplandecente de luz. Sua idade girava em torno de quatro ou cinco anos.
Retornando a meu leito (eram duas horas da manhã, pois ouvi soar a hora), não consegui mais dormir…