Nossa Senhora não só nos amou a ponto de entregar intencionalmente seu Divino Filho; Ela quis ser Mãe de todos os fiéis, e não há uma festa em sua honra que represente tanto esta atenção e amor do que a comemoração do perpétuo socorro de Maria.
Este quadro, consignado nas brumas do tempo, tem simbologias e histórias que impressionam os fiéis.
No artigo de hoje, vamos acompanhar algum dos momentos em que Nossa Senhora Se desdobrou de maneira especial na história humana, aplicando este perpétuo socorro que nem tempo, passado e futuro puderam conter.
Elias e a nuvenzinha
O grande profeta teve um papel importantíssimo na vitória do Deus de Israel contra as adorações pagãs.
Depois de profetizar ao Rei Acab que não choveria na terra prometida até a conversão do coração da casa real, retirou-se ao Monte Carmelo para aguardar os desígnios divinos.
De lá, acompanhou o desenrolar dos acontecimentos, até mesmo o pedido de perdão do rei hebreu.
Assim, sem ter chovido nenhuma gota por mais de três anos na Terra Sagrada, Elias se pôs a rezar a Deus para que o castigo findasse.
O céu se estendia azul numa distância enorme, até perder de vista a imensidão da abóbada celeste. Quando, como em um passe de mágica, Santo Elias divisou uma nuvenzinha branca, pequenina, no meio da eternidade azul.
Assim, apontou para ela, dizendo que haveria chover, e chover torrencialmente. Mandou seu discípulo avisar o monarca, antes que a intempérie o detivesse no caminho.
Rapidamente, o céu se preencheu de nuvens e, agora todo cinza, trovejou, e a água aguardada caiu sobre o povo eleito.
Esta nuvem foi venerada pelo profeta de fogo, que entendeu que o Cristo, a água que regaria e curaria a terra, seria precedida por uma santidade especial.
Sem saber, Elias foi o primeiro devoto de Maria, e, mesmo antes de existir, o perpétuo socorro de Nossa Senhora já estava representado naquela pequenina nuvem branca, que não abandonou os homens quando eles pediram.
Daí decorreu o título Nossa Senhora do Monte Carmelo, a padroeira dos carmelitas.
São Tiago e o pilar
Este Apóstolo, que foi muito provado, teve a missão de evangelizar a Espanha, terra dos godos.
Logo que o Colégio Apostólico se dividiu, o irmão de São João foi pego como prisioneiro, posto numa embarcação romana, que, naufragando, deixou-o à deriva.
Ele providencialmente aportou nas terras da Hispânia, colônia da Grande Roma. Lá, não conseguiu um fruto sequer.
Pouquíssimas conversões, e que iam se fraudando conforme uma perseguição começava, já que os dominadores de lá não o queriam por perto.
Desolado com o avanço de sua missão, São Tiago sentou-se à beira de um rio para descansar. Inesperadamente, do céu, abrem-se as nuvens e desce Maria, a Mãe de Jesus! Ela vinha apoiada em um bonito pilar e trazia consolo para o Apóstolo.
Na conversa que tiveram, Nossa Senhora pediu que ele retornasse a Jerusalém, pois chegara a hora de dar testemunho com sua própria vida. Além disso, comentou que, após sua morte, a terra que São Tiago evangelizara frutificaria de almas fervorosas e santas.
Notem que Nossa Senhora ainda estava viva, pois ainda não tinha sido assunta ao Céu! Portanto, nem sequer as limitações terrestres A impediram de espalhar o seu perpétuo socorro.
As terras de Hispânia se tornaram os reinos de Portugal e Espanha, que, não bastando as suas dimensões, foram responsáveis pela conversão de todo o Novo Mundo.
Dessa aparição decorre o título de Nossa Senhora do Pilar.
São Pio V e a Batalha de Lepanto
As condições, na Guerra de Lepanto, estavam extremamente desfavoráveis à Cristandade.
Considerando apenas as estatísticas humanas, a batalha já estava ganha do lado dos turcos, que tinham prometido destruir toda a Basílica de São Pedro e fazer daquela área um cocho para seus cavalos pastarem.
Mas Nossa Senhora não deixaria de ajudar seus filhos.
No calor da guerra, muitos foram os relatos, tanto do lado cristão como do lado muçulmano, de uma Senhora toda vestida de armadura, com um pequeno Menino em seus braços, que flutuava acima da nau capitânia dos cristãos.
Os relatos de terror e assombro dos turcos passaram para o Ocidente, e ficou patente o perpétuo socorro de Nossa Senhora nesta ocasião, protegendo a Cristandade.
Se a Igreja tivesse sido derrotada nesta batalha, com certeza todos os novos continentes, que passavam pelas evangelizações das grandes navegações, estariam hoje sob o jugo de Maomé.
O Papa São Pio V, que rezou durante todo o último dia de confronto, acrescentou um novo título a Nossa Senhora: Auxiliadora dos Cristãos.
Santos pastorinhos, Fátima e o perpétuo socorro de Maria
Por último, podemos elencar as visitas de Nossa Senhora em Fátima como um dos perpétuos socorros mais extremos da história humana.
Em todas as aparições da Virgem, nenhuma foi tão veemente como em Fátima, no pedido da conversão humana.
Nossa Senhora, do seu trono, viu as abominações e pecados humanos, e viu Deus Se preparando para intervir. Sabendo disso, veio pelo menos mais uma vez à humanidade a fim de nos alertar.
E mais, não só fez isto, como também pediu a Nosso Senhor que nos desse a vitória. Sim, Ela nos prometeu: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.
Portanto, aqueles que estiverem com Ela verão uma nova aurora raiar, fruto de seu perpétuo socorro: o Reino de Maria.