Cidade do Vaticano (Sábado, 13-12-2008, Gaudium Press) "Deve-se separar o que é de César do que é Deus". Foi parafraseando o apóstolo Matheus que o Santo Padre defendeu, na manhã de hoje, a importância da laicidade na condução das relações políticas e das políticas governamentais. Mas o Papa sublinhou, também, que é dever da Igreja ajudar a "promover a dignidade das pessoas e o bem comum da sociedade".

O discurso do sumo-pontífice ocorreu durante visita oficial à sede da representação italiana na Santa Sé, em evento no qual estiveram presentes ainda o ministro do Exterior, Franco Frattini; o sub-secretário da presidência do Conselho dos Ministros, Gianni Letta; e Antonio Zanardi Landi, embaixador da Itália na Santa Sé. O papa aproveitou a ocasião para enfatizar que a necessária distinção entre Igreja e Estado "não somente está na estrutura fundamental do Cristianismo, como é reconhecida e respeitada pela Igreja Católica como um grande progresso da humanidade e uma condição fundamental para sua própria liberdade".

"A Igreja sente como seu dever, seguindo os ditames da própria doutrina social, argumentada a partir daquilo que está em conformidade com a natureza de cada ser humano, fazer despertar na sociedade as forças morais e espirituais, contribuindo em abrir a boa-aventurança às autênticas exigências do Bem. Por isso, reclamando o valor que é para toda a vida não somente privada, mas também e, sobretudo, pública, de alguns princípios éticos fundamentais, de fato a Igreja contribui para garantir e promover a dignidade da pessoa e o bem comum da sociedade e é neste sentido que se realiza a desejada, verdadeira e apropriada cooperação entre Estado e Igreja", afirmou o Sumo-Pontífice.

Em seu discurso, acompanhado por um concerto de música clássica oferecido em sua homenagem, o Papa saudou as boas relações que a Santa Sé mantém com o Estado italiano e assegurou que a separação entre Estado e Igreja é também condição para que esta última cumpra "sua missão universal de salvação entre todos os povos".

Após colocar como exemplo e confiar aos diplomáticos italianos San Carlos Borromeo, que morou no local que é agora sede da Embaixada da Itália ante a Santa Sé, Bento XVI fez votos para que os povos do mundo alcancem "o autêntico progresso humano, prosperidade e concórdia, realidades às quais podemos aspirar com esperança e fé, porque são dons que Jesus trouxe ao mundo nascendo em Belém".

Ao concluir, o Papa pediu para que a Virgem Maria, "que veneramos há poucos dias como a Imaculada Conceição, obtenha, para o bem da Itália e do mundo inteiro, esses e outros desejados dons de seu Filho, o Príncipe da paz, cuja bendição invoco de coração a todos vocês e seus entes queridos".