Cidade do Vaticano (Sexta, 26-12-2008, Gaudium Press) Dirigindo-se a milhares de fiéis de todo o mundo que acompanhavam in loco e ao vivo, pela televisão, o papa Bento XVI falou, na homilia da tradicional Missa do Galo da noite de Natal, sobre a pureza das crianças e a importância da vinda de Deus como o Menino de Belém.

Na homilia, o Papa destacou que "o Criador do universo, Aquele que tudo guia, está muito longe de nós: assim parece ao início. Mas, depois, nasce a experiência surpreendente: Aquele que não é comparável a ninguém, olha para baixo e se inclina para nós. Ele vem como criança na miséria de um curral, símbolo de toda a necessidade e estado de abandono dos homens. Deus se coloca em condição de total dependência, própria de um ser humano recém-nascido."

Segundo o discurso do sumo-pontífice o Natal propicia que as pessoas de aproximem do Menino de Belém, "Deus que, por nós, quis se tornar criança". "Em cada criança se reflete o Menino de Belém e todas elas precisam do nosso amor".

A homilia continua com um pedido de intercessão e de combate a qualquer forma de abuso infantil: "Pensemos, pois, nesta noite, de modo particular também naquelas crianças as quais é recusado o amor dos pais; nos meninos de rua, que não têm um lar doméstico; nas crianças que são brutalmente usadas como soldados e instrumentos de violência, ao invés de serem portadoras da reconciliação e de paz; nas crianças que, através da indústria da pornografia e de todas as outras formas abomináveis de abuso, são feridas até ao fundo da sua alma".

O Menino de Belém, afirmou o Pontífice, é um renovado apelo para que acabe a tribulação de tais crianças; para que a luz de Belém toque os corações dos homens. "Somente através da conversão dos corações, somente através de uma mudança no íntimo do homem se pode superar a causa de todo o mal. O mundo poderá mudar se os homens mudarem; e, para que os homens mudem, é preciso da luz que vem de Deus, daquela luz que brilhou na nossa noite".

Ao concluir, o papa falou sobre a violência no Oriente Médio - "terra onde Jesus viveu e que amor profundamente" - e pediu: "Peçamos-lhe para que lá possa reinar a paz, cessar o ódio e a violência; que ele desperte a compreensão recíproca e abra os corações e as fronteiras. Que ali desça a paz que os anjos cantaram naquela noite!."

Urbi et Orbe

Na também tradicional benção "Urbi et Orbe" (À cidade e ao mundo) - cujos votos de feliz natal foram proclamados este ano em 64 idiomas, um recorde - Bento XVI falou mais uma vez sobre a crise econômica e sobre como ela pode levar miséria à vida de milhares de pessoas. De acordo com o pontífice, "se vence o egoísmo, o mundo vai à ruína".

"Da pobre e humilde gruta de Belém, se difunde em toda parte a luz da esperança do evangelho e ressoam o anúncio de que ninguém é estranho ao amor do redentor.", declarou o papa, que lembrou no discurso também o conflito árabe-israelense e as crises humanitárias africanas (Zimbábue, República Democrática do Congo, Somália e Sudão).