Maria, não contente de nos procurar a vida da graça, se compraz em nos socorrer também nos perigos que ameaçam nossa vida natural. Quantos enfermos Lhe devem sua cura! Quantos infelizes expostos a um risco de morte inevitável foram salvos por Ela! (...)
Permiti-vos de vos citar um antigo fato, pouco conhecido. Um Padre da Eslovênia, devotíssimo da Santíssima Virgem, deixou seu país para se dirigir em peregrinação a Nossa
Senhora de Loreto. Teve ele a infelicidade durante o curso de sua viagem, de cair entre as mãos dos turcos que infestavam as costas da Itália. Como não cessasse de invocar Maria e de dizer que A amava de todo seu coração, os infiéis lhe abriram o peito, arrancaram-lhe o coração e lho entregaram, ordenando-lhe de ir oferecê-lo, ele mesmo, Àquela que tanto amava.
Oh! Milagre! Esse fiel servidor de Maria não morreu. Aproveitando a liberdade que lhe deram seus carrascos, pode se arrastar alguns dias e chegar a Loreto. Depositou seu coração (ainda incorrupto) aos pés do altar de Maria, recebeu a Sagrada Comunhão e expirou.
Eis como Maria é Mãe da vida. Ela, por um retumbante milagre, contrariando todas as leis da natureza, conservou a vida de seu bem-amado servidor, o bastante para que ele pudesse cumprir seu voto.
Maria é, portanto, a Mãe da vida temporal, espiritual e eterna, que Ela nos alcança com sua intercessão.
(Pe. Z.-C. Jourdain, Sommes dês Grandeurs de Marie, t. V., pp. 123-24)
(CLÁ DIAS, JOÃO. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado. Artpress. São Paulo, 1997, pp. 105)